Poema de 28 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

28 de Junho

Quando um buscador sincero ora e medita, irradia beleza. Essa beleza vem, diretamente, da sua existência interior, a sua alma.

Quando oramos, oferecemos a beleza da intensidade do nosso coração ao Supremo. Quando meditamos, oferecemos a beleza do nosso silêncio interior ao Supremo. Quando amamos o mundo exterior, sabendo que ele é a manifestação e a expressão do Supremo, então, oferecemos a beleza da nossa unicidade universal ao Supremo.

O altar-entrega do seu coração
É a beleza sem igual
Que ascende a tocar
O âmago do Céu.


Reflexão, poema de “28 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 24 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

24 de Junho

Se sente que não é suficiente, apenas, manter a sua existência na Terra, que a sua existência deve ter algum significado, algum propósito, alguma realização, então, deve voltar-se para a vida interior, a vida espiritual.

Aqueles que aspiram irão além das circunstâncias e eventos mundanos e tentarão entregar-se à sua divindade interior. Essa não é a submissão de um escravo ao seu senhor, uma entrega desamparada. É a entrega das imperfeições, limitações, apego e ignorância ao próprio Eu mais elevado, o qual é inundado de paz, luz e felicidade. Nela não se perde a individualidade ou personalidade. Em vez disso, a individualidade e personalidade são ampliadas; expandem-se em Infinidade.

Ele provou a beleza
Da sua vida interior;
Portanto, está feliz.
Agora ele deve entregar
A fealdade da sua vida exterior
Ao seu Amado Supremo
Para que ambos, ele e o seu Senhor,
Possam ser felizes.


Reflexão, poema de “24 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

O que é belo há de ser eternamente uma alegria – John Keats

Endymion (trecho)

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

Endymion (trecho original)

A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o’er-darkened ways::
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
‘Gainst the hot season; the mid forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
All lovely tales that we have heard or read:
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven’s brink.

– John Keats

 

endymion

KEATS, John. “From Endymion” / “Do Endymion”. In: CAMPOS, Augusto de. Byron e Keats: Entreversos. Traduções de Augusto de Campos. Campinas: Editora Unicamp, 2009.

Tocada pela Beleza das Árvores – Ishion Hutchinson

 

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A beleza das árvores a imobiliza;

ela é quietude fitando as folhas,

 

 

verde e quietude e o céu acima;

sua beleza a imobiliza e silencia

 

 

no seu olhar, longos cílios curvam

e ficam, sua pequena boca abre

 

 

e ficam imóveis na sua quietude pela beleza

das árvores, suas folhas, o céu

 

 

e seu azul silencioso, imóvel e silencioso;

seus olhos fitando abertos, profundos, silentes

 

 

intensamente as árvores e a beleza

do céu, o verde das folhas.

 

 

 

– Ishion Hutchinson, poeta Jamaicano

 


Moved by the Beauty of the Trees, do livro House of Lords and Commons
(Tradução Patanga Cordeiro)

Meus poemas favoritos – escritos por Sri Chinmoy

 

A Sempre-Nova Visão

e

A Sempre-Ancestral Realidade

*

 

Poemas de Sri Chinmoy

Título original: “The Ever-New Vision and the Ever-Ancient Reality”

Traduzidos ao português pelo Centro Sri Chinmoy Brasil

3/set/2013

 

 

 

*

 

 

Uma seqüência interminável de céus

Onde não há ar.

Um anseio interior me compele a trazer

Uma guirlanda de poemas

Para adorá-Lo.

O altar está vazio.

Quero preenchê-lo;

Quero cobri-lo de poemas,

Com uma guirlanda de poemas.

Sei que é apenas assim

Que posso esquecer dos sofrimentos e alegrias

Que devem ser esquecidos.

 

*

 

Meu Amado, eu amo Você.

Eu Lhe trouxe

Algumas belas flores

Que colhi hoje pela manhã.

Eu desejo adorá-Lo com estas flores.

Ah, Você sorri porque sabe

Que estas flores, na verdade, pertencem a Você.

Estou decorando-O com Seus próprios presentes.

 

*

 

As nuvens velejam em direção a um mundo desconhecido,

Enfeitadas com beleza miríade.

Um rosto sorridente as acompanha.

As nuvens velejam em direção a uma terra desconhecida.

Ó céu, conte-me para onde as nuvens viajam.

Pergunto com olhos cheios de lágrimas.

Ó céu, você fará minha vida tão luminosa

E bela quanto as nuvens?

Ó céu, conte-me para onde as nuvens velejam.

 

*

 

Pelo toque de quem o lírio sorri

E abre seu botão-beleza?

A luz-de-lua da beleza de quem

Eu vejo no lírio?

Quem é o Olho de meu olho?

Quem é o Coração do meu coração?

Ora, por que eu não O vejo,

Sua Face de Beleza Transcendental,

Mesmo em meus sonhos?

 

Você é todo beleza, todo eterna beleza

.

Você é todo beleza, todo eterna beleza,

Onde quer que eu pouse meus olhos.

Pergunto: Você sempre bebe o néctar

De sua Forma-Existência

Que jaz à vista de meus olhos?

As ondas de melodia

E as doces e melodiosas canções

Que criam ressonância sublime,

Ó Amado, Você as ouve

Através dos meus ouvidos?

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– Sri Chinmoy

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tradução
A Fonte da Música

Nota: não lembra um pouco o estilo dos poemas de John Keats?

Plante sementes-gratidão

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Plant gratitude-seeds

Inside your heart-garden.

Your life will be beautiful

And fruitful

With glowing deeds.

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Plante sementes-gratidão

Em seu jardim-coração.

Sua vida será bela

E frutífera

Com ações reluzentes.

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– Sri Chinmoy

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tradução
Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, Part 145, Agni Press, 1991.

Beleza

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E a criança falou ao Místico:

“Mestre, conte-me sobre a Beleza, pois
ainda tenho de ver a face de Sua alma sagrada.”

E o Místico respondeu, dizendo:

Você está enganada, minha criança; muitos foram
os dias em que Ela sorriu para você, e você não percebeu.
Muitas foram as noites em que Ela sussurrou
a canção da Vida em seu ouvido, mas você sempre estava a dormir.
E há algo de mais inocência do que o suave ronronar
De uma criança recém-nascida?
E há algo de mais pureza do que
a sombra do sorriso encantador de uma moça?
E há algo de mais suavidade do que
O vislumbre afetuoso guardado nos olhos de uma mãe?
E não é a soma de tal inocência, pureza
e suavidade, a essência de toda Beleza?
Abra os olhos de sua alma, e a Beleza
Se revelará a você.
Ouça com os ouvidos de seu coração, e Ela
Cantará Sua melodia silenciosa.
E se você vê Beleza onde todos os outros vêem
Nada senão feiúra, então realmente você está vendo através
dos olhos amorosos de Deus.

.

– Daniel J Miller

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tradução
http://www.poetseers.org/spiritual_and_devotional_poets/contemp/daniel/4/view/

Uma coisa de beleza

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Uma coisa de beleza é uma alegria perene:
Sua amabilidade cresce; nunca
Sumirá no nada; mas ainda
Manterá um aposento silencioso para nós, e um sono
Repleto de doces sonhos, e saúde, e suave alento.

Por tanto, em cada manhã, tecemos
Uma guirlanda de flores para nos prender à terra,
Apesar da indiferença, inumana escassez,
Naturezas nobres, dias obscuros,
Hábitos insalubres e tenebrosos
Feita para a nossa busca: sim, apesar de tudo,
Uma forma de beleza afasta a mortalha
De nossos espíritos enegrecidos. Assim é o sol, a lua,
Árvores velhas, e jovens, brotando uma dádiva de sombra
Para simples ovelhas; e assim são os narcisos
Com o mundo verde em que vivem; e riachos límpidos
Que para si mesmos fazem refresco
Contra a estação quente; a clareira em meia-floresta
Rica com o aspergido de belas flores de rosa-almíscar:
E assim também é o grandeur das perdições
Que imaginamos para os poderosos já mortos;
Todos os adoráveis contos que ouvimos e lemos:
Uma inexaurível fonte de sumo imortal,
Transbordando do Céu sobre nós.

Nem meramente sentimos tais essências
Por uma curta hora; não, assim como as árvores
Que sussurram ao redor de um templo logo tornam-se
Tão queridas como parte do templo, também a lua,
A poesia da paixão, glórias infinitas,
Nos assombram até que se tornam uma luz alegre
Para nossas almas, e nos amarram tão bem
Que, haja brilho ou escuridão no céu,
Sempre precisamos conosco, se não, morremos.

Portanto, é com alegria plena que eu
Contarei a história de Endymion.
A própria música em seu nome penetrou
O meu ser, e cada cena agradável
Cresce nova diante de mim, como o verde
De nossos vales: assim começarei
Agora enquanto não ouço a balbúrdia da cidade;
Agora enquanto os botões jovens são novos,
E correm em labirintos de cores das mais pueris
Em velhas florestas; enquanto o salgueiro espalha
Seu delicado âmbar; e os cilindros
Trazem para casa ainda mais leite. E, assim como o ano
Cresce veludoso com caules suculentos, eu tranquilamente guiarei
Meu pequeno barco, por muitas horas de silêncio,
Com riachos que, logo aprofundando-se, tornam-se refúgios.
Muitos e muitos versos espero escrever
Diante das margaridas, de bordas vermelhas e brancas,
Escondido em meio a ervas altas; e aqui ainda as abelhas
Estão a zunir entre os trevos e leguminosas,
Devo estar me aproximando do meio da minha estória.
Ó! que o inverno, seco e destituído,
Veja-a só meio completa: mas deixai que o outono corajoso,
Com um toque universal de sóbrio dourado
Esteja me englobando quando eu a terminar!
Mas agora, aventureiro, eu envio
Meu pensamento escudeiro em uma selva:
Que seu trompete soe, e rapidamente vista
Meu caminho incerto de verde, e que eu possa seguir
Facilmente em frente, através das flores e ervas.

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– John Keats

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tradução –A thing of beauty

Novo poeta: John Keats

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John Keats (1795-1821) estudou em Enfield e, tendo ficado órfão, em 1810 tornou-se aprendiz de cirurgião em Edmonton. Em 1815 ele foi para Londres e trabalhou em diversos hospitais. Todavia, não tinha muito apreço por sua profissão. Ao invés, passou a mergulhar em literatura, encontrando-se com poetas de gostos similares como Shelley, William Wordsworth e outros.  Amigos de Keats o descreveram como “ávido, entusiasmado, sensitivo, mas cheio de humor, razoável, livre de vaidade, afetuoso, um bom irmão e amigo, de índole doce, prestativo. (trecho traduzido de http://www.poetseers.org/the_romantics/john_keats/)

Trechos de sua poesia em inglês original:

“A thing of beauty is a joy forever
 Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; ”  

“In spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. “

– Keats