Makhfi – poemas sufis de amor a Deus

Makhfi – poemas sufis de amor a Deus

Makhfi (1639-1702), nascida como a princesa Zeb-un-Nissa, foi a filha mais nova do imperador Mogol Aurungzeb, e portanto tataraneta do famoso imperador Akbar. Ela demonstrou-se muito inteligente desde cedo, e foi instruída de acordo. Aos sete anos ela já havia se tornado uma “hafiz”, ou seja, alguém que conhece o Corão de cor. Um dos seus tutores trouxe poetas da Índia e Pérsia para rodeá-la. Isso foi demais para seu pai Aurangzeb, que havia proibido a leitura das obras de Hafiz (poeta) nas escolas e pelas mulheres da corte. Ela nunca se casou e passou muitos anos na prisão, por desconfiança de seu pai e por sua fé sufi. Ela morreu na prisão.

Trechos do livro Seven Great Female Sufi Poets, translated by Paul Smit, em minha tradução ao português.

 


 

O rouxinol desistiria da rosa se me visse,

E o brâmane não mais adoraria seu ídolo diariamente!

Como a fragrância nas rosas Me escondo, na minha poesia

Quem Me conheceria deveria… em mim, tentar enxergar!

 

 

Não sou mariposa que, impetuosa

Lança-se numa chama e morre… melhor seria

Dizer que sou uma vela, com uma paixão interior que,

Lenta e silenciosamente, queima noite adentro.

 

 

Ó profeta, sobre o mundo o estandarte avassalador da sua alma

Se desfralda…

Testemunhe como a sua religião se espalha, até a Pérsia e Arábia

É levada.

Seus lábios abrem como botões de flor, e fluem suas sábias palavras,

Não apenas para humanos, mas os pássaros cantam no jardim sua dourada

Melodia.

O você, cuja beleza eu com grande felicidade testemunho, é berdade

Que a Natureza nunca criou tal jovialidade: beleza a

Ser amada.

Tal amabilidade me aprisionou, tão bem que eu de bom grado, pacientemente

Trilho o caminho da renúncia…. vou para onde seus pés

São levados.

Mas como nego a alegria do meu pobre coração, ou desisto da tristeza

Que acalento… pois a crueldade do amor do meu coração aflito

Lentamente sangrou.

Veja em que ferimentos flui o sangue escarlate, mas de onde fragrantes

rosas nascem, espinhos perfurando meus pés caminhantes rosas

Tornando-se.

Oh, Makhfi, se o sentinela da Kaaba fechar a porta diante de si,

Não reclame… você tem um lugar mais santo, nunca tema

Ser desdenhada…

Olhe fundo nos olhos na face do Amado: acima dos olhos erguem-se arcos

Mais belos que os portões da Kaaba: curve o coração, uma passagem ao Amigo,

Em seu lugar.

 

 

…ó mariposa, quão grande e forte se tornou

Adorando a sua chama… é o seu destino, ser

Breve e então morrer… e ainda assim suporta

As centelhas ardentes, desdenhando o desespero…

Pois sabe, pairando mais perto do fogo,

Que na morte, com o seu desejo, se unirá!…

 

 

Nossos caminhos nunca levaram ao jardim da realização e nossos

Famintos

Olhos nunca sorveram do Seu rosto bem aventurado… e nem uma vez

O vimos!

E… como as minhas lágrimas caíram como chuva torrencial e suspirei

E pensei que então todos os meus desejos insatisfeitos…

Lembranças

Em vão remorso, conjuravam aquele jardim em que nos encontramos,

Mas… onde agora não mais nos encontramos, digo a esse coração com

Agonia.

O que tenho a ver com essa rica mansão? Larguei fortuna

E tudo no mundo que dizem valer a pena

Ser…

e… durante este dia da minha humildade, a mim tão preciosa

como o vinha aos soberanos, seguro a taça do meu destinho

Firme.

Não se desespere, Ó Makhfi, apesar de grama alguma nascer

Neste deserto regado pelas suas lágrimas que correm pela

Noite.

Por que, com todos seus argumentos, homens sábios questionam

Deus, se Ele mostra Sua infinita compaixão… Sua

Piedade.

 

 

Amor… o corsário, amarra na sela da sua montaria

O escalpo de todos os seus incontáveis inimigos esquartejados.

Veja como, com o sangue da humanidade, o amor

É pintado na fronte da terra… uma rosa escarlate.

 

 

Brisa redolente que sobe com a aurora…

Não levaram, Makhfi, a sua alma… ela, levada

Embora e encharcada de alegria… que à sua volta

Só há dias que sopram do leito do Paraíso?

 

 

Porque orar somente na mesquita, apenas com os amigos o vinho

Abrindo?

Abandonei a hipocrisia, oro sempre: da taça divina sempre estou

Bebendo.

A fonte da alma está seca, minhas tristezas não correm nas minhas lágrimas:

O coração que chorava agora é mudo, no jardim o rouxinol não está

Cantando.

Enquanto trilhamos o caminho dos peregrinos, a chama de inspiração é como fogo:

Homens insensíveis, cegos, não o veem, pois pelo o manto dos desejos eles não estão

Ansiando.

A todos no Dia da Criação foi concedido sua parte justa:

Porque do destino mais alegria, menos dor que os outros você está

Exigindo?

Makhfi, todos buscam o seu conselho, os segredos de todos você guarda:

Por que você, que não conta a eles, os segredos do seu coração está

Carregando?

 

– Makhfi

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