As canções de aceitação – Sri Chinmoy

As canções de aceitação

 

Pela aceitação-mundo

Escrevi meus livros

Com as lágrimas dos meus olhos-desejo.

 

Para a aceitação-Deus

Escrevo meus livros

Com as lágrimas do meu coração-aspiração.

 

Para a minha própria aceitação

Escreverei meus livros

Com as lágrimas da minha alma-perfeição.

-Sri Chinmoy

A luz-amor lhe diz: você é tão doce quanto o Coração de Deus. – Sri Chinmoy

Acredite nelas

 

A luz-amor

Lhe diz:

Você é tão doce

Quanto o Coração de Deus.

 

A luz-devoção

Lhe diz:

Você é tão puro

Quanto a Alma de Deus.

 

A luz-entrega

Lhe diz:

Você é tão indispensável

Quanto o próprio Deus.

 

Acredite nelas.

Elas são perfeitas estranhas

À falsidade descarada.

Eu repito.

Acredite nelas.

 

-Sri Chinmoy

Poemas de amor devocional de Jahan Khatun

Jjahan khatun poetisa sufiahan Malek Khatun (1326-1416?) foi uma poetisa persa, dervixe de tradição Sufi, filha do rei de uma das épocas mais turbulentas de Shiraz. Amiga de Hafiz, encarceirada por vinte anos, abdicou de seu status e vida real duas vezes e foi uma das mais prolíficas escritoras persas, cujo Divã é quatro vezes maior que o de Hafiz, contendo 2000 ghazals e centenas de rubai’is e kita’s, e um grandioso tarji-band.

Abaixo alguns poemas traduzidos do livro “Seven Great Female Sufi Poets”, de Paul Smith.

 


 

Ó Senhor, Você perdoa todos os culpados de pecar,

Decora o mundo com o Seu poder, é o que vejo…

Estou aqui, Ó Senhor, e choro diante de Você, Senhor,

Salve-me, salve o mundo da Sua Jahan… e salve a mim mesma!

 

 

A única opinião com a qual concordamos a é Sua opinião;

Não há rosto belo salvo o Seu, dentre eles Você é Aquele.

Não há asilo para mim exceto a Sua casa:

Por toda parte veem-se os Seus escravos… milhões deles!

 

 

Neste mundo, discernir amigo ou inimigo não é fácil:

Nada a se fazer, salvo adaptar-se e encarar levianamente… entende?

Neste mundo de desconfiança de estranhos, vejo que quando

Amigos olhavam para mim… eles não me conheciam!

É Impossível viver sem a Sua face como uma vela…

Como a mariposa indo para uma chama eu queimarei, de amor e deliberadamente!

A cada dia meus olhos choram para que Você venha:

Eles estão cheios de lágrimas: espero o Seu amor, tão pacientemente!

Como um rouxinol, choro diariamente pela Sua face:

É óbvio que Você nunca me dará atenção.

Onde posso encontrá-Lo? Ajude-me a descobrir isso,

Pois o Seu amor, como um fogo, incendeia o coração…. incessantemente!

É minha culpa? O que há de errado com este mundo, Jahan?

Por que, por que fui colocada dessa forma? Conte-me!

 

 

Na minha mente, estou sempre pensando em Você,

Porque não consigo vir vê-Lo, é verdade.

Continuo pensando naqueles olhos que são Seus

Pois esses maravilhosos olhos levam diretamente a Você!

Estou loucamente impaciente por ver o Seu belo rosto:

Como um bebê precisa de leite, eu preciso de você… preciso… preciso!

No jardim há muitos belos ciprestes:

Honestamente, Você é mais belo…. estou sendo honesta com Você.

É verdade que morrer por Você é sempre o meu desejo:

Mas, para Você, não é importante… não é verdade?

Quando vejo Você, acho que estou no paraíso:

Tudo ficará bem para mim quando finalmente estiver com Você.

De manhã cedo, uma brisa do Egito veio até mim:

Ansiosamente eu lhe perguntei se era a hora de um profeta.

Perdi minha juventude e beleza por causa desse amor:

Estou velha por causa deste mundo… e meu coração partido também.

Jahan, no mundo… enquanto continuar a viver,

Que você ainda estará apaixonada por Ele, essa é a verdade!

 

 

Amar a Sua bela face não é algo novo

Para mim:

Como um antigo amigo é estar no Seu amor, ardente,

Por mim.

Faz tanto tempo que estive ardendo no Seu amor, e não é nada de novo Você tanto ter amor

Por mim.

Cores e um rosto belo não é algo novo para as flores:

É um jardim velho quando se olha para o mundo,

Para mim.

Muitos são os problemas que se tem quando se está ficando apaixonado:

Por tanto tempo tentar evitar o amor…

Para mim.

Faz tanto, tanto tempo que tenho amado Você:

Sua bela face amar não é algo novo

Para mim.

Você não pede a Jahan que comece um amor que é novo:

É tempo demais para um coração continuar perdendo…

Para mim.

 

 

Alguém apaixonado por mim pegou minha mão ontem à noite,

Mas eu disse: “Esqueça-me, por favor, afaste-me da sua visão!”

E ele: “O que foi, é porque tomei a sua mão?”

Eu respondi: “Aquele a quem amo não está aqui nesta noite.”

Continuei: “Eu juro… enquanto viver, amarei Ele:

Se Ele destruir minha vida, direi que é um direito Dele!”

Então sussurrei: “Juro que nunca, nunca desistirei…

nunca desistirei… até que Ele seja gracioso comigo numa noite!”

Perguntaram-me: “Você realmente quer ser fiel a Ele?”

Eu disse: “Serei fiel, até que esteja sempre diante Dele!

Venha, cure o anseio do coração doente, pois por amá-Lo,

Se eu tentar fazer qualquer coisa, aquilo será um sofrimento terrível!

Por Você estou pronta a sacrificar a vida se me for pedido…

Você não demonstra bondade… exigindo o direito subitamente!

Certamente, o cipreste é uma árvore forte e uma árvore alta,

Mas não se esqueça das outras árvores mais altas que sua grande altura!

Uma coisa eu sei… estou apaixonada por Você:

Perdi o meu coração, Você o rouba de mim como se fosse Seu direito.

No tabuleiro de xadrez da vida o Seu rei me falhou,

E nunca um peão como eu superaria um cavalo.

Rouxinóis não podem empoleirar-se no Seu belo rosto como nas roseiras…

Mas neste mundo, Jahan, são muitos… os rouxinóis.

 

– Jahan

Poetisa Sufi

 

Poemas devocionais de Kabir

Kabir (ou Kabira) (hindi: कबीर, urdu: کبير‎) (1440—1518) foi um dos grandes poetas místicos ou santos-poetas da Índia medieval, tendo composto poemas que evidenciam a fusão entre o movimento de bhakti hindu e o sufismo muçulmano, movimentos religiosos que exercem profunda influência cultural em todo o mundo até os nossos dias.

Kabir nasceu numa família de brâmanes hindus e foi mais tarde adotado por muçulmanos, no norte da índia, perto de Varanasi. Ainda jovem tornou-se discípulo Ramananda, que no norte da India difundia a doutrina de bhakti como promulgada por Ramanuja no sul do sub-continente, no século XII.

Kabir foi contemporâneo de outros protagonistas famosos do movimento de bhakti da Índia medieval, tais como Mirabai, Caitanya, Tulsidas e Guru Nanak, o principal preceptor dos sikhs.

extraído da wikipedia

 

Kabir – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly

traduzido por Patanga Cordeiro


 

Os botões vocalizam:

“O Jardineiro está vindo!

Hoje ele colhe as flores,

E amanhã, nós!”

 

*

 

Meu interior, ouça-me: o mais grandioso espírito,

O Professor, está próximo.

Desperte, desperte!

Corra a seus pés–

Ele está próximo da sua cabeceira agora mesmo.

Você dormiu por milhões e milhões de anos.

Por que não acordar nesta manhã?

 

*

 

Falo com o meu amante interior e digo: por que tanta pressa?

Achamos que há um tipo de espírito que ama os pássaros e animais e formigas –

Talvez o mesmo que lhe deu brilho enquanto estava no útero da sua mãe.

Seria lógico que hoje você perambulasse completamente órfão hoje?

A verdade é que você mesmo foi embora

E decidiu ir sozinho para o escuro.

Agora você está enroscado nos outros e esqueceu quem você um dia conheceu,

E é por isso que em tudo o que você faz há alguma falha estranha.

 

*

 

Ó amigo, eu o amo – pense bem!

Se você ama, então por que dorme?

Se você o encontrou,

Dê-se a ele, tome-o.

Por que você perde o rastro dele repetidas vezes?

Se você logo cairá num sono profundo de qualquer jeito,

Porque perder tempo arrumando a cama

E organizando os travesseiros?

Kabir lhe dirá a verdade: o amor é assim:

Digamos que tivesse de cortar a sua própria cabeça

E dá-la a outra pessoa,

Que diferença faria?