Poemas de amor devocional de Jahan Khatun

Jjahan khatun poetisa sufiahan Malek Khatun (1326-1416?) foi uma poetisa persa, dervixe de tradição Sufi, filha do rei de uma das épocas mais turbulentas de Shiraz. Amiga de Hafiz, encarceirada por vinte anos, abdicou de seu status e vida real duas vezes e foi uma das mais prolíficas escritoras persas, cujo Divã é quatro vezes maior que o de Hafiz, contendo 2000 ghazals e centenas de rubai’is e kita’s, e um grandioso tarji-band.

Abaixo alguns poemas traduzidos do livro “Seven Great Female Sufi Poets”, de Paul Smith.

 


 

Ó Senhor, Você perdoa todos os culpados de pecar,

Decora o mundo com o Seu poder, é o que vejo…

Estou aqui, Ó Senhor, e choro diante de Você, Senhor,

Salve-me, salve o mundo da Sua Jahan… e salve a mim mesma!

 

 

A única opinião com a qual concordamos a é Sua opinião;

Não há rosto belo salvo o Seu, dentre eles Você é Aquele.

Não há asilo para mim exceto a Sua casa:

Por toda parte veem-se os Seus escravos… milhões deles!

 

 

Neste mundo, discernir amigo ou inimigo não é fácil:

Nada a se fazer, salvo adaptar-se e encarar levianamente… entende?

Neste mundo de desconfiança de estranhos, vejo que quando

Amigos olhavam para mim… eles não me conheciam!

É Impossível viver sem a Sua face como uma vela…

Como a mariposa indo para uma chama eu queimarei, de amor e deliberadamente!

A cada dia meus olhos choram para que Você venha:

Eles estão cheios de lágrimas: espero o Seu amor, tão pacientemente!

Como um rouxinol, choro diariamente pela Sua face:

É óbvio que Você nunca me dará atenção.

Onde posso encontrá-Lo? Ajude-me a descobrir isso,

Pois o Seu amor, como um fogo, incendeia o coração…. incessantemente!

É minha culpa? O que há de errado com este mundo, Jahan?

Por que, por que fui colocada dessa forma? Conte-me!

 

 

Na minha mente, estou sempre pensando em Você,

Porque não consigo vir vê-Lo, é verdade.

Continuo pensando naqueles olhos que são Seus

Pois esses maravilhosos olhos levam diretamente a Você!

Estou loucamente impaciente por ver o Seu belo rosto:

Como um bebê precisa de leite, eu preciso de você… preciso… preciso!

No jardim há muitos belos ciprestes:

Honestamente, Você é mais belo…. estou sendo honesta com Você.

É verdade que morrer por Você é sempre o meu desejo:

Mas, para Você, não é importante… não é verdade?

Quando vejo Você, acho que estou no paraíso:

Tudo ficará bem para mim quando finalmente estiver com Você.

De manhã cedo, uma brisa do Egito veio até mim:

Ansiosamente eu lhe perguntei se era a hora de um profeta.

Perdi minha juventude e beleza por causa desse amor:

Estou velha por causa deste mundo… e meu coração partido também.

Jahan, no mundo… enquanto continuar a viver,

Que você ainda estará apaixonada por Ele, essa é a verdade!

 

 

Amar a Sua bela face não é algo novo

Para mim:

Como um antigo amigo é estar no Seu amor, ardente,

Por mim.

Faz tanto tempo que estive ardendo no Seu amor, e não é nada de novo Você tanto ter amor

Por mim.

Cores e um rosto belo não é algo novo para as flores:

É um jardim velho quando se olha para o mundo,

Para mim.

Muitos são os problemas que se tem quando se está ficando apaixonado:

Por tanto tempo tentar evitar o amor…

Para mim.

Faz tanto, tanto tempo que tenho amado Você:

Sua bela face amar não é algo novo

Para mim.

Você não pede a Jahan que comece um amor que é novo:

É tempo demais para um coração continuar perdendo…

Para mim.

 

 

Alguém apaixonado por mim pegou minha mão ontem à noite,

Mas eu disse: “Esqueça-me, por favor, afaste-me da sua visão!”

E ele: “O que foi, é porque tomei a sua mão?”

Eu respondi: “Aquele a quem amo não está aqui nesta noite.”

Continuei: “Eu juro… enquanto viver, amarei Ele:

Se Ele destruir minha vida, direi que é um direito Dele!”

Então sussurrei: “Juro que nunca, nunca desistirei…

nunca desistirei… até que Ele seja gracioso comigo numa noite!”

Perguntaram-me: “Você realmente quer ser fiel a Ele?”

Eu disse: “Serei fiel, até que esteja sempre diante Dele!

Venha, cure o anseio do coração doente, pois por amá-Lo,

Se eu tentar fazer qualquer coisa, aquilo será um sofrimento terrível!

Por Você estou pronta a sacrificar a vida se me for pedido…

Você não demonstra bondade… exigindo o direito subitamente!

Certamente, o cipreste é uma árvore forte e uma árvore alta,

Mas não se esqueça das outras árvores mais altas que sua grande altura!

Uma coisa eu sei… estou apaixonada por Você:

Perdi o meu coração, Você o rouba de mim como se fosse Seu direito.

No tabuleiro de xadrez da vida o Seu rei me falhou,

E nunca um peão como eu superaria um cavalo.

Rouxinóis não podem empoleirar-se no Seu belo rosto como nas roseiras…

Mas neste mundo, Jahan, são muitos… os rouxinóis.

 

– Jahan

Poetisa Sufi

 

Poemas de amor divino – sufismo de Mahsati

Mahsati Ganjavi (1098-1185) foi uma poetisa persa. O nome Mahsati é composto pelas palavras persas: Maah (lua) e Sati (Dama/Senhora). Nascida em Ganja, Mahsati ficou conhecida por um estilo de vida livre e inconvencional e foi perseguida por escrever contra o fundamentalismo, fanatismo e dogma religioso. Até aos nossos dias chegaram os seus escritos filosóficos e poemas. Aqui ficam poemas de Mahsati Ganjavi.

traduzidos de Seven Great Female Sufi Poets, translation and introduction by Paul Smith

 

Tua face invejada pela rosa e jasmim,

Amado,

teu olhar interessado atiça homens e mulheres,

Amado.

Pelo caminho descobri que, como um córrego graciosamente fluindo,

água corre dos meus olhos de novo, e de novo,

Amado.

 

Este meu corpo tem um coração repleto de êxtase

no interior…

ele tem também uma alma com mil chamas para se ver

no interior.

E quando dia e noite anseio pelo Seu rosto,

tenho dois olhos cheios de água livre corrente…

no interior!

 

Esse meu relacionamento, além de lábios secos e olhos úmidos

passou;

Sua flecha cruel que voa através do meu coração e alma,

passou.

Para mim, a chama do Seu amor foi como a água no raso que,

no entanto, quando nela pisei, para os meus olhos

passou.

 

Seu cabelo está em tal harmonia com a Sua face

que temo começar a blasfemar de inveja:

Ó Gracioso, curvar-me-ei à brisa que

do Seu rosto remover o Seu cabelo, completamente!

 

Quando lágrimas rubi-coloridas dos meus

olhos pingam,

água do coração da pedra e dos olhos dos

céus pingam.

Quando eles são removidos de Você, meus

olhos pingam:

do corte, sangue… claramente, meus

olhos pingam.

 

Desde que no mundo do amor o meu coração se tornou um rei

ele foi liberto de não acreditar, e de acreditar também.

Vi o meu eu inferior como um obstáculo no meu caminho…

quando deixei-o, meu caminho se abria para mim.

 

Ela que foi enfeitiçada pela Sua beleza

voltou:

aquela que, pela União com Você, sedenta…

voltou.

Limpe a gaiola, lance umas sementes de bondade:

este pássaro de asa quebrada que Você agora vê…

voltou.

 

A não ser que o Seu jacinto, âmbar gris rapidamente espalhe

brisa matutina do recipiente… o almíscar não se espalhará.

Se um asceta de cem anos de idade visse a Sua mão…

não me culpe se não for mais austeridade o que ele praticar.

 

Uma vez que estes olhos meus viram os

Seus olhos;

o sono abandonou meus olhos, longe de infelizmente,

Seus olhos.

Ó Você, cujos olhos tornam a visão de todos os outros olhos clara,

nunca meus olhos viram outros como a sua majestade,

Seus olhos.

“Amor: uma doença mental.” – Platão

 

“Amor: uma doença mental.”

– Platão

 

Quando a nossa consciência física vive na mente não aspirante e repleta de dúvidas, esse poderoso aforismo de Platão é, até certo ponto, inegável. Mas se a nossa consciência desperta reside na alma iluminadora, o amor é néctar, o próprio alento da Imortalidade.

 

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook