Poema a Thomas Jefferson

monumento a Thomas Jefferson no Capitólio em Washington

“Estava entre eles, mas não era um deles.”

Longe das mansões dos homens e seu habitar

Encontro em meio à Natureza e suas obras um lar

Mais adequado ao meu espírito, quando estou a vagar

Ou pela margem silente ou floresta sombria,

Onde, sozinho, não estou sozinho;

Pois posso ler o estrelado domo

Acima, ou nas coisas ao redor como um tomo,

Sem ninguém a limitar meus pensamentos,

Ou invadir minhas meditações, que podemos encantar

Pela metade sua amargura – e sonhos, cujo sono

Não previa: mas ora! O tempo

Em que juventude e inteligência e riqueza e beleza guarda

Sua meia-noite revela, e devo erigir-me e sorrir

Como quem sorri porque não pode chorar.

D. Tenniel

Thomas Jefferson sobre o uso do tempo

“É quando se é jovem que o hábito de esforçar-se é formado.”

“Determine-se a nunca estar desocupado.”

“Quem nunca desperdiça tempo nunca terá de reclamar de falta de tempo.”

“É maravilhoso como tantas coisas podem ser feitas se estivermos constantemente fazendo.”

-Thomas Jefferson

O Tigre -William Blake, poema com tradução

arte de Sri Chinmoy

 

O Tigre

Tigre, tigre, incendiante
Na floresta da noite,
Que mão ou olho encararia
Tua feroz simetria?

Em que céu ou abismo tarde
O fogo do teu olho arde?
Que asas ousariam soprá-lo?
Que mão ousaria tocá-lo?

Que força, obra ou mão
Atiçaria o teu coração?
Que punho mais incrível
Forjou tua postura temível?

Que martelo, que corrente,
Que fornalha fez a tua mente?
Que bigorna, que punho a cerrar
Ousou teus terrores aprisionar?

Quando as estrelas em cadente espanto
Irromperam o vasto céu em pranto,
Será que Ele sorriu ao ver-te?
Ele que fez o Cordeiro também fez-te?

Tigre, tigre, incendiante
Na floresta da noite,
Que mão ou olho enquadraria
Tua feroz simetria?

(tradução Patanga Cordeiro)

 

Tyger

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
When thy heart began to beat,
What dread hand forged thy dread feet?

What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dared its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

-William Blake

 

O Tygre

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

Tradução: José Paulo Paes

 

O Tygre

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Em que céu se foi forjar
o fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chamma?
Que mão colheu esta flamma?

Que força fez retorcer
em nervos todo o teu ser?
E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
cortaram os céus, ao vê-las,
quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Tradução: Augusto de Campos

 

O leão

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.

Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto.
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna.
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus que te fez ou não?

O salto do tigre é rápido
Como o raio; mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o Leão dá.
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte.
Pois bem, se ele vê o Leão
Foge como um furacão.

Leão se esgueirando, à espera
Da passagem de outra fera…
Vem o tigre; como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo.
Quando se cansam, o leão
Mata um com cada mão.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

Vinícius de Moraes

(Inspirado em William Blake)

Quem / Who -Sri Aurobindo, poema traduzido

Quem

 

No azul do céu, no verde da floresta,

De Quem é a mão que ornamentou o brilho?

Quando os ventos repousavam no úbere do éter,

Quem os despertou e fê-los soprar?

 

Ele se perde no coração, na caverna da Natureza,

Ele é encontrado no cérebro onde constrói o pensamento:

Na tessitura e florescer das flores entremeado,

Na luminosa rede de estrelas Ele aprisionado.

 

Na força do homem, na beleza da mulher,

Na risada de um rapaz, no rubor de uma moça;

A mão que faz rotacionar Júpiter pelos céus

Usa toda a sua perspicácia para desenhar uma curva.

 

Lá estão Suas obras e Seus véus e Suas sombras;

Mas onde Ele está, então, e por qual nome é conhecido?

Ele é Brahma ou Vishnu, homem ou mulher?

Corpóreo ou incorpóreo? Gêmeo ou solitário?

 

Amamos um rapaz negro e resplandecente;

Uma mulher é nossa Senhora, nua e feroz.

Vimo-Lo refletir na neve nas montanhas,

Observamo-Lo laborar no coração das esferas.

 

Ele contará ao mundo Seus meios e Sua esperteza;

Tem o enlevo de tortura e paixão e dor;

Deleita-Se em nossa tristeza e empurra-nos a chorar

E então nos isca novamente com Sua alegria e beleza.

 

Toda música não passa do som da sua risada,

Toda beleza, o sorriso do Seu deleite apaixonado;

Nossas vidas são o pulso de Seu coração; nosso enlevo

O noivado de Radha e Krishna; nosso amor, seu beijo.

Ele é a força que soa no clangor dos trompetes

E cavalga a carruagem e bate nas lanças;

Mata incansavelmente e é repleto de compaixão.

Ele guerreia pelo mundo e seus anos derradeiros.

 

No meneio dos mundos, no surgimento das eras,

Inefável, poderoso, majestoso e puro,

Além do último ápice tocado pelo pensador

Ele é entronado em Seus assentos sempiternos.

 

O Mestre do homem e seu Amante infinito

É próximo dos nossos corações – tívessemos visão a enxergar;

Somos cegos pelo orgulho e pompa das nossas paixões,

Somos presos em nossos pensamentos que nos fazem pensar livres.

 

É Ele no sol que é eterno e imorredouro,

E na meia-noite Sua sombra se alarga;

Quando a escuridão era cega e envolta em escuridão,

Sentado nela estava Ele, imenso e sozinho.

(tradução de Patanga Cordeiro)

 

Who

In the blue of the sky, in the green of the forest,
Whose is the hand that has painted the glow?
When the winds were asleep in the womb of the ether,
Who was it roused them and bade them to blow?

He is lost in the heart, in the cavern of Nature,
He is found in the brain where He builds up the thought:
In the pattern and bloom of the flowers He is woven,
In the luminous net of the stars He is caught.

In the strength of a man, in the beauty of woman,
In the laugh of a boy, in the blush of a girl;
The hand that sent Jupiter spinning through heaven,
Spends all its cunning to fashion a curl.

There are His works and His veils and His shadows;
But where is He then? by what name is He known?
Is He Brahma or Vishnu? a man or a woman?
Bodies or bodiless? twin or alone?

We have love for a boy who is dark and resplendent,
A woman is lord of us, naked and fierce.
We have seen Him a-muse on the snow of the mountains,
We have watched Him at work in the heart of the spheres.

We will tell the whole world of His ways and His cunning;
He has rapture of torture and passion and pain;
He delights in our sorrow and drives us to weeping,
Then lures with His joy and His beauty again.

All music is only the sound of His laughter,
All beauty the smile of His passionate bliss;
Our lives are His heart-beats, our rapture the bridal
Of Radha and Krishna, our love is their kiss.

He is strength that is loud in the blare of the trumpets,
And He rides in the car and He strikes in the spears;
He slays without stint and is full of compassion;
He wars for the world and its ultimate years.

In the sweep of the worlds, in the surge of the ages,
Ineffable, mighty, majestic and pure,
Beyond the last pinnacle seized by the thinker
He is throned in His seats that for ever endure.

The Master of man and his infinite Lover,
He is close to our hearts, had we vision to see;
We are blind with our pride and the pomp of our passions,
We are bound in our thoughts where we hold ourselves free.

It is He in the sun who is ageless and deathless,
And into the midnight His shadow is thrown;
When darkness was blind and engulfed within darkness,
He was seated within it immense and alone.

-Sri Aurobindo

Aceno / Invitation -Sri Aurobindo, poema

Aceno

 

Com o vento e o tempo flamulando a meu redor

Subo à montanha e à charneca.

Quem virá comigo? Quem subirá comigo?

Cruzar o riacho e pisar a neve?

 

Não no mesquinho círculo das cidades

Restrito pelas suas portas e paredes eu habito;

Sobre mim Deus é o azul no céu,

Contra mim o vento e tempestada rebelam.

 

Brinco com a solidão nestas minhas terras,

Fiz-me companheiro das minhas más venturas.

Quem vive solto? Quem vive livre?

Suba a estas terras varridas pelo vento.

 

Sou o Senhor da tempestade e montanha,

Sou o Espírito da liberdade e orgulho.

Hirto deve ser e familiar do perigo aquele

Que compartilha do meu reino e caminha a meu lado.

 

(tradução Patanga Cordeiro)

 

Invitation

 

With wind and the weather beating round me
Up to the hill and the moorland I go.
Who will come with me? Who will climb with me?
Wade through the brook and tramp through the snow?

Not in the petty circle of cities
Cramped by your doors and your walls I dwell;
Over me God is blue in the welkin,
Against me the wind and the storm rebel.

I sport with solitude here in my regions,
Of misadventure have made me a friend.
Who would live largely? Who would live freely?
Here to the wind-swept uplands ascend.

I am the Lord of tempest and mountain,
I am the Spirit of freedom and pride.
Stark must he be and a kinsman to danger
Who shares my kingdom and walks at my side.

-Sri Aurobindo

O Barco do Tempo Segue Adiante -Sri Chinmoy, poema

O céu me chama,

O vento me chama,

A lua e as estrelas me chamam.

 

Os verdes e densos bosques me chamam,

A dança da fonte me chama,

Sorrisos me chamam, lágrimas me chamam.

Uma suave melodia me chama.

 

A aurora, o meio-dia e o crepúsculo me chamam.

Todos buscam por um colega a brincar,

Todos me chamam: “Venha, venha!”

Uma voz, um som, por toda parte.

Ora, o Barco do Tempo segue adiante.

-Sri Chinmoy

Cartões de mensagens de Sri Aurobindo

A casa do Divino não está fechada a qualquer pessoas que bata sinceramente aos seus portões, quaisquer sejam seus erros e tropeços do passado.

 

*

 

O que é exigido de você não é uma entrega passiva, na qual se torna um bloco, mas que coloque a sua vontade à disposição da Vontade Divina.

 

*

 

Ó transcendente em poder-vontade, que não soframos o controle de ninguém, seja na nossa incepção, seja na nossa criação.

 

*

 

Você não consegue cuidar de si mais do que Deus cuida de você.

 

*

 

Toda vida é tão-somente uma farta e multifacetada oportunidade que nos é dada a descobrir, realizar, expressar o divino.

 

*

 

Uma libertação completa e uma perfeição completa da posse completa do Divino e a posse pelo Divino é possível, mas não costuma acontecer por um milagre corriqueiro ou uma série de milagres. A milagre pode ocorrer e ocorre, mas apenas quando há o chamado pleno e completa autodoação.

 

*

 

Viva interiormente; não se abale com acontecimentos exteriores.

 

*

 

Aspire intensamente, mas sem impaciência.

 

*

 

Tudo pode ser feito se o toque-Deus estiver presente.

 

*

 

Todas as coisas mudam na hora transfigurante de Deus.

 

*

 

Mensagens de Sri Aurobindo encontradas em cartões oferecidos a pessoas em ocasiões especiais, digitadas por Chinmoy, aqui traduzidas.

Jurei sob o altar de Deus -Thomas Jefferson, citação

Jurei sob o altar de Deus eterna hostilidade contra qualquer forma de tirania sobre a mente do homem…

Abdicamos dos deleites domésticos, da tranquilidade e da ciência, e nos comprometemos com o oceano da revolução, para gastar até o fim a única vida que nos foi dada aqui, visando benefícios que só colherão aqueles que virão depois de nós.

-Thomas Jefferson

Poema de 22 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

22 de Julho

Há uma palavra que nos é muito doce, pura e familiar. Essa palavra é consciência. Consciência é um outro nome para a voz interior.

A consciência pode residir em dois lugares: no coração de verdade e na boca de falsidade. Quando a consciência nos golpeia uma vez, devemos pensar que ela nos está a mostrar o seu amor incondicional. Quando ela nos golpea a segunda vez, devemos sentir que nos está a mostrar o seu cuidado sem reservas. Quando nos golpeia a terceira vez, devemos perceber que ela nos oferece a sua compaixão ilimitada, para nos prevenir de mergulharmos no abismo do mar da ignorância.

Eu conheço os seus
Doces, encorajadores e inspiradores segredos.
Está feliz porque
Arrancou pelas raízes a sua árvore-desejo.
É perfeito porque
Sempre obedece aos comandos
Do seu monitor interior:
A luz-consciência.


Reflexão, poema de “22 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 13 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

13 de Julho

O que obtem

O amor próprio egoísta e o ódio de si mesmo são duas doenças, que podem ser curadas por um remédio, que é o amor a Deus.

Nós queremos agradar ao mundo, mas, como poderemos fazê-lo, se não nos agradam as nossas próprias vidas? É um absurdo gritante tentarmos agradar aos outros se não estamos satisfeitos com a nossa existência interior e exterior. Deus deu-nos grandes bocas e com elas tentamos agradar aos outros, mas dentro dos nossos corações há um deserto árido. Se não temos aspiração, como podemos oferecer paz, alegria e amor ao mundo? Como podemos oferecer qualquer coisa divina quando não praticamos o que pregamos? A espiritualidade proporciona-nos a capacidade de praticar o que pregamos. Se não trilhamos o caminho da espiritualidade, apenas pregaremos; será um jogo unilateral. A nossa pregação frutificará, apenas, quando for praticada.

Para elevar a atmosfera-mundo,
Comece, a partir de hoje,
Com o coração que doa
E a vida de entrega.


Reflexão, poema de “13 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Canções devocionais sobre o amor de Radha por Krishna – O Evangelho de Sri Ramakrishna

-Canções devocionais sobre o amor de Radha por Krishna – O Evangelho de Sri Ramakrishna

 


 

Ó Krishna! Amado! Você é meu!

O que Lhe direi, Ó Senhor?

O que diria a Você?

Sou apenas uma mulher

E nunca a favorita da sorte;

Não sei o que dizer.

 

Você é a flor para os cabelos.

Ó Amigo, farei de Você uma flor

E O vestirei no meu cabelo.

Sob as minhas tranças O esconderei, Amigo.

Ninguém O verá lá.

 

Você é a cor para os lábios,

O doce colírio para os olhos;

Ó Amigo, com Você mancho meus lábios,

Com você pinto meus olhos.

 

Você é o sândalo para o corpo,

O colar para o pescoço.

Me ungirei com Você,

Meu perfumado creme de sândalo,

Refrescando meu corpo e alma.

Vestirei Você, meu lindo Colar,

Aqui no meu pescoço,

E Você deitará no meu peito,

Perto do meu coração trêmulo.

 

Você é o Tesouro no meu corpo;

Você é o Morador da minha casa.

Você é para mim, Ó Senhor,

O que as asas são para o pássaro que voa,

O que a água é para os peixes.

 


 

Que estranhas, Ó amiga, são as regras da vida e da morte!

O Jovem de Braja fugiu,

E esta pobre pastora de Braja logo morrerá.

Madhava está apaixonado por outras pastoras,

Mais belas do que eu.

Ora! Ele se esqueceu da filha inocente do vaqueiro.

 

Quem teria imaginado, cara amiga, que Ele,

Um Amante tão gentil, tão divino,

Buscaria apenas o encanto externo?

Fui tola em não ter visto antes;

Mas levada pela Sua beleza,

Ansiei sozinha por segurar Seus pés no meu peito.

 

Agora me afogarei no correr do rio Jamuna,

Ou tomarei uma dose de veneno, amiga!

Ou enrolarei uma vinha em meu pescoço,

Ou me enforcarei numa árvore tamala;

Ou, nada disso funcionando,

Destruirei minha existência desgraçada entoando o nome de Krishna.

 


Porque Meu corpo se tornou tão dourado? Não é hora disso ainda:

Muitas as eras devem passar, antes que como Gauranga eu apareça.

Aqui na era de Dwapara o Meu jogo ainda não terminou;

Como é estranha essa transformação!

 

O pavão cintila, todo dourado – e dourado também o cuco cintila!

Tudo ao meu redor se torna ouro! Nada mais

Senão ouro, por onde quer que eu olhe.

O que quer dizer esse milagre, onde tudo que vejo é ouro?

 

Ah, acho que consigo imaginar o significado agora:

Radha veio para Mathura, e é por isso que a Minha pele está dourada.

Ela só medita em mim e acha que sou eu, e portanto deu-Me a sua cor.

Meu corpo que era azul escuro, agora num piscar de olhos

Se torna ouro. Tornei-me Radha por contemplá-la?

 

Não consigo imaginar onde estou – Mathura ou Navadvip.

Mas como isso pode ter acontecido?

Balarama não nasceu ainda como Nitai, nem Narada

Se tornou Srivas, nem Yasoda voltou como a Mãe Sachi.

Então por que eu, dentre todos eles, deveria ficar com o rosto dourado?

O Pai Nanda ainda não nasceu como Jagannath; por que então

Eu deveria me tornar ouro?

Talvez porque em Mathura a doce Radha apareceu

Minha pele emprestou o matiz dourado de Gauranga.

 


 

Certamente Gauranga está perdido num êxtase;

Em exuberante alegria, ele ri e chora e dança e canta.

Ele acha que uma madeira é a floresta de Vrindavan, que o Ganges é o azul Jamuna;

Soluça alto e chora. Mas ainda que seja por fora todo dourado,

Ele é todo negro por dentro – negro com o negrume de Krishna!

 


Porque as minhas vizinhas fazem tal escândalo?

Porque suas calúnias lançam sobre mim,

Simplesmente por causa de Gauranga?

Como podem compreender os meus sentimentos?

Poderei algum dia explicar?

Isso é possível explicar?

Ora, para quem explicarei?

Ah, mas elas fazem que eu morra de vergonha!


 

Ó amiga, traga o meu amado Krishna aqui ou leve-me até Ele.

Ó amiga, traga o meu amado Krishna aqui e ganhe-me como sua serva.

Serei sua aia para sempre.

Ó amiga, não mais irei ao Jamuna buscar água.

Certa vez eu vi o meu amado Amigo debaixo da árvora kadamba.

Sempre que passo por lá, sou sobrepujada pela emoção.

 

O próprio desejo pela presença de Krishna

Resfriou e refrescou o meu corpo febril.

Ó amigas, vocês podem esperar.

Mostrem-me Krishna, o meu Amado.

Não se preocupem com os meus ornamentos.

Perdi o meu Ornamento mais precioso.

Ora! Que dias terríveis!

Meus dias felizes se acabaram.

Essa tristeza perdura tanto tempo!

 

Ó amiga, estou morrendo! Certamente morrerei!

A angústia de ser mantida longe de Krishna

É mais do que posso suportar.

Ora! Com quem deixarei

O meu Tesouro inestimável? Quando eu morrer,

Imploro-lhe, não queime o meu corpo;

Não lance-o no rio.

Faça com que não seja entregue às chamas;

Não mergulhe-o nas águas.

Neste corpo, eu brinquei com Krishna.

 

Amarre a minha forma sem vida, eu lhe imploro,

Aos galhos da negra árvore tamala,

Amarre o meu corpo à árvore tamala.

Tocando a tamala, tocará o preto.

Krishna é preto, e preta é a tamala/

Preto é a cor que eu amo.

Desde a minha tenra infância eu a amei.

Ao preto Krishna o meu corpo pertence;

Não permita que fique longe do preto!

 

 

Poema de 12 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

12 de Julho

O que obtemos da vida interior? Simplicidade, sinceridade, integridade, pureza, humildade e divindade. Aquele que tem todas essas qualidades divinas terá, sem falta, uma vida de alegria, paz, liberdade e plenitude. E aquele que não tem essas qualidades divinas terá, sem erro, uma vida de lágrimas, confusão, limitação e frustração.

Da vida interior obtemos uma consciência crescente, fluente e energizadora, para iluminar e aperfeiçoar os nossos pensamentos e sentimentos, bem como realizar as nossas metas. Também podemos tornar-nos participantes ativos e efetivos da experiência cósmica de Deus. Viver uma vida interior é tornar-se, plenamente, consciente da existência de Deus. Tornar-se, plenamente, consciente da existência de Deus é amar o alento da humanidade com um coração ilimitado. A harmonia divina existe e pode ser estabelecida na natureza interior e exterior de alguém, apenas, quando ele aceita a vida interior como uma fonte de constante inspiração, para guiar, moldar e modelar a sua vida exterior.

O campo de batalha da vida
Será todo paz
Quando o som da mente
Der lugar
Ao silêncio do coração
.


Reflexão, poema de “12 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 11 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

11 de Julho

A paz é a arma mais efetiva para se conquistar a injustiça.

Quando ora e medita, todo o seu ser fica inundado de paz. Então, não importa o que os outros façam, apenas, sentirá que são os seus próprios filhos a brincar diante de e pensará: “São apenas crianças. O que mais posso esperar delas?” No entanto, porque eles são adultos em termos de idade, em vez disso, fica zangado e aborrecido. Se orar e meditar regularmente, sentirá logo que a sua paz é infinitamente maior, mais satisfatória e mais energizante do que as infelizes situações que os outros possam criar.

Este nosso mundo
Está cheio de afiadas flechas-criticismo.
Essas flechas não podem ferir
A mente paz-iluminada
E o coração Deus-inebriado.


Reflexão, poema de “11 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

A Mãe – poema épico de Sri Chinmoy sobre a Mãe Divina

A Mãe

por Sri Chinmoy

tradução Centro Sri Chinmoy Brasil

 

I

 

Um clamor argento escala o abismo escancarado;

Uma Graça dourada do ápice altíssimo responde.

Seu abraço-céu a nossa esperança de Aurora.

 

Em nada, salvo nas trilhas da Luz, da Verdade,

Rirá sem fim a Graça, do despontar ao poente –

Brilhando para longe da ignorância

E da sombra errante da falsidade, indomável,

Ou derrotada estaria em sua meta,

Satisfizesse a sede nua da cegueira.

 

A Força insuperável do Absoluto dourado

Corre pelo cerne da Luz e Verdade apenas.

Os Pés da Força apical que pairam

E suas enormes aberturas aqui embaixo

É tudo o que age na cega Natureza exterior,

Cisalha as raízes abissais retorcidas e vastas.

Entrega ampla – expondo-se à Força –

A cada passo é a maior necessidade do nosso ser.

Sempre a Verdade escolheremos,

Abandonando as Falsidades da mente e vida e terra.

Suas forças e formas são monarcas da raça humana.

 

Nossa interinidade nadará em reluzente entrega.

A alva resposta da alma e seus percursos interiores,

A ampla aceitação da mente mais sublime,

A submissão do ânimo arrogante da vida,

A consciência dos nossos invólucros mais sutis –

Por si só não contemplam o rosto da vitória.

Mesmo em nossas mais externas superfícies de relva,

Onde os vícios habitam taciturnos, como várias ondas,

A sombria desordem do conforto, luxúria e ardil

Deve tornar-se santuário aberto à luz de Deus.

 

Entremeadas de oferenda-oração aos céus

E choro silencioso e puro da tua submissão,

Se multifárias exigências da vida inferior

Macularem o teu anseio com demandas enormes e cinzas,

Ou detrás do carrilhão de altruísmo da tua devoção

E genuíno alvo anseio pelo Vasto

O “Eu” nu restar inexorável, supremo,

Então vã será a tua empreitada e tua reivindicação

À divindade além dos portais do pó e terra.

 

Uma parte de ti anseia pela Luz augusta,

E outra pelos Poderes cegos e hostis?

Então verta fora a esperança incendiada da tua alma

De que abrigarás a Graça acima da dúvida.

Um santuário sagrado a Presença incandescente exigirá

Se teu peito algum dia ansiar por Seu alento além do tempo.

 

E quando a Potência milagrosamente escorar-se

Em ti e nas cavernas silenciosas do teu espírito,

Concedendo maior dádiva de transformação inabalável,

Não cubra tua fisionomia do seu raio surpreendente,

Nem pranteies a rearpoar a força da falsidade

Expelida da vastidão-alma sol-encantada da tua natureza.

Não culpes a Graça incansável, o fogo descendente,

Pois o erro e mal reivindicaram o domínio da tua vida.

Um tropeço infrutífero é então o teu destino e fim.

 

Buscando a veracidade soberana

Desbarrastes teus portais às potências menores,

Redesejando as escuridões expatriadas das tuas profundezas,

Os poderes negros-valentes reivindicarão tua alma tremeluzente;

A altiva precursora-graça de ti então recuará.

Comande teus olhos a abjudicar seu âmago e lançá-las

Nas baixezas das terras do vasto lugar-nenhum.

 

Parte a altiva tora da tua doce fantasia.

Os ferozes opostos, luz e trevas,

A verdade flamejante e a cega ignorância,

Não podem juntos se tornar o santuário do teu peito.

Inigualável resida num brilho sem sombra;

E tudo que cerca a tua gigantesca marcha ao alto

Lança fora como um vago sonho indesejado.

 

A Divindade não responderá ao teu chamado,

Cegas demandas e suas exigências vazias

Onde residem luz e graça a despeito revoltarem-se.

Desrespeitando o decreto do Sol,

Não receberás sua vasta abundância glorificada.

Uma entrega leal à Sua chama eterna

É tudo o que o Criador presciente exige da natureza.

Supremamente livre tu és no teu jogo cósmico;

A luz divina não impõe exigência na tua labuta.

 

Que grilhão nenhum prenda rudemente teus passos libertos

Até que sejas transformado, irrevogavelmente transformado,

E tenhas saltado nos braços do Sol.

Descrédito gritante que bem seja seu guia errante.

Tu és livre a navegar a inundação da paixão, e lamuriar,

E lançar fora para sempre o soberano Poder,

Livre arquiteto do teu destino que és.

Uma labuta subrosa não é a exigência do altíssimo.

Tornado um instrumento guiado pelo Vasto,

Um brilho-feixe conduzido pelo lúmen apical,

Um erro impaciente trespassa as almas humanas.

Um abismo entre uma rendição imaculada

E uma negra indolência aquarelada não criam.

Continuidade e deleite irredutíveis e genuínos

Nunca proles de uma cansada letargia são.

Impiedoso, augusto, ousado deve ser aquele – solitário

Iluminado pela nua e singela Verdade e Esplendor,

Sacerdote e devoto de uma luz inata

Movido pela vontade alada do Uno, o Desconhecido.

O lutador interior não busca a pálida transigência,

Desobediência veloz nenhuma subjuga a sua alma.

Um verdadeiro servo do Vasto e de Deus ele será.

 

Abrigando a fé concentrada como uma chama,

Lâmpada irredutível que morte nenhuma pode arrebatar ou extinguir,

Trespassando desespero e discórdia em suas passadas,

Contemplarão o Sol triunfante somente aqueles que

Erguerem-se encarando o Chamado mundo-transformador.

 

II

 

MãeMãe– fonte do Uno solitário

Que expede na vastidão abundante,

Por cujos céus a desprendida Luz dos mundos

Tece o cinturão do Seu Mistério.

Ao redor do Seu Eu fogo-puro Ela fia a teia

De uma natureza sem fim e empunha as rédeas

Do ego em cada forma humana a mergulhar

Num ilimitado turbilhão de cego agir.

 

Quem é a escaladora do cume?

E de quem é a incendiada labuta ardente e nua?

Só Ela é a inigualável, triunfante Força –

A presença alta invisível – una, suprema.

Mãee sua prole Luz e Poder e Saber,

Conceito de intrínseco êxtase,

Agem no chamadoque, quando receptivo, apresenta-se

À Mãevertendo abaixo seus eldorados

A possibilitar a buscado mundo.

A procura audaz do buscador de intenções puro

Deve durar até a natureza baixa definhar.

 

Nosso hígido, tremendo empenho

Requer sempre uma aspiração reta e segura,

Uma entrega que desconhece sono ou repouso,

A vontade sublime da mente, a profundidade buscadora do coração

E uma purificada amplitude do amor vital.

Uma certeza corajosa implacável por ser

Um plástico e leal instrumento para todo o bem,

A moldar altiva a consciência da terra.

Apartar devemos os movimentos sombrios, selvagens,

Da abissal natureza irresoluta.

Desejos e caprichos e as predileções da mente

Que sofram a força dos nossos temíveis pés-trovão.

Assim o conhecimento hialino encontrará um aposento

Imune no ilimitado vão da mente silenciosa.

Aos Pés da Verdade augusta coloquemos

O baixo desejo, exigências, anseios, comoção,

Paixão, egoísmo, arrogância, luxúria

E fé pífia da natureza vital,

O monstro de verdes olhos, o juízo de ímpeto hostil,

E num piscar o poder e alegria sublimes

Do zênite precipitam-se, abraçando

O calmo, estupendo sacrifício vital.

A dúvida da nossa natureza não mais perseguirá nosso coração.

Obstinação, pequenez e cega preguiça

E todos os nossos atos vãos e sombrios morrerão.

Assim, a verdadeira estabilidade da Luz e Poder

E Deleite encontrar-se-ão num corpo erigido

Imune dos grilhões e envoltório externo,

Ainda mais imaculado e vivendo mais divino.

 

Em todo loco da tua consciência

Entrega completamente o que tu és e possuis

À alta Mãe, Única Potência inigualável.

Rendido à Sua imensidão de Luz,

O buscador do vasto e encoberto caminho

Dirige-se em campos interiores e céus reluzentes.

Ele descobre sua buscapela Mãerealizada.

Sem demora Ela verte mais e mais

De Si mesma nele e nele funda Liberdade sublime

E perfeição imaculada da Natureza divina.

Quanto mais esse processo consciente captura seu esforço,

Mais rápido, mais genuíno é o seu crescimento.

Uma comoção de pura entrega e completa

Consagração-vida corre do alto ao fundo;

Falece então a aflição do esforço – não antes.

Uma meia entrega nada é senão uma fraude.

Seu chamado a Deus por satisfazer os desejos e libertar

O homem da dor e tribulação abocanha o vazio do ar;

Perfeição, liberdade – anseios remotos.

 

III

 

As coisas de altíssima necessidade amálgamas são –

Teu coração de lealdade, o candor e Bondade altiva

Da Divina Mãe – marcham em formação.

Se as possuir, nunca o terror e suplício

Arrebatarão tua vida terrena; destemido, desimpedido

Prosseguirás trilhando a seara do mundo.

A natureza baixa e a arrogância da mente

São meras chamas débeis e opacas que nunca

Iluminam-te ao alto a céus dourados.

Tu viste o despontar do mundo para o trabalho divino,

Sustentando o Uno a fundar o Espírito na terra.

Que teu coração anseie pela Verdade e Potência apenas,

Por pureza e luz, amplitude e calma,

Deleiteda consciência suprema,

E com sua constância diamantina reforjada

Aperfeiçoe a tua mente e vida e invólucro externo.

Nada pode satisfazer a tua sede insaciável

Exceto o puro néctar do Dourado.

Deseje vê-Lo inundar de sua mística força

A Terra, a ti e todas as almas de visão elevada.

Na queda dos teus nêmeses resta a tua única escolha.

Nossa Terra suportará com sua ajuda uma nova criação.

E quando ofereceres a ti mesmo esqueça a palavra

‘Reservas’ e cerre os punhos nas gargantas dos cães das exigências.

Tua língua não deve formular quesitos de troca;

Parta as sombras da dúvida com tua vontade despida.

A vida do “eu” não mais em ti será,

Nem uma gota de força não divina –

E a chuva da benesse da Mãe será tua!

Escalando o pico da completude da entrega

Sentirás Suas asas indomáveis-diamante de Graça

Guardando-te, a todo redor e interior.

Não uma enxurrada, mas uma gota de Providência divina

Basta a tornar o teu peito desperto para enfrentar

Os abundantes desafios e selvagem emboscada do perigo.

Poder titânico nenhum da terra ou de mundos não vistos

Podem deturpar teu coração ou suspender tua marcha veloz.

A teus pés os olhos dos terrores banham-se em lágrimas.

Uma alquimia é o toque da Sua Graça desmedida.

Dividendos florescem das exigências descaradas.

Fracasso e labuta fútil alcançarão os louros

Do triunfo, e fraqueza será uma força inescapável.

Verdade que é, um mar de verdade luminosa –

Sua Graça é inundada da anuência do Uno.

Inamovível por negro impedimento qualquer,

O cavalgar reto de horas levará tua alma

Ao Atemporal e Sua epifania no Tempo.

 

IV

 

Dinheiro, plutocracia, uma potência na Terra –

Sua fonte reluzente é o Absoluto Singular;

Seu fluxo pertence à Sua força certeira.

Nosso cego “eu” e o selvagem titã subjacente

Entesouram para sempre o dinheiro, poder, amor aprisionador.

 

Longas e estranguladoras mãos do Príncipe das Trevas

Disseminaram afluência sobre a nossa terra.

Para escapar dessa caída tendência tudo-envolvente

Uma disciplina incansável gigantesca é o caminho

Para mestria-de-si – o Ápice dourado.

Mas nunca reivindique que “A riqueza é inimiga da luz;

Uma débil, árida e nua vida

É a única passagem para a Vastidão do Espírito.”

 

Adquirir dinheiro para o Uno, sua Fonte,

E atuar divinamente com ele, e descobrir nova vida

No solo aspirante deve ser a busca incansável

De todos os escaladores do Zênite além.

Não permita que a canção do anacoreta conquiste o teu coração.

Não feche o teu coração para o brilho da moeda humana

E nem chafurde no pântano de alegrias moribundas,

Fazendo da tua alma um vassalo de poderes carnais.

 

Que a riqueza é um poder de Deus, isso é uma verdade mascarada.

Reconquiste-o para a Mãe do Sol

E coloque a serviço dos Seus pés supernos

Todos os eldorados no abismo perdidos.

Na enchente-criação do Todo Dourado

A potência-dinheiro deve retornar à sua Rainha.

No mar de lucro-néctar nunca nade.

Seja tu uma onda-herói de retidão;

Precisão, vigília, candor – tais os teus nomes.

 

O escalador do Espírito é aquele que habita

Na penúria se assim exige a necessidade.

Sentimento de abstinência nenhum fere seus régios pensamentos

Nem impede a marcha interior de sua consciência.

Ainda assim, quando o Espírito lhe exige, pode abraçar toda a riqueza.

Sozinho será ruborizado com os feixes do triunfo,

Cuja natureza diamantina é, e é vazia de ‘eu’ também,

Cuja alma solitária só se prostra ao direito de Deus.

 

V

 

E, se teu espírito anseia servir ao Uno,

Nunca liberte os cães-desejo na tua seara.

Teu pífio ‘eu’ cego deve ser posto a dormir para sempre.

Nada seja senão uma oferta ampla

E lentamente floresça-te perfeito, completo

Dentro da Sua imaculada consciência.

Abismo algum deve obscurecer o entre a tua vontade e a Dela,

Nenhuma intriga subjacente em ti sustentar-se-á;

Preencha agora a caverna do teu coração com Seus pensamentos-relâmpago.

 

Um sorriso estupendo de puro deleite corre

Dos Seus olhos a ver teus divinos atos altruístas.

Serviço apenas é o que aviva teu crescimento interior.

Mesmo que a ‘união’ seja ainda uma meta remota,

Um dia despontará com a vitória desejada a ti –

Tu e a Mãe entremeados numa malha dourada.

Essa verdade brilhará no teu clamor ascendente.

É fato que Sua Vontade desperta a tua marcha da vida;

Sua Vontade é os frutos de todos os teus feitos.

 

Unicidade com Ela, dependência em Sua força,

Ultrapassa todo enlevo terra-nascido.

Esse vasto avanço único transporta o teu coração

Além dos labirintos fúteis do desejo,

Além das garras dolorosas da Noite térrea,

Além do cerne imensurável da Ignorância,

Aos dourados céus de deleite perpétuo.

 

VI

 

São quatro potências as soberanas do mundo,

Por cujas normas cósmicas Ela age divina,

Mãe de onipotência nunca vista.

Elas são o ritmo criador do Seu imenso coração,

Suas mãos vivas a construir, moldar e formar,

Seus enormes pés a pisotear ou acordar.

Por seu peito Ela guia Seus humores infinitos,

Seu golpe imorredouro ou encanto lúcido.

Trabalhando velada pela tela do ego,

Labutando multifacetada através do Tempo,

Num enlevo, feroz, maravilhosa ou liberta,

Incansável, esplêndida com grandes olhos em vigília,

Ela é única, substantivo Ápice de Deus.

Não apenas num transe de âmago tudo-vidente

Está Ela sobre Seu pináculo de dourada calma,

Mas também Ela é a violenta ira e força

Partindo o selo diamantino que o destino não é capaz.

Não apenas Poder é o seu segredo integral,

Ela é a Consciência das searas ocultas,

Cujos pés estão acima das amarras obscuras da razão.

Pouco adjudicamos da Sua doçura e alento,

Pouco sabemos da Sua incrível Graça.

 

Na Transcendência resta solitária, suprema Ela –

No Universal, espalha Seus braços no espaço –

No Individual, suporta a cruz do humano destino.

Um poder primevo é acima absoluta Ela;

Ao solo Sua presença é brilho

Íntimo, claro, arrebatador, articulado.

Dupla a Sua consciência, como uma dupla onda –

Deusde transe em enlevo interminável,

Incendiada Deusade passadas eternas.

Quando desvela Seu semblante ilimitado,

O orgulho da Morte é um vazio estupendo.

 

Senão pela Sua decisão, decreto de onipotência,

Nada pode aqui ou em qualquer parte existir.

Dentro Dela alçam-se os Impulsos do Sol;

Incansável trabalha na Natureza a cada intervalo;

Majestosa erige-Se sobre o reino dos deuses.

Muitas as potências e personalidades

Que envia à Terra a divinamente agir,

Lutar com inimigos, vitória a ter e reinar.

Emanações é como se chamam, tais poderes soberbos.

Abstraídas do Tempo, por eras as almas humanas

Nessas emanações sob diferentes nomes

Invocaram a Mãe Divina inigualável.

Eventos no teatro-mundo são como

Um drama preparado e ensaiado.

Se a Mãe é para todos, todas as coisas Ela é,

Mesmo as perpetrações da ignorância vasta.

O amor por Seus filhos é um mar sem fim;

Elevando seu destino, Ela encara golpes tremendos

De Falsidade, torturas loucas da Noite nua.

Quatro personificadores nomes poderosos Ela tem –

Amadas Maheshwari,Mahakali,

Mahalakshmi,Mahasaraswati.

 

 

Maheshwari

 

Incontestável Maheshwarihabita na vastidão,

Acima das nossas mentes e vontades absortas, melancólicas.

Seu âmago inundado de Poder e Conhecimento desconhecido,

Ela abre nosso coração aos céus zenitais,

Ao Todo Dourado e ampla vastidão do globo.

Onda de tranquilidade e glória Ela é.

Em Sua calma estupenda habita o Eterno.

Um conhecimento sempre supremo é o que Nela brinca.

Nada ousa Dela ficar secreto.

Nada opõe Sua Vontade diamantina.

Todos os mundos sob o decreto dos Seus Olhos Raio-X,

Seu Poder único retesa todas as coisas e momentos.

Ainda assim, o cerne do sofrimento é Ela,

E quem se aventura a medir Seu amor pela Terra?

Sua visão não possui cega preferência.

Um conhecimento mais luminoso dos sábios Ela recebe.

Seus confidentes são os que possuem visão.

Ela compele o hostil à sua natural perdição:

Leva as almas isentas de conhecimento verídico

E os que chafurdam na alegria da cega tolice

Razoavelmente à sua pequenez.

Respostas são dadas da forma com que os homens chamam por Ela.

 

Nada poderia algemar Seus ágeis Pés,

Em vão tenta o apego da Terra aprisionar o Seu amor;

Mas a Mãe em Seu coração é mais forte.

Seu repúdio nada é senão um atraso,

Seus golpes impiedosos dádivas doces.

Mas a enchente da Sua compaixão não alaga a Sua Lei,

Nem afasta Seu ato do curso por Ela ordenado.

Pois a verdade das coisas é sua única escolha divina.

Natureza sobre a Verdade última erige-se.

 

 

Mahakali

 

Mahakali, a interminável vertente de Poder,

Não deseja o vasto, mas o mais sublime Ápice.

Não o conhecimento, mas a força suprema é a sua escolha divina.

Sua inigualável celeridade além do imaginável

A conquistar vitória da paixão-maravilha,

Com seus Pés-trovão Ela calca as almas

Que ousam negar a Verdade, a Lei do Uno.

 

Mesmo nossas falhas insignificantes Ela não tolera.

Impiedosa, luta com uma enorme ira contra tudo no homem

Que luta por menos que uma transformação dourada.

Contra toda perfídia, falsidade, rancor tétrico,

Sua fúria tremenda é mais veloz que uma flecha.

Nunca Ela permitirá que apatia ou descaso

No trabalho divino cresça e longe se alastre.

Acolá Ela aflige a despertar com dores pujantes

O homem que perambula na terra do concordar

E aquele que se larga em vão e ao descaso.

 

Branco-de-lua clamor que ascende veloz em chama

Do coração humano floresce apenas na sua Dádiva.

Destemido é seu Espírito, sublime a sua Vontade-Visão.

E como sua marcha poderosa engendra temor

No coração fraco, também é Ela amada e adorada

Pelo nobre, pelo forte, pois sabem que essa Mãe fere

Apenas aquilo que revolta em seu âmago.

Sua presença alta com meio olhar realiza

O trabalho incansável de séculos num dia.

Só Ela enverga à erudição uma potência conquistadora.

Nossa dura e morosa labuta que anseia abraçar

A estrela de perfeição verdadeira, imaculada,

Recebe dela uma impulsão única que alarga

Em infinita medida nossa força interior.

Só Ela possui a Potência triunfal do Uno.

Luminosa se torna a sua Face com um deleite secreto

Quando ansiamos pelo Pináculo desconhecido.

 

 

Mahalakshmi

 

Mistério inato – Mahalakshmi,

De si corre toda harmonia imaculada –,

Milagre sem par de um incessante florescimento,

Segredo do sinfônico deleite-mundo,

Inigualável Coração fascinando o coração do homem.

 

Maheshwari, serenidade da luz primeira,

Régia perpétua, remota e calma;

Mahakali, relâmpago destemido, feroz,

Não atrai nossa ignorância por sua velocidade e investida;

Mas todos com ardor voltam-se a Mahalakshmi,

Deleite singular inebriante.

Sua intimidade, nosso rio de alegria sem fim.

Nossa vida purpurea-se da maravilhosa carga

De êxtase ao sustentarmos seu Alento

Em nosso âmago – uma sagrada e luminosa canção.

Da sua bonança flui a dádiva de raios-lúmen

Como múltiplas chamas da Luz do dia e Deus.

Seu toque é o ímã sobre qual suave preponderar

Purifica nossa vida, nossa mente e arcabouço externo.

Suas gloriosas exigências e todas as suas leis

Necessitam de um instrumento céu-destinado desencoberto.

Harmonia e florescer em nossa terrena vida é o que escolhe Ela.

Mesmo dentro de toda circunstância em vicissitude,

Seu Espírito se move onde beleza e enlevo crescem.

Um cego desgostar divino impele seu Coração

A esconder-se da nossa cegueira de luxúria-terra.

Nossos pensamentos esquálidos, definhados, baixos e disformes

Repelem a marcha-vitória do nosso coração.

Mãe de paciência, Ela aguarda imune subrosa

Como um mar de infinita, incansável tranquilidade.

As mãos que impõem, Mahalakshminão tem.

Estabelece Ela sua solicitude de alegrias inigualáveis

Apenas quando os ventos das paixões passam e acalmam –

E o coração pode ansiar pela vastidão eletrizante da sua dádiva.

 

O hirto asceta trancafiando-se longe das bênçãos de luz –

O restringir da rica, profunda emoção do coração,

O impiedoso golpear do apocalipse do esplendor –

Nunca ousariam conquistar sua luminosa anuência.

Através de amor irrestrito a Mãe verte

Nas almas humanas o reino de vastidões supernas.

A vida, em sua inigualável criação alva, é transformada

Para um trabalho único da arte do firmamento.

Mesmo o diminuto e desprezível renascem

Grandiosos pela vinda-prodígio da sua Intuição.

Ela é para sempre a estupenda onda-néctar

Que concede em dádiva um doce Infinito além do imaginável.

 

 

Mahasaraswati

 

Inigualável Artesã do dourado da perfeição –

Lentamente Ela molda o mundo, átomo por átomo.

Seu é o hábil polegar, e sua sagacidade é afiada.

Ela captura nossa vida humana com paciência desconhecida

E cresce em nosso coração com passos medidos.

Sempre-vigilante Tecelã da Verdade Ela é,

E próximos da nossa Natureza tangível estão Seus rítmicos Pés.

A Mãe Maheshwaritraz à tona

O estupendo rio de forças do mundo,

Mahakalias inunda de força e velocidade,

Mahalakshmifunda seus ritmos e compassos,

Mahasaraswatiem precisos detalhes

Observa seu poder governante e então age.

Numa labuta suprema e cuidado Ela modela, remodela

Cada parte até que recapture sua forma genuína.

Seu coração não sofre súbita inoportuna suspensão,

Nada é mísero a seus Olhos tudo-penetrantes,

Nada engana Sua visão, disfarçado como esteja.

 

Seu Conhecimento substancia-se no solo de Intuição.

Apenas o aceitável Ela carinhosamente empunha.

Sua paciência-diamante é um amor todo-pujante.

Seu toque-milagre transforma o solo inerte

Num puro receptáculo-perfeição de lúcido florescer.

Docemente Ela orienta a nossa habilidade a Portais acima.

As almas despreocupadas não alcançam o córrego do seu amor:

Mestria é a única coisa a banhar-se em seu mar de Graça.

Desprovida de sorrisos é Ela até o despertar da perfeição.

Sua alta onisciência entalha a Terra mordaz.

Incansável Ela tece em padrões celestiais

Nosso caos flutuante perturbado por débeis esperanças.

Uma vontade flamejante, uma onda de sinceridade

É sua única exigência das almas aspirantes humanas.

Nunca Ela inala o pejorativo ar da tristeza,

A doce Mãe para as nossas necessidades abundantes:

Nossa perpétua Estrela Polar e Confidente,

Ela afasta nossa sombria escuridão recalcitrante,

Toda cega lassidão, com Seu sol-vasto sorriso;

Aponta-nos o brilho eterno do deleite

E somente Ela é o punho essencial

A coroar o esforço dos demais poderes.

Destemida Ela afirma na matéria uma fundação divina.

 

-Sri Chinmoy

 


A Mãe

Introdução de Vidaghda Bennett

 

Em 1927, Sri Aurobindo escreveu um livreto revelador chamado “The Mother”. Ele contém seis capítulos e um pouco mais de 8.000 palavras. O sexto e final capítulo descreve os quatro poderes da Mãe em seus quatro aspectos: Maheshwari, Mahakali, Mahalakshmie Mahasaraswati.*

*Nota do tradutor: no oriente é mais usual referir-se à Deus pelo aspecto materno do que paterno. Esses nomes são diferentes formas e qualidades pelas quais o divino é abordado no oriente.

Com vinte e sete anos de idade, o jovem Chinmoy deu o corajoso passo de transcrever o livro completo em 489 linhas, com versos pentametros iâmbicos brancos*. Seu poema foi publicado em partes na revista “The Mother India”, de maio de 1959 a agosto de 1961. Em cada parte, ele deixou uma simples nota de rodapé explicando que o poema é uma versificação do conteúdo do livro “The Mother”, de Sri Aurobindo, junto com o capítulo correspondente do clássico do Mestre. Ele assinou sua obra como “Madal”.

“São quatro potências as soberanas do mundo…” começa Madal na Parte VI. Se lermos suas palavras lado a lado com o capítulo correspondente de Sri Aurobindo, vemos o Mestre abrindo seu capítulo nos quatro aspectos da Mãe assim: “Os quatro Poderes da Mãe são quatro de suas Personalidades incríveis, porções e personificações da sua divindade através das quais ela age nas suas criações…” Ler essas duas obras lado a lado é ficar absorto num diálogo iluminador entre prosa e poesia, Mestre e devoto.

Enquanto “The Mother” é uma das obras curtas mais lidas de Sri Aurobindo, a interpretação poética de Sri Chinmoy teve uma leitura limitada no período após ter sido escrita sessenta anos atrás. Entretanto, acredito que, como um poema em seu próprio mérito, sua versificação de “The Mother” é uma das suas mais refinadas obras.

No dia 5 de janeiro de 2002, ao contar sobre suas experiências interiores com a deusa Saraswati, Sri Chinmoy mencionou seu poema a muito esquecido:

 

“Sri Aurobindo escreveu sobre Mahakali, Mahalakshmi, Mahasaraswati e Mahamaheshwari em seu livro ‘The Mother’. Ele o escreveu em prosa. Eu o transcrevi em poesia, e ela saiu na revista do Ashram chamada ‘Mother India’. E a Mãe* [N.d.T. Mirra Alfassa, do Ashram de Sri Aurobindo] estava presente fisicamente na época. Tanta liberdade eu tinha lá! Ao invés de me mandarem embora, publicaram o poema na revista. São pelo menos sessenta ou setenta páginas de poesia. Vocês deveriam lê-lo, se ainda puder ser encontrado.”

 

Poema de 10 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

10 de Julho

Caráter é, justamente, aquilo que somos interiormente e o que fazemos exteriormente.

Quando tiver de se defender ou proteger, tente usar uma arma mais elevada. Se as pessoas disserem algo e você retaliar no mesmo nível, não haverá fim. Por outro lado, se engole a sua raiva, elas continuarão a aproveitar-se de si. Mas, quando vêem e sentem uma tremenda paz interior em si, verão algo em si, que nunca poderá ser conquistado. Verão em si uma
mudança e isso não, apenas, as confundirá mas, também, as desafiará e amedrontará. Elas sentirão que as suas armas são inúteis.

Se a sua aspiração é genuína,
Então, ela o salvará
A cada momento
Das reclamações do mundo.


Reflexão, poema de “10 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 09 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

09 de Julho

Eu fiz uma colheita abundante de paz, no dia em que percebi que nem a enorme fome da Terra, nem o bom banquete do Paraíso desejam a minha ávida presença.

A paz vem até nós e perdemo-la porque sentimos que não somos responsáveis pela humanidade ou que não somos parte integrante dela. Devemos sentir que Deus e a humanidade são como uma grande árvore. Deus é a árvore e os ramos são a Sua manifestação. Nós somos alguns ramos e há muitos outros. Todos esses ramos são parte da árvore e, são um com cada outro ramo e com a própria árvore. Se pudermos sentir que temos o mesmo tipo de relacionamento com Deus e com a humanidade, que um galho tem com os outros ramos e com a árvore como um todo, estaremos destinados a ter paz duradoura.

Há dois remédios
Para lhe trazer paz de espírito:
“Eu sou tudo”
E
“Este mundo não me pertence.”
Use um dos dois.


Reflexão, poema de “09 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 08 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

08 de Julho

As derrotas, dores e humilhações do passado não podem nunca comparar-se aos deleites da sua presente coroa-vitória.

Não devemos permitir que o passado atormente e destrua a paz do nosso coração. As nossas boas e divinas ações do presente podem, facilmente, contrapor-se às más e não-divinas ações do passado. Se o pecado tem o poder de nos fazer chorar, a meditação, sem dúvida, tem o poder de nos dar alegria e nos prover de sabedoria divina.

No momento em que ele
Deu as costas ao passado,
O despertar dourado
Da beleza-silêncio do amanhã,
Convidou-o a andar na carruagem do transcendental Deus-Sol.


Reflexão, poema de “08 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 07 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

07 de Julho

O homem tem duas armas: esperança e desespero. Com a esperança ele tenta extinguir a estagnação da incapacidade. Com o desespero ele pode extinguir o nascimento de um futuro dourado.

Só teremos paz quando tivermos cessado, completamente, de encontrar defeitos nos outros. Temos de sentir o mundo todo como algo muito nosso. Quando observamos os erros dos outros, entramos nas suas imperfeições e isso não nos ajuda em nada. Curiosamente, quanto mais nos aprofundamos, mais claro se torna que as imperfeições dos outros são as nossas próprias imperfeições, todavia em corpos e mentes diferentes. Ao passo que, se pensamos em Deus, a Sua Compaixão e Divindade ampliam a nossa visão interior da verdade. É necessário atingir a plenitude da nossa realização espiritual para que aceitemos a humanidade como uma família.

Mesmo por um fugaz segundo,
Ofereça boa vontade aos outros.
Os seus bons pensamentos
São contribuições significativas
Ao Supremo na humanidade.


Reflexão, poema de “07 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 06 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

06 de Julho

Vendo o passado eu nada ganho. Conhecendo o futuro eu ganho algo. Vivendo no presente eu ganho tudo.

Devemos permanecer sempre no presente, o qual está constantemente pronto a trazer o futuro dourado para o nosso coração. As realizações de hoje são muito satisfatórias mas, precisamos sentir que elas não são nada, em comparação ao que serão as realizações de amanhã. Cada vez que a satisfação desperta, devemos sentir que ela não é nada em comparação à satisfação que está por vir. É necessário sentir que cada segundo traz nova vida, novo crescimento, nova oportunidade. Se estivermos prontos para permitir que a mudança entre nas nossas vidas a cada momento, a cada minuto, a cada dia, estaremos destinados a crescer.

Não cante sublimes canções
Com a sua mente de ontem.
Cante frutíferas canções
Com o seu coração de hoje.


Reflexão, poema de “06 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 05 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

05 de Julho

Sabe o segredo do meu sucesso espiritual? Eu liberteime do passado; vivo em constante e infinita novidade na vida.

Como podemos tornar-nos Deus? Devemos estar prontos todos os dias para mudar, não permanecendo prisioneiros do passado. Quando o dia de hoje termina, devemos sentir que ele é passado e que não será de nenhuma ajuda para que nos tornemos o Supremo Altíssimo. Não importa quão doce, amoroso ou preenchedor foi o passado, ele não pode dar-nos nada que já não tenhamos. Caminhamos em frente em direção à meta, e portanto, não importa quão satisfatório o passado foi, devemos sentir que ele é apenas uma prisão. A semente cresce numa plantinha e depois torna-se uma imensa árvore. Se a pequena planta mantém a consciência de semente, não haverá manifestação. É claro, devemos ser gratos à semente, porque nos habilitou a tornarmo-nos uma planta. Mas, não dedicaremos muita atenção ao estágio de semente. Uma vez que nos tornemos uma planta, que o nosso objetivo seja tornarmos uma árvore. Procuremos olhar sempre em frente, em direção à meta. Somente, quando nos tornarmos uma grande árvore é que a nossa completa satisfação despertará.

Deixe o passado dormir e não permita à frustração
Comandar a sua mente. O sol-satisfação do amanhã
Será todo seu. Apenas comece a ver a elevação
Da sua maré-coração-entrega.


Reflexão, poema de “05 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 04 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

04 de Julho

O seu coração deve tornar-se um mar de amor. A sua mente deve tornar-se um rio de desapego.

O desapego, geralmente, é mal compreendido. Sentimos que se alguém é desapegado, é indiferente. Pensamos que quando queremos ser desapegados de algo, devemos mostrarlhe indiferença absoluta, a ponto de total negligência. Mas, isso não é verdade. Quando somos indiferentes a alguém, não fazemos nada por aquela pessoa. Não temos nada a ver com a sua alegria ou tristeza, a sua realização ou o seu fracasso. Mas, quando somos verdadeiramente desapegados, trabalhamos por ela devotada e altruisticamente e oferecemos os resultados das nossas ações aos Pés do Senhor Supremo, nosso Piloto Interior.

Com o meu apego
Aprendo com os homens
E a sua noite-ignorância.
Com o meu desapego
Aprendo com Deus
E o Seu Sol-Compaixão.


Reflexão, poema de “04 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 03 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

03 de Julho

Possa o alento da espiritualidade tornar-se a única força na minha vida.

Quando o ego opera, sentimos que somos indispensáveis. Sentimos que sabemos mais do que todos os outros e que somos responsáveis por tudo. Sentimos que todos precisam de nós. O Eu transcendental abriga o cosmos inteiro e oferece liberação ou liberdade a cada alma individual. O grande “Eu” está expandindo-se sempre, a si mesmo. Quando expandimos, conscientemente, nós sorvemos êxtase. Estendemo-nos como um pássaro abrindo as suas asas. No entanto, quando procuramos possuir algo, tentamos fazê-lo a ferro e fogo. Já a expansão espontânea da nossa consciência é como uma mãe estendendo os seus braços à volta dos seus filhos. Não há sentimentos possessivos. Apenas, sentimos que pela força da nossa aspiração que expandimos a nossa própria realidade interior.

Veja, veja!
O Choro Dele está em si.
O Sorriso Dele é para si.


Reflexão, poema de “03 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 02 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

02 de Julho

A cada aniversário que chega, a fatal morte bate à porta do nosso corpo. Mas, a alma imortal dentro do aposento-corpo diz: “Está a bater na porta errada. Vá-se embora, vá-se embora!”

Serei um tolo se, conscientemente, viver no físico. Serei um tolo ainda maior se, constantemente, admirar e adorar o meu corpo físico. Serei o maior dos tolos se viver apenas para satisfazer as necessidades da minha existência física. Sou uma pessoa sábia se sei que há algo chamado alma. Sou uma pessoa mais sábia se tenho o cuidado de ver e de sentir a minha alma. Sou a pessoa mais sábia se vivo na minha alma e para a minha alma, constante e devotadamente, sem reservas e incondicionalmente.

Ó corpo, meu corpo,
Pense na alma.
Pois, com a ajuda dela
Tornar-se-á
A serenidade, paz, luz e felicidade da Eternidade.


Reflexão, poema de “02 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poemas do Mês de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

Paz de espírito
Não pode ser obtida da noite para o dia.
Para termos paz de espírito
Devemos investir muitos anos-silêncio
Em espiritualidade.


Reflexão, poema do Mês de Julho, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 01 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

01 de Julho

O seu coração amoroso é a inesgotável riqueza do seu mundo interior.

Um buscador espiritual usa o seu coração e alma para ver o mundo interior e o mundo exterior. Ele não usa os seus olhos físicos. Às vezes percebe que a visão de seus olhos físicos é limitada, pois a sua visão é guiada pela subtil ou inconsciente operação da mente obscura, não-iluminada. É, simplesmente, impossível para os olhos físicos identificar-se com a quinta-essência da beleza. Porém, usando o coração, imediatamente, tornamo-nos parte integrante da substância e essência daquilo que estamos a ver.

A mente não-aspirante pensa
Que a meditação é perda de tempo.
O coração aspirante sabe e sente
Que a meditação é
O sagrado e secreto florescer
De uma vida Céu-ascendente.


Reflexão, poema de “01 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 29 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

29 de Junho

Como a nossa própria existência depende de Deus, apenas, devemos ser independentes dos valores, opiniões e pedidos alheios.

Para se desapegar, emocionalmente, de pessoas e de situações irritantes, primeiro identifique-se com o nível da pessoa que está causando irritação. Digamos que está no seu escritório e há uma pessoa a criar-lhe problemas desnecessários. Ficando zangado com ela, o problema não será resolvido. Pelo contrário, será torturado interiormente pela sua raiva e exteriormente pela pessoa. Permitindo-se enraivecer, apenas, perderá a sua própria força interior. Mas, caso se coloque no nível da pessoa e se identifique com ela, verá que ela mesma está muito infeliz e, portanto, deseja consciente ou inconscientemente fazer os outros também infelizes.

Há algum ser humano
Que não seja a personificação
De realidades opostas?


Reflexão, poema de “29 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 28 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

28 de Junho

Quando um buscador sincero ora e medita, irradia beleza. Essa beleza vem, diretamente, da sua existência interior, a sua alma.

Quando oramos, oferecemos a beleza da intensidade do nosso coração ao Supremo. Quando meditamos, oferecemos a beleza do nosso silêncio interior ao Supremo. Quando amamos o mundo exterior, sabendo que ele é a manifestação e a expressão do Supremo, então, oferecemos a beleza da nossa unicidade universal ao Supremo.

O altar-entrega do seu coração
É a beleza sem igual
Que ascende a tocar
O âmago do Céu.


Reflexão, poema de “28 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 27 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

27 de Junho

O objetivo da vida é tornar-se consciente da Realidade Suprema. O objetivo da vida é ser a expressão consciente do Ser Eterno.

A unicidade é o único relacionamento que pode durar para sempre, porque todos os seres humanos consciente ou inconscientemente compartilham de uma divina e Suprema Realidade. Para os que participam inconscientemente, a insatisfação é a triste realidade. Se somos participantes inconscientes, a consciência-corpo e a individualidade mental
afastam-nos e separam-nos. Entretanto, para os que compartilham conscientemente, tudo que há é a unicidade psíquica. Quando somos participantes conscientes, a unidade psíquica nos desperta, ilumina, satisfaz e imortaliza.

Se deixar de comprar
Os produtos-divisão da sua mente,
Deus conceder-lhe-á
O Banquete-Satisfação-Iluminação
Do Seu próprio Coração.


Reflexão, poema de “27 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Levantamentos de peso de Sri Chinmoy – aniversário de 35 anos

Hoje faz 35 anos que Sri Chinmoy embarcou na sua jornada de levantamentos de peso. Durante esses anos, ele compartilhou:
“When I am in the heart, with the heart and for the heart, there is no such thing as impossibility because of the heart’s oneness. When I am in the heart, I become one with each and every human being on earth. If countless human beings are with me and for me, then lifting 7,000 pounds is not a difficult task.”
“I am trying to inspire all human beings, irrespective of age, to fulfil their goals in this lifetime.”
-Sri Chinmoy

Poema de 26 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

26 de Junho

O mundo está coberto de dificuldades. De certa maneira, está cheio de espinhos. Todavia, usando um calçado, poderá caminhar sobre os espinhos. E de que é feito esse calçado? É feito da Graça de Deus.

Não deveríamos, e não precisamos nunca, preocupar-nos com o nosso futuro. Por via da entrega, uma pessoa espiritual torna-se, inseparavelmente, una com a Vontade cósmica de Deus. No presente momento, não nos entregamos à Vontade de Deus e esse é o porquê de sofrermos. Sentimos assim: se não fizermos algo por nós mesmos, então quem o fará? Todavia, essa não é a verdade. Existe alguém que fará tudo por nós e esse alguém é o nosso Piloto Interior. E o que é esperado de nós? Apenas, entrega a Sua consciente Vontade. Ele atuará em e através de nós, apenas, quando nos tornarmos Seus instrumentos conscientes. Quando sentirmos que nós somos os instrumentos e que Ele é o Agente, não nos preocuparemos com o nosso futuro e nem o temeremos, porque saberemos e sentiremos que ele está nas Mãos tudo-amorosas de Deus, as quais farão tudo, em nós, através de nós e por nós.

Não diga
Que sozinho pode fazê-lo.
Diga que Deus o faz em e através de si.
Ora, eis que tudo está feito.


Reflexão, poema de “26 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 25 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

25 de Junho

O aborrecimento e a tristeza são os piores inimigos, destruindo a vida em toda a sua inspiração divina. Findo o aborrecimento, não mais há tristeza; a sua vida tornar-se-á a beleza de uma rosa, o canto da aurora, a dança do crepúsculo.

Não deveríamos preocupar-nos. Deveríamos ter fé implícita em Deus, nosso Piloto Interior. Sintamos que Deus não apenas sabe o que é melhor para nós mas, também, fará o que é melhor para nós. As preocupações existem porque não sabemos o que nos acontecerá amanhã ou mesmo no próximo minuto. Contudo, se pudermos sentir que há alguém que pensa em nós, infinitamente, mais do que nós mesmos e se pudermos, conscientemente, oferecer-Lhe a nossa responsabilidade, dizendo: “Seja o responsável – Eterno Pai, Eterna Mãe, seja responsável pelo que eu faço, digo e me torno”, então, o nosso passado, presente e futuro passam a ser problema Dele. Enquanto tentarmos ser responsáveis pela a nossa própria vida, sentir-nos-emos miseráveis. Não seremos capazes de utilizar propriamente, sequer, dois minutos das vinte e quatro horas que temos.

É bom saber que Deus me ama.
É melhor saber que Deus precisa de mim.
O melhor de tudo é saber
Que Deus faz qualquer coisa,,
Incondicionalmente, por mim.


Reflexão, poema de “25 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 24 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

24 de Junho

Se sente que não é suficiente, apenas, manter a sua existência na Terra, que a sua existência deve ter algum significado, algum propósito, alguma realização, então, deve voltar-se para a vida interior, a vida espiritual.

Aqueles que aspiram irão além das circunstâncias e eventos mundanos e tentarão entregar-se à sua divindade interior. Essa não é a submissão de um escravo ao seu senhor, uma entrega desamparada. É a entrega das imperfeições, limitações, apego e ignorância ao próprio Eu mais elevado, o qual é inundado de paz, luz e felicidade. Nela não se perde a individualidade ou personalidade. Em vez disso, a individualidade e personalidade são ampliadas; expandem-se em Infinidade.

Ele provou a beleza
Da sua vida interior;
Portanto, está feliz.
Agora ele deve entregar
A fealdade da sua vida exterior
Ao seu Amado Supremo
Para que ambos, ele e o seu Senhor,
Possam ser felizes.


Reflexão, poema de “24 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 23 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

23 de Junho

Ama a sua vida interior. Isso significa que Deus tem um cuidado muito especial por si.

Constantemente, submete a sua vontade a coisas terrenas – ao barulho, aos sinais de trânsito, ao governo. Sente que, não se entregando a essas coisas, estará completamente perdido, ao passo que, ao render-se-lhes, ao menos, poderá continuar na Terra. Se deseja uma vida de aspiração, precisa de ter essa mesma espécie de sentimento em relação às coisas espirituais. Precisa sentir que se não orar, se não meditar, estará totalmente perdido; se não chorar, se não se entregar à mais elevada divindade, então, a sua existência será vazia e nem precisará de continuar na Terra. Sinta que sem orientação
interior estará, completamente, perdido e desamparado. Essa orientação interior vem, apenas, quando realmente deseja entregar a sua ignorância à luz que há no seu interior.

O meu caminho não é
Seguir o mundo.
O meu caminho não é
Liderar o mundo.
O meu caminho é
Andar junto de Deus.


Reflexão, poema de “23 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 22 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

22 de Junho

Meu Senhor, lembre-me de tempos em tempos que Me ensinou como amar o mundo incondicionalmente.

A cada momento nos é concedida ampla oportunidade de amar a humanidade. Se, realmente, amamos a humanidade, então, desejamos oferecer-lhe serviço dedicado. Quando, realmente, desejamos ampliar a nossa existência, expandir a nossa consciência e ser um, inseparavelmente, com a Vastidão, a única resposta é a entrega. A cada momento vemos bem à nossa frente uma barreira entre um ser humano e o outro – uma parede adamantina entre duas pessoas. Não conseguimos comunicar-nos, satisfatoriamente, de todo coração e alma. Por quê? Porque nos falta amor. O amor é a nossa unicidade inseparável com o resto do mundo, com toda a criação de Deus. Podemos trazer para baixo essa parede adamantina com a força do nosso amor devotado.

Cultive lágrimas, devotadamente, puras
De amor-unicidade.
A vida universal de beleza
Será toda sua.


Reflexão, poema de “22 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 21 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

21 de Junho

A sua mente pensa que nada é digno de crença. O seu coração sente que ninguém é merecedor de amor. Não é de estranhar que a sua vida esteja, constantemente, implorando felicidade em todo lugar.

É difícil amar a humanidade. É difícil devotarmo-nos à humanidade. É difícil entregarmo-nos à humanidade. Isso é verdade. Da mesma forma, é difícil amar a Deus, servi-Lo, devotarmo-nos a Ele e entregar-Lhe o nosso alento vivente. Por quê? O simples motivo é que desejamos possuir e sermos possuídos. Estamos, constantemente, a fazer-nos de vítimas da ignorância. Ou seja: os nossos desejos nunca serão satisfeitos. Nós temos inúmeros desejos mas, Deus satisfará apenas aqueles desejos que serão de alguma utilidade, dos quais obteremos algum benefício. Se Ele satisfizesse todos os nossos incontáveis desejos, estaria cometendo uma injustiça contra as nossas almas aspirantes. E isso, Ele nunca fará. Ele sabe o que é melhor para nós e tem-nos provido além das nossas capacidades, apesar de, infelizmente, não estarmos conscientes disso.

Deus não tem de nos punir,
Abençoando
Os nossos inúmeros desejos.


Reflexão, poema de “21 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 20 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

20 de Junho

O único modo efetivo de se amar a humanidade é primeiro amar a Deus incansavelmente.

O final de todo o ensinamento interior é o amor; amor divino, não amor humano. O amor humano prende; o resultado é frustração. E, no final da frustração, surge a destruição. Mas, o amor divino é expansão, crescimento, o sentimento de verdadeira unicidade. Assim, se amamos alguém, devemos saber que o amamos, precisamente, porque no seu interior está Deus. Não é por alguém ser meu pai, minha mãe, irmão ou irmã que eu o amo. Não. Eu amo-o, apenas, porque dentro dele sinto e vejo a presença viva de meu querido Bem-Amado.

Porque temo a Deus,
Não devo temer nenhum homem.
Porque amo a Deus,
Devo amar todos os seres humanos.


Reflexão, poema de “20 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 19 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

19 de Junho

Quando reparar que os defeitos e as más qualidades de alguém são óbvios, tente, imediatamente, sentir que os seus defeitos e más qualidades não o representam totalmente. A sua verdadeira existência é, infinitamente, melhor do que aquilo que vê agora.

Se a humanidade tivesse de se tornar perfeita antes que pudesse ser aceite por si, não mais necessitaria do seu amor, afeição e cuidado. Mas, neste exato momento, no seu estado imperfeito de consciência, a humanidade precisa da sua ajuda. Dê à humanidade, sem reservas, a mais insignificante e limitada ajuda que tem à disposição. Esta é a oportunidade dourada. Se perder esta oportunidade, o seu sofrimento futuro será além da sua capacidade de suportar, pois virá um dia em que perceberá que a imperfeição humana é a sua própria imperfeição. Você é criação de Deus e a humanidade também o é. A humanidade é, somente, uma expressão do seu próprio coração universal. Poderá e deverá amar a humanidade, não apenas como um todo mas, também individualmente, se compreender o facto de que, a não ser que a humanidade atinja a Meta suprema, a sua própria perfeição divina não será completa.

O seu dia-a-dia é povoado de buscadores e não buscadores,
Deus-adeptos e Deus-incrédulos.
O seu olho de cuidado abriga-os e o seu coração de amor
Ensina-os.


Reflexão, poema de “19 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 18 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

18 de Junho

Cultive pureza no seu coração. Logo será capaz de redescobrir o Reino dos Céus.

A luz interior é pureza. A vida exterior é ignorância. A luz interior deseja conquistar a ignorância exterior. Da mesma forma, a ignorância exterior deseja conquistar e devorar a luz interior. A luz interior quer conquistar a ignorância exterior com a intenção de transformá-la. Quando a ignorância exterior é transformada, torna-se um guerreiro divino, lutando para estabelecer o Reino dos Céus aqui na Terra.

Se é um verdadeiro Deus-amante,
Então, logo verá
Que Deus criou tudo
Para o seu coração puro
E não para os seus olhos críticos.


Reflexão, poema de “18 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

A importância da poesia para a vida espiritual

Imortalidade

Sinto em meus braços Sua Graça sem fim;

Dentro do meu coração, a Verdade da vida reluz alva.

As altitudes secretas de Deus minha alma agora escala;

Não há dor, nem aflições sombrias, ou morte a minha vista.

 

Nenhum dia ou noite mortal abala a minha serenidade;

Uma Luz acima sustenta minha alma secreta.

Dúvidas angustiantes banidas das minhas profundezas,

Meus olhos de luz percebem minha Meta visada.

 

Mesmo no mundo, estou além das suas aflições;

Navego num oceano de suprema libertação.

Minha mente, um cerne de Pensamentos ilimitados do Uno;

Estrela-vasto, o firmamento abraça a paz do meu Espírito.

 

Meus dias eternos se vêem num tempo que acelera;

É a Sua Flauta de rapsódia que eu toco.

Feitos impossíveis não mais impossíveis parecem;

Nas algemas-nascimento agora reluz Imortalidade.

-Sri Chinmoy, My Flute

 

Às vezes uma única linha de poesia lhe traz imensa alegria, que pode durar horas. A poesia pode ser muito sutil, e ela pode ser muito poderosa…. se tivéssemos de dar um veredito, a poesia é para uma classe mais elevada da humanidade. A prosa é para todos, porque deve ser explicada. A prosa não apraz o coração, ela está na mente e no vital. A poesia possui uma abordagem interior, uma abordagem sutil e interior, à realidade interior.

-Sri Chinmoy, His Miracle-Breath, compiled by Vidagdha Bennett

 

 

Ó venha, venha!

O tempo passa rápido.

A cada crepúsculo seguimos

Em direção ao Incognoscível.

-Sri Chinmoy