O Ideal do Perdão – Sri Chinmoy

“O Ideal do Perdão”

(Primeira publicação em 1956)

 

Lentamente, a rainha das virgens astrais se move

Através do abraço gigante das abundantes nuvens.

Abaixo, o córrego sinuoso murmura alto.

O panorama melancólico da luz da lua

Captura os corações dos amantes do cerne da beleza.

O esplendor e o deleite da nossa terra agora surge sublime.

O transe que guia a cabana de puro-fogo de Vasishtha

Está muito longe da visão distorcida de todos os mortais.

Suas árvores e botões e flores não têm igual.

A enxurrada de suas magníficas torrentes compele

O Éden a se curvar a elas com todo o seu brilho.

Um dardo de dores sombrias tortura o seu coração.

Ele chora bem alto: “Oh Senhor! Olhe minhas faltas.

Meu orgulho foi quebrado, eu agora sou uma coisa digna de pena.”

 

A quintessencia da profunda paz nos olhos do seu sábio,

Com um sorriso luminoso Vasishtha ordena em silêncio:

“Arundhati! Eu desejo um pouco de sal do poderoso sábio

Vishwamitra, portanto, corra.”

“Suas palavras abalaram todo o meu corpo, eu vejo a minha desgraça.

As tristezas do mundo todo crescem dentro de mim.

Ora! Nenhuma alma para acalmar o meu coração triste.

Foi Vishwamitra, o rei cruel,

Quem massacrou meus cem filhos de conhecimento sem fim.

A canção do espírito-sentimental dos meus filhos

Eu não ouvirei mais; que falta! Meu coração não mais

Sente a calma e a alegria deles no olhar atento do Espírito.

Você, meu Senhor, é a raiz das dores do meu coração.

Pois você passou para além das grades eternas

Aqueles atiradores-heróis arrancados da minha carne.

 

Por que a sua voz ficou por trás das palavras guardadas

‘Vishwamitra, o maior dos sábios verdadeiramente’?”

Pelas profundezas da noite Vasishtha desvelou a verdade.

“O meu amor por ele é ilimitado, Arundhati.

Faíscas infinitas de generosidade queimam dentro de mim.

O conhecimento supremo ele ainda tem que fingir: Então

Como eu posso falsamente entitulá-lo Brahman-seguidor?

Seu coração arde por ser o vidente divino.

Únicas, são suas asas flamejantes de elevada aspiração.”

 

Tremendo enrubescido de revolta veio

Vishwamitra, cego, diante da palavra do sábio.

“Agora chega, eu o matarei, se ele continuar

Não me nomeando como o sábio Deus-onisciente.”

Repentinamente, uma revelação em forma de visão apareceu em sua mente

Conforme ouviu as generosas palavras do inigualável vidente.

Caiu curvado e beijou os pés sagrados do Mestre.

“Levante, Oh rei de todos os videntes, levante.”

“Ora! Meu senhor, não envergonhe este eu mortal.

Os olhos de titãs das minhas crueldades nuas

Não merecem, eu bem sei, o seu divino perdão.”

 

Do alto da serena-vastidão Vasishtha falou:

“Que necessidade urgente impele o seu raro advento?”

A voz arrasada de Vishwamitra murmurou:

“Meu coração agora flameja para possuir Brahman, o Único.

O Senhor do meu coração preenche o meu desejo branco.”

“Corra para Ananta – a Serpente eterna,

O condutor sem fim dessa esfera criada.

Não duvide que o meu amor sempre irá ancorar a sua alma.”

“Oh Senhor Ananta! Eu invoco a sua graça sublime.

Revele o caminho iluminado para conhecer o Único.”

“Vishwamitra, este estupendo poder eu tenho.

Mas antes que eu satisfaça a sua escolha, a sua força divina

Eu preciso avaliar. Torne-se agora todo ouvidos.

Você vê o globo terrestre? – toda essa vastidão é minha!

Se a sua força tem certeza de segurar esse peso grandioso

A você eu darei o conhecimento do Único.”

O orgulhoso rei-sábio replicou: “Sobre a minha cabeça

Largue tudo: eu sustentarei o peso gigantesco da terra.”

Veja! Ele afundou no enorme golfo do desastre.

Ora! Rapidamente o globo movimentou os seus sentidos,

Terror incessante torturou as suas veias pulsantes.

Nenhuma vontade-vulcânica poderia acalmar o universo,

Um tenebroso vazio diante da sua mera forma humana.

Mas Ananta sorriu e falou: “Por fim você foi conhecedor

Do tamanho do seu poder. Ouça-me, Oh sábio!

Use para a sua força os frutos da companhia

Das almas sagradas, se alguma você conhecesse.

Chama para a sua ajuda de uma vez, a memória

Do elevado humor delas. Longe de você passará o

Perigo.” Num piscar de olhos o gigantesco nome de Vasishtha

Surgiu na sua mente. O elevado comando de Ananta

Ele cumpriu. A terra era toda silêncio.

A tranquilidade inundava o seu coração.

“Oh tolo imprudente! Implore a generosidade de Vasishtha.

Ninguém na terra além dele pode satisfazer a sua fome.

O enorme poder da sua brilhante presença

Salvou você de conjunturas perigosas e fortaleceu o seu coração

Para suportar a terra colossal, Oh alma cega!

Vá e ore por seu refúgio, o tempo passa rápido.”

 

Ele voltou à elevada cabana de Vasishtha.

Quão profunda a sua tristeza, nenhuma alma na terra pode sonhar.

“Oh Mestre, eu imploro a seus pés ilustres,

Eu oro, não me mande embora dessa vez.”

“Sua aspiração como elevada-águia recebe a Coroa.

Vishwamitra, a você eu dou a vitória.

A inveja e o orgulho poderiam ter velado a sua mente e então

O conhecimento supremo eu não lhe dei anteriormente.

A mente humilde e o coração valente o ganham agora.”

 

O que é a névoa da quimera ou o milagre de hoje

Foi a divina e imaculada verdade de outrora.

Imensurável por nossos pensamentos humanos

Era a presença e o poder iluminado do régio Vasishtha.

Mas lá do Alto almas ainda mais incomparáveis

Virão sobre a nossa imperecível Índia.

O poder dos antigos videntes vai desaparecer

Diante das almas que virão com uma nova Luz;

E ela se sentará no trono de esplendor do mundo.

 

Impresso primeiramente na publicação entitulada O Infinito: Sri Aurobindo, pág. 19, pelo Ashram de Sri Aurobindo, Pondicherry, Índia, em 1956.

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