Poemas sobre a busca interior – Emily Dickinson

 

Uma estradinha não feita de homens,

Visível aos olhos,

Acessível ao zunido da abelha,

Ou nuvem de borboletas.

 

Se há nela uma cidade, além de si,

Não sei dizer;

Apenas suspiro – veículo algum

Leva-me por esse caminho.

 

 

Despertar

 

Não sabendo quando o despertar chegará

Abro todas as portas;

Terá plumagem como um pássaro,

Ou tremulará como o oceano?

 

*

 

Como poderosas fogueiras incendiavam

O vermelho à base das árvores,

O teatro longínquo do dia

Exibia-se a elas.

 

Foi o universo que aplaudiu

Enquanto, o principal,

Ativo por seu vestido real,

Eu mesma percebia Deus.

 

 

O Canal

 

Meu rio corre a ti:

Mar azul, tu me receberás?

 

Meu rio espera resposta.

Oh mar, olhe com bondade!

 

Trarei a ti riachos

De recantos sarapintados

 

Diga, mar,

Leve-me!

 

 

 

Imortalidade

 

É um pensamento honroso

E tirar o chapéu faria

Como quando encontramos gente boa

Nas ruas do nosso dia,

 

Que temos um lugar imortal,

Mesmo que as pirâmides gastem,

E os reinos, como folhas nos pomares,

Vermelhos embora esvoacem.

 

  • Emily Dickinson

Mais sobre a busca interior

Cecília Meireles – poemas selecionados

cecilia-meireles-poemasCecília Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964), foi uma jornalista, pintora, escritora e professora brasileira.

Durante uma entrevista, Cecília disse que “em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar e nem me espantei por perder”. A infância solitária rendeu à futura escritora dois pontos que, para ela, foram positivos: “a solidão e o silêncio”.

Poemas de Cecília Meireles neste site


 

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Som

 

Alma divina,
Por onde me andas?
Noite sozinha,
lágrimas, tantas!

Que sopro imenso,
Alma divina,
Em esquecimento
Desmancha a vida!

Deixa-me ainda
Pensar que voltas,
Alma divina,
Coisa remota!

Tudo era tudo
Quando eras minhas
e eu era tua,
alma divina!

 

Encomenda

Desejo uma fotografia
como esta — o senhor vê? — como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria….
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia…
Não… Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

 

 

 

 

Monólogo

 

 

Para onde vão minhas palavras,
se já não me escutas?
Para onde iriam, quando me escutavas?
E quando me escutastes? – Nunca.

Perdido, perdido. Ai, tudo foi perdido!
Eu e tu perdemos tudo.
Suplicávamos o infinito.
Só nos deram o mundo.

De um lado das águas, de um lado da morte,
tua sede brilhou nas águas escuras.
E hoje, que barca te socorre?
Que deus te abraça? Com que deus lutas?

Eu, nas sombras. Eu, pelas sombras,
com minhas perguntas.
Para quê? Para quê? Rodas tontas,
em campos de areias longas
e de nuvens muitas.

 

 

Despedida

 

Por mim, e por vós e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens
E como o conheces? _ me perguntarão.
_ Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? _Tudo. Que desejas? _Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação.
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra…)

– Cecília Meireles

O drama-vida

 

O drama-vida acaba

Em pouco tempo.

A esperança do coração humano

E o sonho da mente humana

E tudo o que se reúne

Na vida humana –

Orgulho e auto-doação,

Orgulho e auto-estima –

Terminarão numa fumaça infrutífera.

Ainda assim o homem eternamente valorizará

A corrente sem fim da vida-esperança.

 

-Sri Chinmoy

Do livro: A Sempre-Nova Visão e a Sempre-Ancestral Realidade

 

A Revelação

“Não mais meu coração irá chorar ou entristecer.
Meus dias e noites se dissolveram na própria Luz de Deus.
Acima da labuta da vida, minha alma
É uma Pássaro de Fogo voando no Infinito.

Ao fim da sua jornada, ele canta:

Conheci o Uno e Seu Jogo secreto.
E fui além do mar do Sonho – Ignorância.
Em ressonância com Ele, eu brinco e canto;
Possuo o Olho dourado do Supremo.

Ele agora se tornou sua própria Meta. Auto-amoroso, ele canta:

Profundamente embriagado com a Imortalidade,
Sou a raiz e os ramos uma vastidão imensa.
Minha forma eu conheci e realizei;
O Supremo e eu somos um – a tudo sobrevivemos.”

– Sri Chinmoy “Reveletion“, My Flute, New York, 1972