“Foi uma visão, ou um sonho acordado? Escapou-me a música – acordo ou durmo?” – John Keats

O pássaro-poeta em Keats, divinamente embriagado, voa diante de mim, diante da minha visão:

“Foi uma visão, ou um sonho acordado?

Escapou-me a música – acordo ou durmo?”

 

O pássaro-música está dentro de nós para ficar, para nos trazer amor. O pássaro música está ao nosso redor para voar, para nos trazer alegria.

 

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook

John Keats

 

“Uma coisa bela é uma alegria eterna” –

Um filho desta Terra revelou esse saber divino.

Ó amante da beleza, teu “Endymion”

E “Hyperion” brilharão incólumes para sempre.

 

Tua árvore-maravilha nasceu em cinco

Rápidos anos – um regalo dedicado à humanidade.

Apesar de a morte arrebatar a tua vida apressadamente,

O mundo acalenta viva a precisão da tua mente.

 

O “Endymion” de Keats é, sem dúvida, um grande sucesso de vivacidade maravilhosa e esplêndida felicidade. Já o “Hyperion”, segundo muitos críticos, foi um triste fracasso. Mas não se pode dizer que “Hyperion” não possui majestade. Tal é a má sorte que, quando o épico foi trazido à luz, o poeta foi selvagemente criticado, mesmo pelos seus amigos mais próximos. Como resultado, sua saúde esvaiu-se e a consumação já há muito ameaçadora tornou-se mais formidável. Enfim Keats foi obrigado a pagar o débito com a natureza. Não seria exagero dizer que a falta de zelo invencível foi a principal responsável por arrebatar um dos poetas-excelsos do mundo. A pobre Terra não pôde acalentar a sua presença por sequer trinta rápidos anos.

 

– Sri Chinmoy

 

Do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente editora Agbook

 

O que é belo há de ser eternamente uma alegria – John Keats

Endymion (trecho)

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

Endymion (trecho original)

A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o’er-darkened ways::
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
‘Gainst the hot season; the mid forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
All lovely tales that we have heard or read:
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven’s brink.

– John Keats

 

endymion

KEATS, John. “From Endymion” / “Do Endymion”. In: CAMPOS, Augusto de. Byron e Keats: Entreversos. Traduções de Augusto de Campos. Campinas: Editora Unicamp, 2009.

Ode à Melancolia

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I

Não, não, não irás ao Lete, nem misturarás
um acônito, bem enraizado, como poderoso vinho de Proserpina
Não farás teu rosário de bolotas,
nem deixarás o besouro, nem a esfinge da morte ser
Sua pesarosa psique, nem a felpuda coruja
Uma parceira nos mistérios de seus infortúnios
Pois sombra à sombra tornar-se-á demasiado indolente
E afogará a grande angústia da alma

II
Mas quando a melancolia cair
Súbita como uma nuvem em pranto no céu
Que cabisbaixas flores vem nutrir
E esconder a verde colina em abrilino véu;
Sacia-te então em uma rosa matinal,
Ou em uma arco-íris da duna salina
Ou na riqueza das abauladas peônias;
Ou se tua amante temível fúria mostrar
Envolva-lhe as macias mãos e deixe-a enfurecer-se
E olhes bem fundo , bem fundo em seus olhos exóticos

III
Ela habita em Beleza — Beleza que deve morrer;
E júbilo, cujas mãos traz sempre sobre os lábios
Dando adeus e um tormentoso prazer terminal,
Transformando em veneno, enquantoa abelha sorve;
Sim, no mesmo templo do deleite
A velada melancolia tem seu soberano santuário,
Embora visto que ninguém a salvou, cuja língua vigorosa
Pode explodir as uvas da Alegria contra seu pálato;
Sua alma deverá provar da tristeza de seu poder
E entre seus obnubilados troféus se erguer.

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– John Keats

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tradução por “Leon de Castela”

Pode a morte ser um sono quando a vida é só um sonho

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I

Pode a morte ser um sono, quando a vida é apenas um sonho,
E cenas de bem-aventurança passam como um fantasma?
Os prazeres transientes parecem como visão,
E ainda pensamos que a maior dor é morrer.

II

Como parece estranho que o homem deva vagar sobre a Terra
E ter uma vida de infortúnios, mas não abandonar
Seu áspero caminho; nem ousar ver sozinho
Sua futura perdição que é despertar.

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– John Keats

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tradução por “Leon de Castela”

Ó Solidão! Se contigo deverei habitar

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Ó Solidão! Se contigo deverei habitar,
Não deixes que seja entre uma grande confusão
De construções escuras; sobe comigo a colina —
Observatório natural — donde a ravina
Com seus declives floridos, e seu rio serpenteante e cristalino
Parecem um só; deixe-me velar-te
Entre ramos ornados, onde o abrupto salto do veado
Espanta a abelha selvagem da campânula de uma dedaleira
Todavia, embora recordarei alegremente convosco essas cenas,
Ainda que a doce conversa de uma mente inocente,
Cujas palavras são imagens de pensamentos elegantes,
Em minha alma é prazer; e certamente será
Quase a maior bem-aventurança da humanidade,
Quando de tua paragem duas almas gêmeas partirem.

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– John Keats

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tradução de “Leon de Castela”