Poema de 04 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

04 de Julho

O seu coração deve tornar-se um mar de amor. A sua mente deve tornar-se um rio de desapego.

O desapego, geralmente, é mal compreendido. Sentimos que se alguém é desapegado, é indiferente. Pensamos que quando queremos ser desapegados de algo, devemos mostrarlhe indiferença absoluta, a ponto de total negligência. Mas, isso não é verdade. Quando somos indiferentes a alguém, não fazemos nada por aquela pessoa. Não temos nada a ver com a sua alegria ou tristeza, a sua realização ou o seu fracasso. Mas, quando somos verdadeiramente desapegados, trabalhamos por ela devotada e altruisticamente e oferecemos os resultados das nossas ações aos Pés do Senhor Supremo, nosso Piloto Interior.

Com o meu apego
Aprendo com os homens
E a sua noite-ignorância.
Com o meu desapego
Aprendo com Deus
E o Seu Sol-Compaixão.


Reflexão, poema de “04 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 03 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

03 de Julho

Possa o alento da espiritualidade tornar-se a única força na minha vida.

Quando o ego opera, sentimos que somos indispensáveis. Sentimos que sabemos mais do que todos os outros e que somos responsáveis por tudo. Sentimos que todos precisam de nós. O Eu transcendental abriga o cosmos inteiro e oferece liberação ou liberdade a cada alma individual. O grande “Eu” está expandindo-se sempre, a si mesmo. Quando expandimos, conscientemente, nós sorvemos êxtase. Estendemo-nos como um pássaro abrindo as suas asas. No entanto, quando procuramos possuir algo, tentamos fazê-lo a ferro e fogo. Já a expansão espontânea da nossa consciência é como uma mãe estendendo os seus braços à volta dos seus filhos. Não há sentimentos possessivos. Apenas, sentimos que pela força da nossa aspiração que expandimos a nossa própria realidade interior.

Veja, veja!
O Choro Dele está em si.
O Sorriso Dele é para si.


Reflexão, poema de “03 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 02 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

02 de Julho

A cada aniversário que chega, a fatal morte bate à porta do nosso corpo. Mas, a alma imortal dentro do aposento-corpo diz: “Está a bater na porta errada. Vá-se embora, vá-se embora!”

Serei um tolo se, conscientemente, viver no físico. Serei um tolo ainda maior se, constantemente, admirar e adorar o meu corpo físico. Serei o maior dos tolos se viver apenas para satisfazer as necessidades da minha existência física. Sou uma pessoa sábia se sei que há algo chamado alma. Sou uma pessoa mais sábia se tenho o cuidado de ver e de sentir a minha alma. Sou a pessoa mais sábia se vivo na minha alma e para a minha alma, constante e devotadamente, sem reservas e incondicionalmente.

Ó corpo, meu corpo,
Pense na alma.
Pois, com a ajuda dela
Tornar-se-á
A serenidade, paz, luz e felicidade da Eternidade.


Reflexão, poema de “02 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 01 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

01 de Julho

O seu coração amoroso é a inesgotável riqueza do seu mundo interior.

Um buscador espiritual usa o seu coração e alma para ver o mundo interior e o mundo exterior. Ele não usa os seus olhos físicos. Às vezes percebe que a visão de seus olhos físicos é limitada, pois a sua visão é guiada pela subtil ou inconsciente operação da mente obscura, não-iluminada. É, simplesmente, impossível para os olhos físicos identificar-se com a quinta-essência da beleza. Porém, usando o coração, imediatamente, tornamo-nos parte integrante da substância e essência daquilo que estamos a ver.

A mente não-aspirante pensa
Que a meditação é perda de tempo.
O coração aspirante sabe e sente
Que a meditação é
O sagrado e secreto florescer
De uma vida Céu-ascendente.


Reflexão, poema de “01 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 25 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

25 de Junho

O aborrecimento e a tristeza são os piores inimigos, destruindo a vida em toda a sua inspiração divina. Findo o aborrecimento, não mais há tristeza; a sua vida tornar-se-á a beleza de uma rosa, o canto da aurora, a dança do crepúsculo.

Não deveríamos preocupar-nos. Deveríamos ter fé implícita em Deus, nosso Piloto Interior. Sintamos que Deus não apenas sabe o que é melhor para nós mas, também, fará o que é melhor para nós. As preocupações existem porque não sabemos o que nos acontecerá amanhã ou mesmo no próximo minuto. Contudo, se pudermos sentir que há alguém que pensa em nós, infinitamente, mais do que nós mesmos e se pudermos, conscientemente, oferecer-Lhe a nossa responsabilidade, dizendo: “Seja o responsável – Eterno Pai, Eterna Mãe, seja responsável pelo que eu faço, digo e me torno”, então, o nosso passado, presente e futuro passam a ser problema Dele. Enquanto tentarmos ser responsáveis pela a nossa própria vida, sentir-nos-emos miseráveis. Não seremos capazes de utilizar propriamente, sequer, dois minutos das vinte e quatro horas que temos.

É bom saber que Deus me ama.
É melhor saber que Deus precisa de mim.
O melhor de tudo é saber
Que Deus faz qualquer coisa,,
Incondicionalmente, por mim.


Reflexão, poema de “25 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 24 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

24 de Junho

Se sente que não é suficiente, apenas, manter a sua existência na Terra, que a sua existência deve ter algum significado, algum propósito, alguma realização, então, deve voltar-se para a vida interior, a vida espiritual.

Aqueles que aspiram irão além das circunstâncias e eventos mundanos e tentarão entregar-se à sua divindade interior. Essa não é a submissão de um escravo ao seu senhor, uma entrega desamparada. É a entrega das imperfeições, limitações, apego e ignorância ao próprio Eu mais elevado, o qual é inundado de paz, luz e felicidade. Nela não se perde a individualidade ou personalidade. Em vez disso, a individualidade e personalidade são ampliadas; expandem-se em Infinidade.

Ele provou a beleza
Da sua vida interior;
Portanto, está feliz.
Agora ele deve entregar
A fealdade da sua vida exterior
Ao seu Amado Supremo
Para que ambos, ele e o seu Senhor,
Possam ser felizes.


Reflexão, poema de “24 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 23 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

23 de Junho

Ama a sua vida interior. Isso significa que Deus tem um cuidado muito especial por si.

Constantemente, submete a sua vontade a coisas terrenas – ao barulho, aos sinais de trânsito, ao governo. Sente que, não se entregando a essas coisas, estará completamente perdido, ao passo que, ao render-se-lhes, ao menos, poderá continuar na Terra. Se deseja uma vida de aspiração, precisa de ter essa mesma espécie de sentimento em relação às coisas espirituais. Precisa sentir que se não orar, se não meditar, estará totalmente perdido; se não chorar, se não se entregar à mais elevada divindade, então, a sua existência será vazia e nem precisará de continuar na Terra. Sinta que sem orientação
interior estará, completamente, perdido e desamparado. Essa orientação interior vem, apenas, quando realmente deseja entregar a sua ignorância à luz que há no seu interior.

O meu caminho não é
Seguir o mundo.
O meu caminho não é
Liderar o mundo.
O meu caminho é
Andar junto de Deus.


Reflexão, poema de “23 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 22 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

22 de Junho

Meu Senhor, lembre-me de tempos em tempos que Me ensinou como amar o mundo incondicionalmente.

A cada momento nos é concedida ampla oportunidade de amar a humanidade. Se, realmente, amamos a humanidade, então, desejamos oferecer-lhe serviço dedicado. Quando, realmente, desejamos ampliar a nossa existência, expandir a nossa consciência e ser um, inseparavelmente, com a Vastidão, a única resposta é a entrega. A cada momento vemos bem à nossa frente uma barreira entre um ser humano e o outro – uma parede adamantina entre duas pessoas. Não conseguimos comunicar-nos, satisfatoriamente, de todo coração e alma. Por quê? Porque nos falta amor. O amor é a nossa unicidade inseparável com o resto do mundo, com toda a criação de Deus. Podemos trazer para baixo essa parede adamantina com a força do nosso amor devotado.

Cultive lágrimas, devotadamente, puras
De amor-unicidade.
A vida universal de beleza
Será toda sua.


Reflexão, poema de “22 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 21 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

21 de Junho

A sua mente pensa que nada é digno de crença. O seu coração sente que ninguém é merecedor de amor. Não é de estranhar que a sua vida esteja, constantemente, implorando felicidade em todo lugar.

É difícil amar a humanidade. É difícil devotarmo-nos à humanidade. É difícil entregarmo-nos à humanidade. Isso é verdade. Da mesma forma, é difícil amar a Deus, servi-Lo, devotarmo-nos a Ele e entregar-Lhe o nosso alento vivente. Por quê? O simples motivo é que desejamos possuir e sermos possuídos. Estamos, constantemente, a fazer-nos de vítimas da ignorância. Ou seja: os nossos desejos nunca serão satisfeitos. Nós temos inúmeros desejos mas, Deus satisfará apenas aqueles desejos que serão de alguma utilidade, dos quais obteremos algum benefício. Se Ele satisfizesse todos os nossos incontáveis desejos, estaria cometendo uma injustiça contra as nossas almas aspirantes. E isso, Ele nunca fará. Ele sabe o que é melhor para nós e tem-nos provido além das nossas capacidades, apesar de, infelizmente, não estarmos conscientes disso.

Deus não tem de nos punir,
Abençoando
Os nossos inúmeros desejos.


Reflexão, poema de “21 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 20 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

20 de Junho

O único modo efetivo de se amar a humanidade é primeiro amar a Deus incansavelmente.

O final de todo o ensinamento interior é o amor; amor divino, não amor humano. O amor humano prende; o resultado é frustração. E, no final da frustração, surge a destruição. Mas, o amor divino é expansão, crescimento, o sentimento de verdadeira unicidade. Assim, se amamos alguém, devemos saber que o amamos, precisamente, porque no seu interior está Deus. Não é por alguém ser meu pai, minha mãe, irmão ou irmã que eu o amo. Não. Eu amo-o, apenas, porque dentro dele sinto e vejo a presença viva de meu querido Bem-Amado.

Porque temo a Deus,
Não devo temer nenhum homem.
Porque amo a Deus,
Devo amar todos os seres humanos.


Reflexão, poema de “20 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 19 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

19 de Junho

Quando reparar que os defeitos e as más qualidades de alguém são óbvios, tente, imediatamente, sentir que os seus defeitos e más qualidades não o representam totalmente. A sua verdadeira existência é, infinitamente, melhor do que aquilo que vê agora.

Se a humanidade tivesse de se tornar perfeita antes que pudesse ser aceite por si, não mais necessitaria do seu amor, afeição e cuidado. Mas, neste exato momento, no seu estado imperfeito de consciência, a humanidade precisa da sua ajuda. Dê à humanidade, sem reservas, a mais insignificante e limitada ajuda que tem à disposição. Esta é a oportunidade dourada. Se perder esta oportunidade, o seu sofrimento futuro será além da sua capacidade de suportar, pois virá um dia em que perceberá que a imperfeição humana é a sua própria imperfeição. Você é criação de Deus e a humanidade também o é. A humanidade é, somente, uma expressão do seu próprio coração universal. Poderá e deverá amar a humanidade, não apenas como um todo mas, também individualmente, se compreender o facto de que, a não ser que a humanidade atinja a Meta suprema, a sua própria perfeição divina não será completa.

O seu dia-a-dia é povoado de buscadores e não buscadores,
Deus-adeptos e Deus-incrédulos.
O seu olho de cuidado abriga-os e o seu coração de amor
Ensina-os.


Reflexão, poema de “19 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 18 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

18 de Junho

Cultive pureza no seu coração. Logo será capaz de redescobrir o Reino dos Céus.

A luz interior é pureza. A vida exterior é ignorância. A luz interior deseja conquistar a ignorância exterior. Da mesma forma, a ignorância exterior deseja conquistar e devorar a luz interior. A luz interior quer conquistar a ignorância exterior com a intenção de transformá-la. Quando a ignorância exterior é transformada, torna-se um guerreiro divino, lutando para estabelecer o Reino dos Céus aqui na Terra.

Se é um verdadeiro Deus-amante,
Então, logo verá
Que Deus criou tudo
Para o seu coração puro
E não para os seus olhos críticos.


Reflexão, poema de “18 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 17 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

17 de Junho

Um coração devotado descobriu uma verdade suprema: meditar em Deus é um privilégio e não uma obrigação.

Quando meditamos no coração, descobrimos que Deus é infinito e que Deus é onipotente. Se Ele é infinito, na força da Sua onipotência Ele pode também ser finito. Ele existe nas nossas várias atividades, está em todo lugar. Ele abrange tudo, não exclui nada. Isso é o que a nossa meditação interior pode dizer-nos. A meditação do nosso coração, também, nos diz que Deus é mais amado do que o mais querido e que Ele é o nosso único Bem-Amado.

Por que o coração deseja meditar?
O coração deseja meditar
Porque quer amar mais
O Supremo.
E sabe que a meditação
É a resposta.


Reflexão, poema de “17 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 16 de Junho – Sri Chinmoy, Reflexões

16 de Junho

Se segue o seu caminho de altruísmo, lenta e constantemente, logo Deus o guiará silenciosamente.

Deus é o meu superior, o meu único superior. Eu sou humilde com Ele. Esse é o meu dever supremo. Os filhos de Deus são meus iguais. Eu sou humilde com eles. Essa é minha maior necessidade. O orgulho é meu inferior. Eu sou
humildade para ele. Essa é a minha mais certa segurança. A minha humildade não é a abstinência de amor-próprio. Eu amo-me. Realmente amo-me. Eu amo-me porque em mim habita, orgulhosamente, a mais elevada divindade.

É um privilégio excepcional
Ter a beleza de uma mente serena,
A pureza de um coração amoroso
E
A divindade de uma vida humilde.


Reflexão, poema de “16 de Junho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 30 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

30 de Maio

Uma vida de pureza é uma vida de auto-suficiência, pois está firmemente enraizada no amor divino.

O amor é a fonte da humanidade, o amor é a fonte da divindade. Amor humano por fim acaba em frustração. Por quê? Porque o amor humano segue da nossa limitada consciência-corpo para uma outra limitada consciência-corpo. Amor divino é todo iluminação. No início da jornada, no meio e ao final da jornada ele é todo iluminação. O amor divino desce da alma-liberdade para a consciência-corpo. O amor divino é o sol da liberdade tanto no Céu quanto na Terra.

A fragrância de um coração puro
Intensifica, sempre,
O deleite-satisfação da sua vida.


Reflexão, poema de “30 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 29 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

29 de Maio

Ame a humanidade aqui, devotada e incansavelmente. A recompensa obte-la-á noutro lugar, indubitável e também infinitamente.

Pode oferecer, conscientemente, amor puro aos outros se sentir que lhes está dando uma porção do seu alento-vida, quando lhes fala ou pensa neles. E esse alento-vida oferece-o, apenas, porque sente que, você e o resto do mundo, são inseparavelmente um. Onde há unicidade, tudo é puro amor.

Cada vez que eu amo à humanidade
Sem reservas,
Cada vez que eu amo a Deus
Incondicionalmente,
Eu recupero uma parte
Da minha própria vida real.


Reflexão, poema de “29 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 25 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

25 de Maio

Espere pelo amanhã para pensar nos pensamentos de amanhã.

Do ponto de vista espiritual, cada pensamento possui um valor especial na sua mente. Cada pensamento tem um significado especial. Na nossa vida comum, nós todos sabemos o que o pensamento é. Nós criamos o pensamento, acalentamos o pensamento. Não há ninguém que não saiba como pensar – isto é, o pensar comum, por assim dizer. Mas, se alguém, que
tem uma mente desenvolvida pára de pensar, se aprende a arte de parar a mente, essa pessoa faz um tremendo progresso na vida espiritual. Quando um pensamento entra na mente aspirante, é como encontrar um inimigo no campo de batalha. Quanto mais se consegue silenciar a mente, mais rapidamente a Meta é realizada.

Deus ama-o
Quando vê o seu coração
Inundado de silêncio.
Deus ama-o
Quando vê a sua mente
Vazia do seu conteúdo usual:
A floresta-confusão.


Reflexão, poema de “25 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 24 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

24 de Maio

Existe uma derrota que nos traz maior triunfo do que a vitória. E qual é essa derrota? É a derrota do ego pela a nossa alma.

Enfraquece-mos o ego e, finalmente, o sub-julgamos pensando na Consciência tudo-permeante de Deus. Essa consciência não é algo que temos de conquistar. Essa consciência já está dentro de nós; apenas, temos de estar conscientes dela. Além disso, enquanto estamos em meditação, temos de desenvolvê-la e iluminá-la em medida infinita. E para nossa completa surpresa, o ego será enterrado no seio da morte.

Ó Senhor,
Dê-me a capacidade
Para amar o Seu Som-Silêncio,
Infinitamente, mais do que eu amo
Qualquer outra coisa.


Reflexão, poema de “24 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 17 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

17 de Maio

Sem dúvida, o homem é, infinitamente, superior a um animal selvagem. Mas, ele bebe sempre de duas garrafas de veneno: uma garrafa é o ego e a outra é a dúvida. Até que se livre dessas duas garrafas, o homem não é senão um animal superior.

A dúvida é uma força não-divina. Eu chamo-lhe veneno lento. Ela é o nosso pior inimigo na vida espiritual. Hoje eu duvido de mim mesmo, amanhã duvido de Deus, depois de amanhã duvido do mundo inteiro. Se eu duvido de Deus, nada acontece; Deus continua tão perfeito quanto sempre foi. Se eu duvido de alguma pessoa, ela permanece a mesma. Mas, quando eu duvido de mim mesmo, estou arruinado. Não consigo avançar sequer um centímetro. Assim, o melhor é não duvidar de si mesmo, não duvidar dos outros e nem duvidar de Deus.

Por que permite à dúvida
Deteriorar a perfeição
Da sua mente?
Por que permite ao medo
Arruinar a perfeição
Do seu coração?
Por que permite à ansiedade
Estragar a perfeição
Da sua vida?


Reflexão, poema de “17 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Poema de 16 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

16 de Maio

Nunca ouviremos a canção da voz interior se, consciente ou inconscientemente, fizermos amizade com a ansiedade.

Quando somos atormentados por preocupações e ansiedades, temos de sentir que há um antídoto. O antídoto é sentir interiormente o Amor de Deus por nós. Preocupações e ansiedades ir-se-ão embora, apenas, quando nos identificarmos com algo que tenha paz, serenidade, divindade e o sentimento de unicidade absoluta. Se nos identificarmos com o Piloto Interior, obteremos a força de Sua Luz iluminadora. As preocupações surgem porque nos identificamos com o medo. Preocupando-nos todo o tempo ou tendo pensamentos não-divinos, não seguiremos em direção à nossa meta. Entraremos na divindade, somente, quando tivermos pensamentos positivos: “Eu sou de Deus. Eu sou para Deus.” Pensando dessa forma, não poderá haver nenhuma preocupação ou ansiedade.

Devore as suas ansiedades!
A Felicidade de Deus e a sua felicidade
Voarão juntas num céu-unicidade.


Reflexão, poema de “16 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

13 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

13 de Maio

O nosso vital ama ser amado. O nosso coração ama de modo que, também, possa ser amado. A nossa alma, apenas, ama devotada e eternamente.

Pode ser mais recetivo ao amor divino se puder sentir todos os dias, que a sua Fonte é toda Amor e que está na Terra para oferecer, constantemente, em pensamentos e em ações, o amor que já tem. Em cada momento tem vários pensamentos e, portanto, pode oferecer amor através de cada um de seus pensamentos. Sempre que fizer algo, pode sentir que as suas ações não são nada mais do que uma expressão do amor. Enquanto pensa e age, se puder sentir que está oferecendo amor à humanidade e ao resto do mundo, poderá ser mais receptivo ao amor universal. Assim, pode sentir que o divino Amor de Deus é todo seu.

É Deus, o Amante dentro de si,
Quem oferece alegria e amor ao mundo.
É Deus o Bem-amado,
Que tudo recebe
No coração-mundo.


Reflexão “13 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

4 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

4 de Maio

Ver além de mim mesmo é encontrar e sentir a minha unicidade inseparável com meu Amado Supremo.

Depois do Amor de Deus, tenho que sentir algo muito significativo e profundo: a Unicidade de Deus. O Amor de Deus não basta. Eu posso amar algo ou alguém sem ter estabelecido ali a minha unicidade, unicidade inseparável com o objeto do amor. Portanto, após sentir o Amor de Deus, eu
tenho de desenvolver a minha consciente, constante e inseparável unicidade com Ele.

Consciência é a única coisa
De que a minha mente precisa.
Devoção é a única coisa
De que o meu coração necessita.
Unicidade – constante, incessante,
Inseparável unicidade com meu Senhor Supremo –
É a única coisa de que eu preciso.


Reflexão “4 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

3 de Maio – Sri Chinmoy, Reflexões

3 de Maio

Quer aceite ou rejeite, o Amor de Deus por si é permanente.

Depois que Deus me perdoou, concedeu-me a Sua Compaixão e banhou-me com as Suas Bençãos, tenho de sentir em cada momento o Amor de Deus. Devo sentir que, Aquele que me perdoou, mostrou-me a Sua Compaixão e abençoou-me realmente. Importa-se comigo. Serei constante e verdadeiramente feliz, apenas, se sentir que Deus, realmente, me ama. O Criador é todo amor para a Sua criação, mas a criação, frequentemente, não sente isso ou não o percebe. Sendo eu parte da criação de Deus, é meu dever sentir o Amor de Deus a cada momento. Apenas, tentarei tornar-me bom, divino e perfeito e agradá-Lo à Sua própria maneira.

A melhor atitude de um Deus-amante:
Deus cuidou de mim,
Deus cuida de mim
E Deus sempre cuidará de mim.


Reflexão “3 de Maio”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Lá vai o meu Amado -Sri Chinmoy, Poemas.

Lá vai o meu Amado, meu doce Senhor,

Com os sinos tilintando nos Seus Tornozelos.

Ouço a música da Sua Flauta

Vibrando pelos horizontes.

Se meu menino pastor lançasse um só olhar

Para trás, ainda assim, ele somente seguiria em frente.

Que os meus olhos sigam o caminho

Que o meu Amado trilha.

Na hora do crepúsculo,

Com um doce e sereno sorriso,

Conduzindo o rebanho de Luz variados,

Meu menino pastor segue adiante.

-Sri Chinmoy.

De Quem é o belo Olho -Sri Chinmoy, Poemas

De Quem é o belo Olho, a todo momento

Enviando-me arrepios de deleite?

Foi Você quem me deu

O infinito Amor da Sua Luz interior?

Eu não sei quem eu sou.

Você e eu secretamente nos encontramos

E compartilhamos as visões e a missão,

As ideias e ideais divinos dos nossos corações.

Ninguém mais sabe

Salvo e exceto nós dois.

-Sri Chinmoy.

Você é o meu querido -Sri Chinmoy, Poemas

Você é o meu querido.

Você é o querido de todos os outros, também.

Como é que não adoramos Seus Pés, beijamos Seus Pés,

Sabendo perfeitamente bem que podemos chamá-lo de nosso Senhor Supremo?

É um desleixo,

Mas nas profundezas dos nossos corações não O lavamos,

Mesmo sendo o nosso verdadeiro amigo.

Você conhece a peçonha da nossa mente

E, ainda assim, é o Mar-Perdão.

Quando a morte quer nos capturar,

Ficamos entre a morte e a nossa existência.

Isso quer dizer que somos ignorantes.

Não importa o que Você faça por nós,

Não lhe oferecemos o nosso coração-gratidão.

-Sri Chinmoy

Quero me curvar Àquele -Sri Chinmoy, Poemas.

Quero me curvar Àquele

Cujas Mãos amorosas e compassivas

Abençoam tudo e todos.

Quero que Ele me conte,

Quero aprender com Ele,

Por que e como Ele sofre

Em e através de todos os seres humanos,

Por que Ele sofre impiedosamente

Com uma dor interminável.

Há razão especial?

Quero que Ele me conte.

-Sri chinmoy

Dag Hammarskjöld e seus haikus sobre seu celibato

Negada qualquer fuga,

O calor transmutou

Carvão em diamante

-Dag Hammarskjöld

 

Dag Hammarskjöld foi o segundo Secretário-Geral da ONU e um celibatário convicto. Abaixo, alguns dos seus poemas em formato de haiku descrevendo a sua experiência. O haiku final, em particular, mostra a recompensa translúcida.

 

Incapaz de ser cegado pelo desejo,

Sentindo que não tenho direito de invadir os outros,

Temendo expor minha própria nudez,

Exigindo completo consentimento como uma condição para a vida juntos:

Como poderia ter ocorrido de forma diferente?

 

 

Porque nunca teve cônjuge,

Os homens chamaram

O unicórnio de pervertido.

 

(a lenda grega e indiana do unicórnio diz que nunca teve companheiro)

 

Negada qualquer fuga,

O calor transmutou

Carvão em diamante

Meu Senhor Supremo, Meu amor é amor Apenas em Você.Meu Senhor Supremo, Meu amor é amor Apenas em Você.Meu Senhor Supremo, Meu amor é amor Apenas em Você.- Sri Chinmoy

Meu Senhor Supremo,

Meu amor é amor

Apenas em Você.

Mesmo o meu amor humano

É imediatamente transformado

Em amor divino.

E o meu amor humano

É todo para Você.

-Sri Chinmoy

Poemas, frases e mensagens

As canções do amor – Sri Chinmoy

As canções do amor

 

O que faz de um animal um animal?

O amor animal.

 

O que faz de um homem um homem?

O amor humano.

 

O que faz de Deus Deus?

O amor Divino.

 

O amor animal é a destruição da Eternidade.

O amor humano é a suspeita da Infinidade.

O amor Divino é a Perfeição da Imortalidade.

-Sri Chinmoy

Poemas de amor devocional de Jahan Khatun

Jjahan khatun poetisa sufiahan Malek Khatun (1326-1416?) foi uma poetisa persa, dervixe de tradição Sufi, filha do rei de uma das épocas mais turbulentas de Shiraz. Amiga de Hafiz, encarceirada por vinte anos, abdicou de seu status e vida real duas vezes e foi uma das mais prolíficas escritoras persas, cujo Divã é quatro vezes maior que o de Hafiz, contendo 2000 ghazals e centenas de rubai’is e kita’s, e um grandioso tarji-band.

Abaixo alguns poemas traduzidos do livro “Seven Great Female Sufi Poets”, de Paul Smith.

 


 

Ó Senhor, Você perdoa todos os culpados de pecar,

Decora o mundo com o Seu poder, é o que vejo…

Estou aqui, Ó Senhor, e choro diante de Você, Senhor,

Salve-me, salve o mundo da Sua Jahan… e salve a mim mesma!

 

 

A única opinião com a qual concordamos a é Sua opinião;

Não há rosto belo salvo o Seu, dentre eles Você é Aquele.

Não há asilo para mim exceto a Sua casa:

Por toda parte veem-se os Seus escravos… milhões deles!

 

 

Neste mundo, discernir amigo ou inimigo não é fácil:

Nada a se fazer, salvo adaptar-se e encarar levianamente… entende?

Neste mundo de desconfiança de estranhos, vejo que quando

Amigos olhavam para mim… eles não me conheciam!

É Impossível viver sem a Sua face como uma vela…

Como a mariposa indo para uma chama eu queimarei, de amor e deliberadamente!

A cada dia meus olhos choram para que Você venha:

Eles estão cheios de lágrimas: espero o Seu amor, tão pacientemente!

Como um rouxinol, choro diariamente pela Sua face:

É óbvio que Você nunca me dará atenção.

Onde posso encontrá-Lo? Ajude-me a descobrir isso,

Pois o Seu amor, como um fogo, incendeia o coração…. incessantemente!

É minha culpa? O que há de errado com este mundo, Jahan?

Por que, por que fui colocada dessa forma? Conte-me!

 

 

Na minha mente, estou sempre pensando em Você,

Porque não consigo vir vê-Lo, é verdade.

Continuo pensando naqueles olhos que são Seus

Pois esses maravilhosos olhos levam diretamente a Você!

Estou loucamente impaciente por ver o Seu belo rosto:

Como um bebê precisa de leite, eu preciso de você… preciso… preciso!

No jardim há muitos belos ciprestes:

Honestamente, Você é mais belo…. estou sendo honesta com Você.

É verdade que morrer por Você é sempre o meu desejo:

Mas, para Você, não é importante… não é verdade?

Quando vejo Você, acho que estou no paraíso:

Tudo ficará bem para mim quando finalmente estiver com Você.

De manhã cedo, uma brisa do Egito veio até mim:

Ansiosamente eu lhe perguntei se era a hora de um profeta.

Perdi minha juventude e beleza por causa desse amor:

Estou velha por causa deste mundo… e meu coração partido também.

Jahan, no mundo… enquanto continuar a viver,

Que você ainda estará apaixonada por Ele, essa é a verdade!

 

 

Amar a Sua bela face não é algo novo

Para mim:

Como um antigo amigo é estar no Seu amor, ardente,

Por mim.

Faz tanto tempo que estive ardendo no Seu amor, e não é nada de novo Você tanto ter amor

Por mim.

Cores e um rosto belo não é algo novo para as flores:

É um jardim velho quando se olha para o mundo,

Para mim.

Muitos são os problemas que se tem quando se está ficando apaixonado:

Por tanto tempo tentar evitar o amor…

Para mim.

Faz tanto, tanto tempo que tenho amado Você:

Sua bela face amar não é algo novo

Para mim.

Você não pede a Jahan que comece um amor que é novo:

É tempo demais para um coração continuar perdendo…

Para mim.

 

 

Alguém apaixonado por mim pegou minha mão ontem à noite,

Mas eu disse: “Esqueça-me, por favor, afaste-me da sua visão!”

E ele: “O que foi, é porque tomei a sua mão?”

Eu respondi: “Aquele a quem amo não está aqui nesta noite.”

Continuei: “Eu juro… enquanto viver, amarei Ele:

Se Ele destruir minha vida, direi que é um direito Dele!”

Então sussurrei: “Juro que nunca, nunca desistirei…

nunca desistirei… até que Ele seja gracioso comigo numa noite!”

Perguntaram-me: “Você realmente quer ser fiel a Ele?”

Eu disse: “Serei fiel, até que esteja sempre diante Dele!

Venha, cure o anseio do coração doente, pois por amá-Lo,

Se eu tentar fazer qualquer coisa, aquilo será um sofrimento terrível!

Por Você estou pronta a sacrificar a vida se me for pedido…

Você não demonstra bondade… exigindo o direito subitamente!

Certamente, o cipreste é uma árvore forte e uma árvore alta,

Mas não se esqueça das outras árvores mais altas que sua grande altura!

Uma coisa eu sei… estou apaixonada por Você:

Perdi o meu coração, Você o rouba de mim como se fosse Seu direito.

No tabuleiro de xadrez da vida o Seu rei me falhou,

E nunca um peão como eu superaria um cavalo.

Rouxinóis não podem empoleirar-se no Seu belo rosto como nas roseiras…

Mas neste mundo, Jahan, são muitos… os rouxinóis.

 

– Jahan

Poetisa Sufi

 

Poemas de amor divino – sufismo de Mahsati

Mahsati Ganjavi (1098-1185) foi uma poetisa persa. O nome Mahsati é composto pelas palavras persas: Maah (lua) e Sati (Dama/Senhora). Nascida em Ganja, Mahsati ficou conhecida por um estilo de vida livre e inconvencional e foi perseguida por escrever contra o fundamentalismo, fanatismo e dogma religioso. Até aos nossos dias chegaram os seus escritos filosóficos e poemas. Aqui ficam poemas de Mahsati Ganjavi.

traduzidos de Seven Great Female Sufi Poets, translation and introduction by Paul Smith

 

Tua face invejada pela rosa e jasmim,

Amado,

teu olhar interessado atiça homens e mulheres,

Amado.

Pelo caminho descobri que, como um córrego graciosamente fluindo,

água corre dos meus olhos de novo, e de novo,

Amado.

 

Este meu corpo tem um coração repleto de êxtase

no interior…

ele tem também uma alma com mil chamas para se ver

no interior.

E quando dia e noite anseio pelo Seu rosto,

tenho dois olhos cheios de água livre corrente…

no interior!

 

Esse meu relacionamento, além de lábios secos e olhos úmidos

passou;

Sua flecha cruel que voa através do meu coração e alma,

passou.

Para mim, a chama do Seu amor foi como a água no raso que,

no entanto, quando nela pisei, para os meus olhos

passou.

 

Seu cabelo está em tal harmonia com a Sua face

que temo começar a blasfemar de inveja:

Ó Gracioso, curvar-me-ei à brisa que

do Seu rosto remover o Seu cabelo, completamente!

 

Quando lágrimas rubi-coloridas dos meus

olhos pingam,

água do coração da pedra e dos olhos dos

céus pingam.

Quando eles são removidos de Você, meus

olhos pingam:

do corte, sangue… claramente, meus

olhos pingam.

 

Desde que no mundo do amor o meu coração se tornou um rei

ele foi liberto de não acreditar, e de acreditar também.

Vi o meu eu inferior como um obstáculo no meu caminho…

quando deixei-o, meu caminho se abria para mim.

 

Ela que foi enfeitiçada pela Sua beleza

voltou:

aquela que, pela União com Você, sedenta…

voltou.

Limpe a gaiola, lance umas sementes de bondade:

este pássaro de asa quebrada que Você agora vê…

voltou.

 

A não ser que o Seu jacinto, âmbar gris rapidamente espalhe

brisa matutina do recipiente… o almíscar não se espalhará.

Se um asceta de cem anos de idade visse a Sua mão…

não me culpe se não for mais austeridade o que ele praticar.

 

Uma vez que estes olhos meus viram os

Seus olhos;

o sono abandonou meus olhos, longe de infelizmente,

Seus olhos.

Ó Você, cujos olhos tornam a visão de todos os outros olhos clara,

nunca meus olhos viram outros como a sua majestade,

Seus olhos.

“Amor: uma doença mental.” – Platão

 

“Amor: uma doença mental.”

– Platão

 

Quando a nossa consciência física vive na mente não aspirante e repleta de dúvidas, esse poderoso aforismo de Platão é, até certo ponto, inegável. Mas se a nossa consciência desperta reside na alma iluminadora, o amor é néctar, o próprio alento da Imortalidade.

 

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook

Porque Mirabai não pode voltar para sua antiga casa – Mira

Porque Mirabai não pode voltar para sua antiga casa

 

As cores do Escuro penetraram o corpo de Mira;

todas as outras cores desapareceram.

Amando o Escuro e pouco comendo,

isso são minhas pérolas e turmalinas.

Rosário de meditação e a marca na testa,

tais são os meus adereços e anéís.

Isso é beleza feminina suficiente para mim;

aprendi isso com meu professor.

Aprovada ou reprovada, eu louvo a Energia da Montanha

dia e noite.

Tomo o caminho que os seres humanos extasiados

tomaram por séculos.

Não roubo dinheiro e não agrido ninguém;

do que me acusarão?

Senti o balanço dos ombros do elefante;

e agora você quer que me sente num asno?

tente agir com seriedade.

 

– Mirabai*

 

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

Poemas devocionais de Kabir

Kabir (ou Kabira) (hindi: कबीर, urdu: کبير‎) (1440—1518) foi um dos grandes poetas místicos ou santos-poetas da Índia medieval, tendo composto poemas que evidenciam a fusão entre o movimento de bhakti hindu e o sufismo muçulmano, movimentos religiosos que exercem profunda influência cultural em todo o mundo até os nossos dias.

Kabir nasceu numa família de brâmanes hindus e foi mais tarde adotado por muçulmanos, no norte da índia, perto de Varanasi. Ainda jovem tornou-se discípulo Ramananda, que no norte da India difundia a doutrina de bhakti como promulgada por Ramanuja no sul do sub-continente, no século XII.

Kabir foi contemporâneo de outros protagonistas famosos do movimento de bhakti da Índia medieval, tais como Mirabai, Caitanya, Tulsidas e Guru Nanak, o principal preceptor dos sikhs.

extraído da wikipedia

 

Kabir – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly

traduzido por Patanga Cordeiro


 

Os botões vocalizam:

“O Jardineiro está vindo!

Hoje ele colhe as flores,

E amanhã, nós!”

 

*

 

Meu interior, ouça-me: o mais grandioso espírito,

O Professor, está próximo.

Desperte, desperte!

Corra a seus pés–

Ele está próximo da sua cabeceira agora mesmo.

Você dormiu por milhões e milhões de anos.

Por que não acordar nesta manhã?

 

*

 

Falo com o meu amante interior e digo: por que tanta pressa?

Achamos que há um tipo de espírito que ama os pássaros e animais e formigas –

Talvez o mesmo que lhe deu brilho enquanto estava no útero da sua mãe.

Seria lógico que hoje você perambulasse completamente órfão hoje?

A verdade é que você mesmo foi embora

E decidiu ir sozinho para o escuro.

Agora você está enroscado nos outros e esqueceu quem você um dia conheceu,

E é por isso que em tudo o que você faz há alguma falha estranha.

 

*

 

Ó amigo, eu o amo – pense bem!

Se você ama, então por que dorme?

Se você o encontrou,

Dê-se a ele, tome-o.

Por que você perde o rastro dele repetidas vezes?

Se você logo cairá num sono profundo de qualquer jeito,

Porque perder tempo arrumando a cama

E organizando os travesseiros?

Kabir lhe dirá a verdade: o amor é assim:

Digamos que tivesse de cortar a sua própria cabeça

E dá-la a outra pessoa,

Que diferença faria?

O colar – Mirabai

O colar

 

Ó amiga, sento-me só enquanto o mundo dorme.

No palácio que abrigou o prazer do amor dorme a abandonada.

Ela que uma vez juntou um colar de pérolas hoje tece lágrimas.

Ele me deixou. A noite passa enquanto eu conto estrelas.

Quando chegará a Hora?

Essa tristeza precisa acabar. Mira diz:

“Sustentador de Montanhas, volte.”

 

– Mirabai*

 

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

A flecha – Mirabai

A flecha

 

Meu professor atirou uma flecha

Que me trespassou.

Agora a sua ausência fere o meu coração

E meu corpo inquieto.

 

Minha mente não vaga mais – o amor a mantém coesa.

Agora estou acorrentada.

Quem conhece a minha dor, senão ele?

 

Um choro indefeso, interminável.

Amigas, digam-me – o que mais posso fazer?

 

Mira diz ao seu Senhor: conceda-me a sua presença ou a morte.

 

– Mirabai*

 

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)

Não me proíba, mãe – Mirabai

Não me proíba, mãe

 

Não me proíba, mãe; estou indo visitar homens santos.

Conheço um com o rosto negro; eu sou dele, o resto é nada.

Onde eu vivo, todos dormem; meus olhos abertos noite adentro.

Se o mundo não admira o Senhor, ele é louco; que sabedoria possui o mundo?

O que estou dizendo? O Senhor está dentro de mim; ao invés do sono.

Algumas lagoas têm água durante quatro meses do ano; mas eu fico longe delas.

A água de Hari verte; isso é o que basta para a minha sede.

Você diz que ele é negro; eu digo belo. Estou indo ver o seu rosto.

A dor de Mira vem da separação; o que ela quiser fazer, ela fará.

 

– Mirabai*

 

(*Mirabai – Ecstatic Poems, versions by Robert Bly e Jane Hirshfield)