As canções de aceitação – Sri Chinmoy

As canções de aceitação

 

Pela aceitação-mundo

Escrevi meus livros

Com as lágrimas dos meus olhos-desejo.

 

Para a aceitação-Deus

Escrevo meus livros

Com as lágrimas do meu coração-aspiração.

 

Para a minha própria aceitação

Escreverei meus livros

Com as lágrimas da minha alma-perfeição.

-Sri Chinmoy

A virilidade é tudo – Swami Vivekananda

Quanto mais velho fico, mais me parece que a virilidade é tudo. Esse é o meu novo evangelho.

– Swami Vivekananda

 

Meu Senhor Supremo, quanto mais velho fico, mais forte Você torna a minha fé na minha entrega incondicional à Sua Suprema Vontade. Essa é a minha nova descoberta.

– Sri Chinmoy

Poemas devocionais de Mirabai

Porque Mirabai não pode voltar para sua antiga casa

As cores do Escuro penetraram o corpo de Mira;

todas as outras cores desapareceram.

Amando o Escuro e pouco comendo,

isso são minhas pérolas e turmalinas.

Rosário de meditação e a marca na testa,

tais são os meus adereços e anéís.

Isso é beleza feminina suficiente para mim;

aprendi isso com meu professor.

Aprovada ou reprovada, eu louvo a Energia da Montanha

dia e noite.

Tomo o caminho que os seres humanos extasiados

tomaram por séculos.

Não roubo dinheiro e não agrido ninguém;

do que me acusarão?

Senti o balanço dos ombros do elefante;

e agora você quer que me sente num asno?

tente agir com seriedade.

Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

 

O colar

Ó amiga, sento-me só enquanto o mundo dorme.

No palácio que abrigou o prazer do amor dorme a abandonada.

Ela que uma vez juntou um colar de pérolas hoje tece lágrimas.

Ele me deixou. A noite passa enquanto eu conto estrelas.

Quando chegará a Hora?

Essa tristeza precisa acabar. Mira diz:

“Sustentador de Montanhas, volte.”

– Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

 

A flecha

Meu professor atirou uma flecha

Que me trespassou.

Agora a sua ausência fere o meu coração

E meu corpo inquieto.

Minha mente não vaga mais – o amor a mantém coesa.

Agora estou acorrentada.

Quem conhece a minha dor, senão ele?

Um choro indefeso, interminável.

Amigas, digam-me – o que mais posso fazer?

Mira diz ao seu Senhor: conceda-me a sua presença ou a morte.

– Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

 

Não me proíba, mãe

Não me proíba, mãe; estou indo visitar homens santos.

Conheço um com o rosto negro; eu sou dele, o resto é nada.

Onde eu vivo, todos dormem; meus olhos abertos noite adentro.

Se o mundo não admira o Senhor, ele é louco; que sabedoria possui o mundo?

O que estou dizendo? O Senhor está dentro de mim; ao invés do sono.

Algumas lagoas têm água durante quatro meses do ano; mas eu fico longe delas.

A água de Hari verte; isso é o que basta para a minha sede.

Você diz que ele é negro; eu digo belo. Estou indo ver o seu rosto.

A dor de Mira vem da separação; o que ela quiser fazer, ela fará.

– Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

 

Mira só quer se unir aos elefantes e papagaios

Ó Amado, foi prometido que todos que disserem o Nome serão salvos.

Pelo seu poder, as rochas perdem a dureza,

Derretendo como gelo virando água; a terra fica macia, cedendo.

Eu também sinto essa atração.

Não guardei mérito, sei bem o peso dos meus pecados.

Uma cortesã ensinou o papagaio a repetir o Seu nome

E foi levada ao céu de Vishnu.

Um elefante que se banhava balbuciou o Seu nome e você voou para a terra

Das costas de Garuda, correndo para ajudá-lo –

Abriram-se as mandíbulas do crocodilo.

Libertou-se também aquele elefante do renascimento; chega de úteros animais para ele.

Ajamil deu ao seu filho o Seu nome, chamando-o no leito de morte.

Você respondeu. O medo da morte desapareceu.

Todos conhecem essas histórias,

E você sabe quais seres lhe deram seus corações por completo.

Sua serva Mira faz uma pergunta:

Por que você não me salva?

– Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

 

É tudo mentira minha

Em todas as minhas vidas você esteve comigo; lembro disso durante o dia e durante a noite.

Quando você some da minha vista, fico inquieta durante o dia e durante a noite, ardendo.

Subo as colinas; busco sinais do seu retorno; meus olhos inchados de lágrimas.

O oceano da vida – isso não é real; laços de família, obrigações mundadas – isso não é real.

É a sua beleza o que me deixa embriagada.

O Senhor da Mira é a Grande Serpente Negra. Esse amor brota do solo do coração.

– Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

 

Mira, a abelha

Ó minhas amigas,

O que poderiam me ensiar sobre o Amor,

Cujos caminhos são repletos de estranheza?

Quando oferece ao Grandioso o seu amor,

Ao primeiro passo seu corpo é esmagado.

Esteja pronta para oferecer sua cabeça como assento.

Esteja pronta para orbitar sua lamparina como uma mariposa cedendo à luz,

Viver como o cervo correndo em direção ao caçador,

Como o perdiz que engole brasas por amor à lua,

Como o peixe que afastado do mar morre feliz.

Tal como a abelha presa para sempre no fechar da doce flor,

Mira ofereceu-se ao seu Senhor.

Ela diz: o Lótus solitário a engolirá viva.

– Mirabai*

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)