Ó meu Barco – Sri Chinmoy, poemas.

Ó meu Barco, Ó meu Barqueiro,

Ó mensagem do Deleite Transcendental, carregue-me.

Meu coração está sedento e faminto,

E, ao mesmo tempo, dorme profundamente.

Leve meu coração para a outra margem.

A dança da morte eu vejo por toda parte.

O trovão da destruição invencível eu ouço.

Ó meu Piloto interior, Você é meu,

Você é o Oceano da Compaixão infinita.

Em Você eu me abandono,

O meu todo em Você eu abandono.

~Sri Chinmoy

Na negra e densa noite – Sri Chinmoy, poemas.

Na negra e densa noite

Você lança Seus Olhos benignos sobre mim.

Leve-me e faça-me parte de Si

Com a Sua Compaixão.

Sou o Seu filho inocente.

Caminho sozinho por uma fenda densa e emaranhada.

Com os Seus dois Braços me abrace.

Permita que eu não seja afogado e levado

Pelas turbulentas correntezas da vida.

~Sri Chinmoy.

Ombra mai fu -Handel, tradução

Delicados e belos ramos

do meu amado plátano,

que o Destino lhes sorria.

Que o trovão, relâmpago e tempestade

nunca perturbem sua doce paz,

nem ventos uivantes o profanem.

Nunca uma sombra

de qualquer árvore

foi tão bela e adorável,

ou mais doce.

*

Frondi tenere e belle

del mio platano amato

per voi risplenda il fato.

Tuoni, lampi, e procelle

non v’oltraggino mai la cara pace,

né giunga a profanarvi austro rapace.

Ombra mai fu

di vegetabile,

cara ed amabile,

soave più.

-Handel

*

Tender and beautiful fronds
of my beloved plane tree,
let Fate smile upon you.
May thunder, lightning, and storms
never disturb your dear peace,
nor may you by blowing winds be profaned.

Never was a shade
of any plant
dearer and more lovely,
or more sweet.

Poemas espirituais em Latim

1.

Offering worship to You,
I am so happy My Lord.
I am also happy
Because this happiness of mine
Nobody can steal.

Adorare Te devote
Me laetificat, Domine.
Gaudeo gaudium meum
Nemo a me tollet.

– Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, Part 5, Agni Press, 1979.

2.

God the Truth
My mind admires.
God the Love
My heart needs.

Deus Prima Veritas
Menti meae admirandus.
Deus Summa Caritas
Cordi meo anhelandus.

– Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, Part 20, Agni Press, 1981.

3.

O Lord, where is the Truth?
“Where your Beloved is?”
Who is my Beloved, Who?
“In whom your life is peace.”

Domine, ubi est Veritas?
“Ubi tuus Dilectus.”
Quis est meus Dilectus, quis?
“In quo est vita tua pax.”
– Sri Chinmoy, My Flute, Agni Press, 1972.

4.

My first discovery:
God cares for me.
My last discovery:
I need God.

Invento mea prima:
Deus curator mei.
Inventio mea ultima:
Indigeo Die.
– Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, Part 20, Agni Press, 1981.

5.

God the Teacher
Instructs me in the morning.
God the Father
Blesses me in the evening.

Deus Preaceptor
Docet me mane.
Deus Pater
Benedicit me vespere.

– Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, Part 41, Agni Press, 1982.

6.

To own peace
Is to own a living God.
To own a living God
Is to become another God.

Possidere pacem
Possidere est Deum vivum.
Possidere Deum vivum
Fieri est alter Deus.

– Sri Chinmoy, Transcendence-Perfection, Agni Press, 1975.

Do livro Simplicitas Cordis: poetry of Sri Chinmoy, Agni Press 1983 – New York, ISBN 0-88497-659-9
Traduzido ao latim por Ralph Lazzaro, Director of Language Studies at the Harvard Divinity School

Você é belo – Sri Chinmoy, poemas.

Você é belo, mais belo, belíssimo,

Beleza sem-par no jardim do Éden.

Dia e noite, que Tua Imagem habite

No íntimo do meu coração.

Sem Você, meus olhos não tem visão,

Tudo é uma ilusão, tudo é deserto.

Ao meu redor, dentro e fora,

Ouço a melodia das aflições sombrias.

Meu mundo está repleto de aflições excruciantes.

Ó Senhor, ó meu belo Senhor,

Ó meu senhor de Beleza,

Nesta vida, mesmo por um fugaz segundo,

Que eu seja abençoado com a dádiva

De ver a Tua Face.

~Sri Chinmoy

Levante-se, acorde – Sri Chinmoy, poemas.

Levante-se, acorde, Ó amigo do meu sonho.

Levante-se, acorde, Ó alento da minha vida.

Levante-se, acorde, Ó luz dos meus olhos.

Ó poeta-vidente em mim,

Manifesta-se em e através de mim.

Levante-se, acorde, Ó vasto coração dentro de mim.

Levante-se, acorde, Ó consciência minha,

Que está sempre a transcender o universo

E sua própria vida do além.

Levante-se, acorde, Ó forma da minha meditação transcendental.

Levante-se, acorde, Ó divindade aprisionada na humanidade.

Levante-se, acorde, Ó Shiva, Libertador do meu coração,

E liberte a humanidade do seu sono-ignorância.

~Sri Chinmoy

Ó cega e escura noite do abismo dos nossos corações! – Sri Chinmoy, poemas.

Ó cega e escura noite do abismo dos nossos corações!

Somos os companheiros do córrego das lágrimas.

Na terra do apego aprisionador,

Chorando e sorrindo atiçamos a lamparina

Das selvagens sombras-obstrução.

Nosso mundo é uma esperança vazia, destituído.

Seremos a linguagem-mensagem

Do Tempo Sem Fim

E nos tornaremos Fome infinita,

Deleite-Néctar infinito

E Luz-Transformação da Eternidade.

~Sri Chinmoy

Numa doce e melodiosa canção – Sri Chinmoy, poemas.

Numa doce e melodiosa canção, Você canta

No seio da minha entregue adoração suprema.

Eu A vejo!

E ouço o tilintar dos sinos no Seu tornozelo,

Ó Coroa do Ápice da Infinidade!

A Sua Canção, o Seu Amor,

A Lei imortal da Sua Imortalidade

Carregarão a mim, eu sei, eu sei,

Até as margens do Além Dourado.

~Sri Chinmoy

Você me fortalece-Sri Chinmoy, pormas.

Quando sou ofendido,

Quando sou humilhado,

Você me fortalece com Seu Poder-Compaixão.

Você veio a mim carregando o despertar nas Suas Mãos

Para substituir a minha vida de tristezas.

As lágrimas secretas do meu coração

Criam interminável sofrimento no Seu Coração.

Sei que um dia Você vira até mim.

Portanto, tudo o que tenho é sou

Hoje dança com alegria.

~Sri Chinmoy

As nuvens velejam -Sri Chinmoy, poemas.

As nuvens velejam em direção a um mundo desconhecido,

Enfeitadas com beleza miríade.

Um rosto sorridente as acompanha.

As nuvens velejam em direção a uma terra desconhecida.

Ó céu, conte-me para onde as nuvens viajam.

Pergunto com os olhos cheio de lágrimas.

Ó céu, você fará minha vida tão luminosa

E bela quanto as nuvens?

Ó céu, conte-me para onde as nuvens velejam.

~Sri Chinmoy

Uma guirlanda de poemas – Sri Chinmoy, Poemas.

Uma sequência interminável de céus

Onde ar não há.

Um anseio interior me compele a trazer

Uma guirlanda de poemas

Para adorá-Lo

O altar está vazio.

Quero preenchê-lo;

Quero cobri-lo de poema,

Uma guirlanda de poemas.

Sei que é apenas assim

Que posso esquecer dos sofrimentos e alegrias

Que devem ser esquecidos.

~Sri Chinmoy

Deus o Coração -Sri Chinmoy, poema

God the Heart

      Forgives.

Deus, o Coração,

      Perdoa.

God the Eye

      Erases.

Deus, o Olho,

      Apaga.

God the Mind 

      Forgets.

Deus, a Mente,

      Esquece.

God the Smile 

      Embraces. 

Deus, o Sorriso,

      Abraça.

-Sri Chinmoy, poema

Aedh deseja os véus do Céu – W.B.Yeats, poema

Tivesse eu os véus bordados dos céus,

Entremeados de dourada e prateada luz,

Azuis e pálidos e negros véus

De noite e luz e da meia luz,

Espalharia esses véus sob os teus pés –

Mas, sendo pobre, tenho apenas sonhos;

Espalhei meus sonhos sob os teus pés;

Pisa suave, pois pisas nos meus sonhos.

-W.B. Yeats

Poema a Thomas Jefferson

monumento a Thomas Jefferson no Capitólio em Washington

“Estava entre eles, mas não era um deles.”

Longe das mansões dos homens e seu habitar

Encontro em meio à Natureza e suas obras um lar

Mais adequado ao meu espírito, quando estou a vagar

Ou pela margem silente ou floresta sombria,

Onde, sozinho, não estou sozinho;

Pois posso ler o estrelado domo

Acima, ou nas coisas ao redor como um tomo,

Sem ninguém a limitar meus pensamentos,

Ou invadir minhas meditações, que podemos encantar

Pela metade sua amargura – e sonhos, cujo sono

Não previa: mas ora! O tempo

Em que juventude e inteligência e riqueza e beleza guarda

Sua meia-noite revela, e devo erigir-me e sorrir

Como quem sorri porque não pode chorar.

D. Tenniel

O Tigre -William Blake, poema com tradução

arte de Sri Chinmoy

 

O Tigre

Tigre, tigre, incendiante
Na floresta da noite,
Que mão ou olho encararia
Tua feroz simetria?

Em que céu ou abismo tarde
O fogo do teu olho arde?
Que asas ousariam soprá-lo?
Que mão ousaria tocá-lo?

Que força, obra ou mão
Atiçaria o teu coração?
Que punho mais incrível
Forjou tua postura temível?

Que martelo, que corrente,
Que fornalha fez a tua mente?
Que bigorna, que punho a cerrar
Ousou teus terrores aprisionar?

Quando as estrelas em cadente espanto
Irromperam o vasto céu em pranto,
Será que Ele sorriu ao ver-te?
Ele que fez o Cordeiro também fez-te?

Tigre, tigre, incendiante
Na floresta da noite,
Que mão ou olho enquadraria
Tua feroz simetria?

(tradução Patanga Cordeiro)

 

Tyger

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
When thy heart began to beat,
What dread hand forged thy dread feet?

What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dared its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

-William Blake

 

O Tygre

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

Tradução: José Paulo Paes

 

O Tygre

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Em que céu se foi forjar
o fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chamma?
Que mão colheu esta flamma?

Que força fez retorcer
em nervos todo o teu ser?
E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
cortaram os céus, ao vê-las,
quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Tradução: Augusto de Campos

 

O leão

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.

Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto.
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna.
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus que te fez ou não?

O salto do tigre é rápido
Como o raio; mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o Leão dá.
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte.
Pois bem, se ele vê o Leão
Foge como um furacão.

Leão se esgueirando, à espera
Da passagem de outra fera…
Vem o tigre; como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo.
Quando se cansam, o leão
Mata um com cada mão.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

Vinícius de Moraes

(Inspirado em William Blake)

Quem / Who -Sri Aurobindo, poema traduzido

Quem

 

No azul do céu, no verde da floresta,

De Quem é a mão que ornamentou o brilho?

Quando os ventos repousavam no úbere do éter,

Quem os despertou e fê-los soprar?

 

Ele se perde no coração, na caverna da Natureza,

Ele é encontrado no cérebro onde constrói o pensamento:

Na tessitura e florescer das flores entremeado,

Na luminosa rede de estrelas Ele aprisionado.

 

Na força do homem, na beleza da mulher,

Na risada de um rapaz, no rubor de uma moça;

A mão que faz rotacionar Júpiter pelos céus

Usa toda a sua perspicácia para desenhar uma curva.

 

Lá estão Suas obras e Seus véus e Suas sombras;

Mas onde Ele está, então, e por qual nome é conhecido?

Ele é Brahma ou Vishnu, homem ou mulher?

Corpóreo ou incorpóreo? Gêmeo ou solitário?

 

Amamos um rapaz negro e resplandecente;

Uma mulher é nossa Senhora, nua e feroz.

Vimo-Lo refletir na neve nas montanhas,

Observamo-Lo laborar no coração das esferas.

 

Ele contará ao mundo Seus meios e Sua esperteza;

Tem o enlevo de tortura e paixão e dor;

Deleita-Se em nossa tristeza e empurra-nos a chorar

E então nos isca novamente com Sua alegria e beleza.

 

Toda música não passa do som da sua risada,

Toda beleza, o sorriso do Seu deleite apaixonado;

Nossas vidas são o pulso de Seu coração; nosso enlevo

O noivado de Radha e Krishna; nosso amor, seu beijo.

Ele é a força que soa no clangor dos trompetes

E cavalga a carruagem e bate nas lanças;

Mata incansavelmente e é repleto de compaixão.

Ele guerreia pelo mundo e seus anos derradeiros.

 

No meneio dos mundos, no surgimento das eras,

Inefável, poderoso, majestoso e puro,

Além do último ápice tocado pelo pensador

Ele é entronado em Seus assentos sempiternos.

 

O Mestre do homem e seu Amante infinito

É próximo dos nossos corações – tívessemos visão a enxergar;

Somos cegos pelo orgulho e pompa das nossas paixões,

Somos presos em nossos pensamentos que nos fazem pensar livres.

 

É Ele no sol que é eterno e imorredouro,

E na meia-noite Sua sombra se alarga;

Quando a escuridão era cega e envolta em escuridão,

Sentado nela estava Ele, imenso e sozinho.

(tradução de Patanga Cordeiro)

 

Who

In the blue of the sky, in the green of the forest,
Whose is the hand that has painted the glow?
When the winds were asleep in the womb of the ether,
Who was it roused them and bade them to blow?

He is lost in the heart, in the cavern of Nature,
He is found in the brain where He builds up the thought:
In the pattern and bloom of the flowers He is woven,
In the luminous net of the stars He is caught.

In the strength of a man, in the beauty of woman,
In the laugh of a boy, in the blush of a girl;
The hand that sent Jupiter spinning through heaven,
Spends all its cunning to fashion a curl.

There are His works and His veils and His shadows;
But where is He then? by what name is He known?
Is He Brahma or Vishnu? a man or a woman?
Bodies or bodiless? twin or alone?

We have love for a boy who is dark and resplendent,
A woman is lord of us, naked and fierce.
We have seen Him a-muse on the snow of the mountains,
We have watched Him at work in the heart of the spheres.

We will tell the whole world of His ways and His cunning;
He has rapture of torture and passion and pain;
He delights in our sorrow and drives us to weeping,
Then lures with His joy and His beauty again.

All music is only the sound of His laughter,
All beauty the smile of His passionate bliss;
Our lives are His heart-beats, our rapture the bridal
Of Radha and Krishna, our love is their kiss.

He is strength that is loud in the blare of the trumpets,
And He rides in the car and He strikes in the spears;
He slays without stint and is full of compassion;
He wars for the world and its ultimate years.

In the sweep of the worlds, in the surge of the ages,
Ineffable, mighty, majestic and pure,
Beyond the last pinnacle seized by the thinker
He is throned in His seats that for ever endure.

The Master of man and his infinite Lover,
He is close to our hearts, had we vision to see;
We are blind with our pride and the pomp of our passions,
We are bound in our thoughts where we hold ourselves free.

It is He in the sun who is ageless and deathless,
And into the midnight His shadow is thrown;
When darkness was blind and engulfed within darkness,
He was seated within it immense and alone.

-Sri Aurobindo

Aceno / Invitation -Sri Aurobindo, poema

Aceno

 

Com o vento e o tempo flamulando a meu redor

Subo à montanha e à charneca.

Quem virá comigo? Quem subirá comigo?

Cruzar o riacho e pisar a neve?

 

Não no mesquinho círculo das cidades

Restrito pelas suas portas e paredes eu habito;

Sobre mim Deus é o azul no céu,

Contra mim o vento e tempestada rebelam.

 

Brinco com a solidão nestas minhas terras,

Fiz-me companheiro das minhas más venturas.

Quem vive solto? Quem vive livre?

Suba a estas terras varridas pelo vento.

 

Sou o Senhor da tempestade e montanha,

Sou o Espírito da liberdade e orgulho.

Hirto deve ser e familiar do perigo aquele

Que compartilha do meu reino e caminha a meu lado.

 

(tradução Patanga Cordeiro)

 

Invitation

 

With wind and the weather beating round me
Up to the hill and the moorland I go.
Who will come with me? Who will climb with me?
Wade through the brook and tramp through the snow?

Not in the petty circle of cities
Cramped by your doors and your walls I dwell;
Over me God is blue in the welkin,
Against me the wind and the storm rebel.

I sport with solitude here in my regions,
Of misadventure have made me a friend.
Who would live largely? Who would live freely?
Here to the wind-swept uplands ascend.

I am the Lord of tempest and mountain,
I am the Spirit of freedom and pride.
Stark must he be and a kinsman to danger
Who shares my kingdom and walks at my side.

-Sri Aurobindo

O Barco do Tempo Segue Adiante -Sri Chinmoy, poema

O céu me chama,

O vento me chama,

A lua e as estrelas me chamam.

 

Os verdes e densos bosques me chamam,

A dança da fonte me chama,

Sorrisos me chamam, lágrimas me chamam.

Uma suave melodia me chama.

 

A aurora, o meio-dia e o crepúsculo me chamam.

Todos buscam por um colega a brincar,

Todos me chamam: “Venha, venha!”

Uma voz, um som, por toda parte.

Ora, o Barco do Tempo segue adiante.

-Sri Chinmoy

Assassinei a sua ignorância -Sri Chinmoy, Poemas.

Quando pensei que eu era o agente

De todas as minhas ações,

Tornei-me névoa.

Morri.

Virei o imperador do grandioso fracasso.

Minha alma veio à tona,

Consolou minha cega ignorância.

Deus causou a Sua Aparição suprema.

“Seu tolo, não noive a beleza sem vida da impossibilidade.

Eu não desperdiço sequer uma folha.

Assassinei a sua selvagem ignorância para você,

Para igualar-se ao Meu Trono Transcendental.”

-Sri Chinmoy

O meu diário -Sri Chinmoy, Poemas.

Nas primeiras horas da aurora,

Nas tardias horas da noite,

Eu escrevo o meu diário.

O meu diário só abriga uma palavra:

Gratidão.

Gratidão à compaixão de Deus,

Gratidão ao serviço do homem,

Gratidão à busca pela minha auto-transcendência,

Gratidão ao meu auto-questionamento,

Gratidão à minha descoberta-Deus.

-Sri Chinmoy