Poemas de amor místico de Rabia Basri – Al-Adawiyya

Nascida em família tão pobre que não possuía sequer uma medida de óleo para acender a lamparina à noite; raptada, vendida como escrava e sobrecarregada de trabalho até a exaustão; Rabia al-Adawiyya, a grande mística sufi do século VIII d.C., foi finalmente reconhecida como mestra em um contexto patriarcal no qual a mulher não tinha vez nem voz. Sua concepção do amor místico, que prenuncia Francisco de Assis e Teresa de Ávila, foi expressa com uma radicalidade talvez jamais igualada.

Para essa santa e sábia, nenhuma expectativa, senão a de manifestar gratuitamente o amor, podia se interpor entre ela e o Amado; nenhuma recompensa, senão o gozo de amar, podia premiar sua entrega total.

Rabia al-Adawiyya nasceu entre os anos 713 e 717, em Basra, no Iraque. E morreu em 801, em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, o mesmo lugar onde, quase oito séculos antes, Jesus rezou. Seu nome, Rabia, vem do fato de ela ter sido a quarta filha de seus pais. Diz-se que, na noite em que nasceu, não havia, na casa, sequer uma peça de pano para enfaixá-la. Naquela mesma noite, seu pai viu, em sonho, o Profeta Muhammad, que lhe anunciou que a recém-nascida era uma “favorita do Senhor” e iria “conduzir muitos muçulmanos ao caminho reto”.

fonte

Poemas abaixo do livro Seven Great Female Sufi Poets, translation by Paul Smith, traduzidos ao português.

 

Senhor, mais uma noite passa, mais um dia chega:

passei a noite bem para que possa ter paz,

ou… por favor me diga, só estive desperdiçando-a,

e agora lamentarei a minha perda, mais um vez?

Eu juro, desde aquele dia e, que Você me deu uma vida nova…

Você se tornou meu Amigo, mas ainda assim não consigo dormir.

E se Você me mandar embora, eu juro, não estaremos separados,

pois no meu coração Você vive, e reina!

 

Ó meu Senhor… as estrelas brilham

e os olhos das pessoas fecham-se.

Os reis trancaram seus palácios:

cada amante está a sós, com um amado!

Aqui estou eu… no lugar onde estou

com Você… apenas Você, meu Amado!

 

Eu O amei de duas maneiras…

Uma, egoísta, e outra, um amor verdadeiro!

Da maneira egoísta eu nada faço,

mas quando penso, penso em Você.

E, da maneira digna,

Você ergue o véu para mim vê-Lo!

Em ambos os casos, não tenho mérito….

nos dois casos, o mérito é só Seu!

 

Você está na minha alma, completamente Você

entrou em mim… um amigo deve ser tal;

e portanto é sobre Você quando falo,

por Você que anseio quando silente.

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