“As maiores ascensões da minha alma sempre fazem-me sentir humilde.” – Keats

“As maiores ascensões da minha alma sempre fazem-me sentir humilde.”

– Keats

 

Um homem de fé é também um homem de divina humildade. Quanto mais ele avança espiritualmente, através da sua fé, mais e mais ele mergulha na humildade suprema.

 

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook

“Tu, filha-órfã do Silêncio e moroso Tempo” – John Keats

O que Keats disse à arte, “Tu, filha-órfã do Silêncio e moroso Tempo,” é uma meia-verdade. A arte é a filha do Silêncio, sem dúvidas, mas ela transcende o Tempo.

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook

“À tristeza ofereci o meu adeus…” – John Keats

“À tristeza ofereci o meu adeus,

E pensei deixá-la muito para trás;

Mas alegre, alegremente Ela me ama:

Tão presente em mim, e tão gentil.”

– Keats

 

A tristeza nos auxilia imensamente. Ela consegue humilhar o nosso orgulho. Ela nos corrige. Ela abre nosso coração à magnanimidade e simpatia. Para conter nossos erros incontáveis e nos fazer observar-nos e colocar-nos na estrada para a perfeição, a tristeza deve necessariamente existir neste mundo.

 

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook

“Foi uma visão, ou um sonho acordado? Escapou-me a música – acordo ou durmo?” – John Keats

O pássaro-poeta em Keats, divinamente embriagado, voa diante de mim, diante da minha visão:

“Foi uma visão, ou um sonho acordado?

Escapou-me a música – acordo ou durmo?”

 

O pássaro-música está dentro de nós para ficar, para nos trazer amor. O pássaro música está ao nosso redor para voar, para nos trazer alegria.

 

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Pérolas de Sabedoria do Ocidente e comentários devotados de Sri Chinmoy, extraídos do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente, editora Agbook

John Keats

 

“Uma coisa bela é uma alegria eterna” –

Um filho desta Terra revelou esse saber divino.

Ó amante da beleza, teu “Endymion”

E “Hyperion” brilharão incólumes para sempre.

 

Tua árvore-maravilha nasceu em cinco

Rápidos anos – um regalo dedicado à humanidade.

Apesar de a morte arrebatar a tua vida apressadamente,

O mundo acalenta viva a precisão da tua mente.

 

O “Endymion” de Keats é, sem dúvida, um grande sucesso de vivacidade maravilhosa e esplêndida felicidade. Já o “Hyperion”, segundo muitos críticos, foi um triste fracasso. Mas não se pode dizer que “Hyperion” não possui majestade. Tal é a má sorte que, quando o épico foi trazido à luz, o poeta foi selvagemente criticado, mesmo pelos seus amigos mais próximos. Como resultado, sua saúde esvaiu-se e a consumação já há muito ameaçadora tornou-se mais formidável. Enfim Keats foi obrigado a pagar o débito com a natureza. Não seria exagero dizer que a falta de zelo invencível foi a principal responsável por arrebatar um dos poetas-excelsos do mundo. A pobre Terra não pôde acalentar a sua presença por sequer trinta rápidos anos.

 

– Sri Chinmoy

 

Do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente editora Agbook

 

O que é belo há de ser eternamente uma alegria – John Keats

Endymion (trecho)

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

Endymion (trecho original)

A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o’er-darkened ways::
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
‘Gainst the hot season; the mid forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
All lovely tales that we have heard or read:
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven’s brink.

– John Keats

 

endymion

KEATS, John. “From Endymion” / “Do Endymion”. In: CAMPOS, Augusto de. Byron e Keats: Entreversos. Traduções de Augusto de Campos. Campinas: Editora Unicamp, 2009.

Ode à Melancolia

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I

Não, não, não irás ao Lete, nem misturarás
um acônito, bem enraizado, como poderoso vinho de Proserpina
Não farás teu rosário de bolotas,
nem deixarás o besouro, nem a esfinge da morte ser
Sua pesarosa psique, nem a felpuda coruja
Uma parceira nos mistérios de seus infortúnios
Pois sombra à sombra tornar-se-á demasiado indolente
E afogará a grande angústia da alma

II
Mas quando a melancolia cair
Súbita como uma nuvem em pranto no céu
Que cabisbaixas flores vem nutrir
E esconder a verde colina em abrilino véu;
Sacia-te então em uma rosa matinal,
Ou em uma arco-íris da duna salina
Ou na riqueza das abauladas peônias;
Ou se tua amante temível fúria mostrar
Envolva-lhe as macias mãos e deixe-a enfurecer-se
E olhes bem fundo , bem fundo em seus olhos exóticos

III
Ela habita em Beleza — Beleza que deve morrer;
E júbilo, cujas mãos traz sempre sobre os lábios
Dando adeus e um tormentoso prazer terminal,
Transformando em veneno, enquantoa abelha sorve;
Sim, no mesmo templo do deleite
A velada melancolia tem seu soberano santuário,
Embora visto que ninguém a salvou, cuja língua vigorosa
Pode explodir as uvas da Alegria contra seu pálato;
Sua alma deverá provar da tristeza de seu poder
E entre seus obnubilados troféus se erguer.

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– John Keats

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tradução por “Leon de Castela”

Pode a morte ser um sono quando a vida é só um sonho

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I

Pode a morte ser um sono, quando a vida é apenas um sonho,
E cenas de bem-aventurança passam como um fantasma?
Os prazeres transientes parecem como visão,
E ainda pensamos que a maior dor é morrer.

II

Como parece estranho que o homem deva vagar sobre a Terra
E ter uma vida de infortúnios, mas não abandonar
Seu áspero caminho; nem ousar ver sozinho
Sua futura perdição que é despertar.

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– John Keats

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tradução por “Leon de Castela”

Ó Solidão! Se contigo deverei habitar

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Ó Solidão! Se contigo deverei habitar,
Não deixes que seja entre uma grande confusão
De construções escuras; sobe comigo a colina —
Observatório natural — donde a ravina
Com seus declives floridos, e seu rio serpenteante e cristalino
Parecem um só; deixe-me velar-te
Entre ramos ornados, onde o abrupto salto do veado
Espanta a abelha selvagem da campânula de uma dedaleira
Todavia, embora recordarei alegremente convosco essas cenas,
Ainda que a doce conversa de uma mente inocente,
Cujas palavras são imagens de pensamentos elegantes,
Em minha alma é prazer; e certamente será
Quase a maior bem-aventurança da humanidade,
Quando de tua paragem duas almas gêmeas partirem.

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– John Keats

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tradução de “Leon de Castela”

Uma coisa de beleza

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Uma coisa de beleza é uma alegria perene:
Sua amabilidade cresce; nunca
Sumirá no nada; mas ainda
Manterá um aposento silencioso para nós, e um sono
Repleto de doces sonhos, e saúde, e suave alento.

Por tanto, em cada manhã, tecemos
Uma guirlanda de flores para nos prender à terra,
Apesar da indiferença, inumana escassez,
Naturezas nobres, dias obscuros,
Hábitos insalubres e tenebrosos
Feita para a nossa busca: sim, apesar de tudo,
Uma forma de beleza afasta a mortalha
De nossos espíritos enegrecidos. Assim é o sol, a lua,
Árvores velhas, e jovens, brotando uma dádiva de sombra
Para simples ovelhas; e assim são os narcisos
Com o mundo verde em que vivem; e riachos límpidos
Que para si mesmos fazem refresco
Contra a estação quente; a clareira em meia-floresta
Rica com o aspergido de belas flores de rosa-almíscar:
E assim também é o grandeur das perdições
Que imaginamos para os poderosos já mortos;
Todos os adoráveis contos que ouvimos e lemos:
Uma inexaurível fonte de sumo imortal,
Transbordando do Céu sobre nós.

Nem meramente sentimos tais essências
Por uma curta hora; não, assim como as árvores
Que sussurram ao redor de um templo logo tornam-se
Tão queridas como parte do templo, também a lua,
A poesia da paixão, glórias infinitas,
Nos assombram até que se tornam uma luz alegre
Para nossas almas, e nos amarram tão bem
Que, haja brilho ou escuridão no céu,
Sempre precisamos conosco, se não, morremos.

Portanto, é com alegria plena que eu
Contarei a história de Endymion.
A própria música em seu nome penetrou
O meu ser, e cada cena agradável
Cresce nova diante de mim, como o verde
De nossos vales: assim começarei
Agora enquanto não ouço a balbúrdia da cidade;
Agora enquanto os botões jovens são novos,
E correm em labirintos de cores das mais pueris
Em velhas florestas; enquanto o salgueiro espalha
Seu delicado âmbar; e os cilindros
Trazem para casa ainda mais leite. E, assim como o ano
Cresce veludoso com caules suculentos, eu tranquilamente guiarei
Meu pequeno barco, por muitas horas de silêncio,
Com riachos que, logo aprofundando-se, tornam-se refúgios.
Muitos e muitos versos espero escrever
Diante das margaridas, de bordas vermelhas e brancas,
Escondido em meio a ervas altas; e aqui ainda as abelhas
Estão a zunir entre os trevos e leguminosas,
Devo estar me aproximando do meio da minha estória.
Ó! que o inverno, seco e destituído,
Veja-a só meio completa: mas deixai que o outono corajoso,
Com um toque universal de sóbrio dourado
Esteja me englobando quando eu a terminar!
Mas agora, aventureiro, eu envio
Meu pensamento escudeiro em uma selva:
Que seu trompete soe, e rapidamente vista
Meu caminho incerto de verde, e que eu possa seguir
Facilmente em frente, através das flores e ervas.

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– John Keats

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tradução –A thing of beauty

Novo poeta: John Keats

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John Keats (1795-1821) estudou em Enfield e, tendo ficado órfão, em 1810 tornou-se aprendiz de cirurgião em Edmonton. Em 1815 ele foi para Londres e trabalhou em diversos hospitais. Todavia, não tinha muito apreço por sua profissão. Ao invés, passou a mergulhar em literatura, encontrando-se com poetas de gostos similares como Shelley, William Wordsworth e outros.  Amigos de Keats o descreveram como “ávido, entusiasmado, sensitivo, mas cheio de humor, razoável, livre de vaidade, afetuoso, um bom irmão e amigo, de índole doce, prestativo. (trecho traduzido de http://www.poetseers.org/the_romantics/john_keats/)

Trechos de sua poesia em inglês original:

“A thing of beauty is a joy forever
 Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; ”  

“In spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. “

– Keats