Introdução -William Blake

O assunto me chama no sono noite após noite, e cada manhã

Desperta-me na aurora; vejo então o Salvador sobre mim

Irradiando Seus feixes de amor, ditando as palavras desta suave canção:

‘Desperte! Desperte! Ó dormente da Terra das Sombras, desperte! expanda!

Estou em ti, e tu em Mim, mútuos em Divino Amor,

Fibras de amor entre os homens pela adorável terra de Albion.’

-William Blake

Sempre crescente no seio de Deus, a imaginação humana. -William Blake

Tremendo, sento-me dia e noite; meus amigos surpreendem-se comigo.

Entretanto, perdoam o meu divagar. Não descanso da minha grande tarefa –

Abrir os mundos eternos, abrir os olhos imortais

Do homem para o interior nos mundos de pensamento, na Eternidade

Sempre crescente no seio de Deus, a imaginação humana.

-William Blake

“Que Deus fizesse todo o povo do Senhor Profetas.” Números xi.29 -William Blake

E caminharam tais pés em tempos passados

Sobre as montanhas verdes de ingleses solos?

E foi visto o sagrado Cordeiro de Deus

Nos afáveis pastos ingleses?

 

E brilhou o Semblante Divino

Sobre nossas colinas enevoadas?

E foi construída Jerusalém aqui

Dentre estas negras e satânicas moendas?

 

Tragam-me o meu arco de ouro ardente!

Tragam-me as minhas flechas de anseio!

Tragam-me a minha lança! Ó nuvens, revelem-se!

Tragam-me a minha carruagem de fogo!

 

Não cessarei minha batalha mental,

Nem dormirá minha espada em minha mão,

Até que construído tenhamos Jerusalém

Na Inglaterra, que terras verdes e afáveis são.

 

“Que Deus fizesse todo o povo do Senhor Profetas.” Números xi.29

 

-William Blake

Milton

 

A

Augúrios de inocência – William Blake

Augúrios de inocência

Enxergar um Mundo num grão de areia

E o Céu numa flor do campo,

Segurar o Infinito na palma da mão

E a Eternidade numa hora.

Um pássaro numa gaiola

Põe a ira do Céu para fora.

Um pombal repleto de casais

Onde a Alma repousa em feixes de luz.

Deus surge, e Deus é Luz,

Para as pobres almas na Noite;

Mas uma Forma Humana mostra Ele

Aos que vivem no reino do Dia.

-William Blake

Um Sonho | William Blake

Era uma vez um sonho que teceu

Uma sombra no meu leito anjo-protegido,

Tal que uma formiga se perdeu

Onde na grama eu me pensava caído.

 

Preocupado, perdido e esquecido,

Sombrio, fatigado e da viagem cansado,

Por arbustos emaranhados, entristecido,

Ouvi ela então em seu ditado:

 

‘Ó, minhas crianças! elas choram?

Elas ouvem seu pai suspirar?

Primeiro enxergar lá fora buscam;

Depois voltam por mim a chorar.’

 

Escapou-me uma lágrima, de tão penoso,

Mas vi o vagalume adiante,

Que respondeu: ‘Que fantasma choroso

Chama o vigia da noite?

 

-William Blake

O leão – Vinícius de Moraes

O leão

(Inspirado em William Blake)

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.

Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto.
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna.
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus que te fez ou não?

O salto do tigre é rápido
Como o raio; mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o Leão dá.
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte.
Pois bem, se ele vê o Leão
Foge como um furacão.

Leão se esgueirando, à espera
Da passagem de outra fera…
Vem o tigre; como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo.
Quando se cansam, o leão
Mata um com cada mão.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!