Emily Dickinson

Dez de dezembro foi o aniversário de Emily Dickinson, a inigualável poetisa americana e universalmente valorizada poetisa mundial. Emily e a sua família foram uma existência única e inseparável. As necessidades da sua família eram tudo para ela. Sua família via em Emily a intensidade da realidade, uma parte do toque preenchedor da sua divindade, iluminadora e futuro-construtora, no coração da humanidade.

O coração de Emily carregou sua consciência física e vital até o mundo da alma. A sua alma, de maneira sublime, mas sutil, levou os três membros – corpo, vital e coração – para a fonte da própria alma, a Terra-Imortalidade. Quando retornaram, o corpo, vital e coração estavam convencidos da realidade dessa Terra-Imortalidade divina.

Apenas porque a mente não foi convidada por Emily ou por sua alma, coração, vital ou corpo para essa viagem, a sua mente recusou violentamente a acreditar na autenticidade das experiências iluminadoras, preenchedoras e imortalizadoras de Emily. A mente colocou-se inamovível entre o finito e o Infinito, entre o corpo e vital e o coração e alma, entre o mundo conhecido intencionalmente e o mundo conhecido inconscientemente. E, para piorar, por vezes a mente foi tão capaz de convencê-la que a sua antes delirante realidade-mundo passou a ser nada mais do que um mundo-concepção-alucinação visionário na vida humana. Essa formidável e venenosa dúvida acarretou uma indulgência auto-deboche, verdade-deboche e mundo-deboche na sua vida. Naturalmente, o céu-iluminação do seu coração não pode lhe conceder a dádiva do livre acesso à sua vastidão interior e plenitude exterior.

Emily aprendeu muito pouco pela associação com a vida exterior. Mas aprendeu muito com a associação interior com sua reclusão-mundo. O mundo exterior foi certamente uma experiência isenta de realidade integral para ela. Assim, o que sabia e pensava sobre o mundo não poderia se tornar uma experiência encorajadora, sustentadora, inspiradora, iluminadora e preenchedora, algo que a levasse à sua própria existência-realidade.

O amor de Emily por Deus e pela natureza fez dela interiormente bela. Por toda sua vida, Emily foi introvertida. Ela abraçou a vida de reclusão auto imposta. A Beleza-Compaixão de Deus foi a sua recompensa. Na Beleza-Compaixão de Deus, seu mundo e aqueles que queriam viver nele se tornaram instrumentos-preparação para a transformação e perfeição das experiências-frustração da vida.

Sua aspiração não estava apenas na seclusão, mas a própria seclusão se tornou sua aspiração. Dentro da aspiração-seclusão ela teve alguns marcantes vislumbres do sol-iluminação interior. As ciladas da vida lhe deram duas ou três experiências-frustração intoleráveis, que exigiram dela que mergulhasse fundo, muito fundo dentro de si, para descobrir a riqueza da vida interior.

Enquanto esteve na Terra, obscuridade foi o seu nome. Apenas sete poemas foram publicados enquanto a Mãe Terra a nutria. Mas, quando o Pai Céu passou a sustentá-la, a Terra amorosamente reconheceu a sua grandiosa realização e sentiu relevante orgulho dos presentes alma-comoventes de Emily para a humanidade.

Cerca de mil e oitocentos poemas-flor compõem a sua guirlanda. Algumas das pétalas das flores oferecem sua beleza pueril, enquanto outras são dever pueril, e outras são a sabedoria madura de uma santa cristã. Sua percepção é que o Desconhecido e o Além serão sempre uma realidade incerta e desconhecida. Porque ela sentia que essas coisas seriam sempre desconhecidas, a verdadeira Fonte-Realidade não pode satisfazer a sua sede-realidade e preenchê-la.

Um dos críticos desproporcionalmente ruins não via nela nada além de uma louca de superlativo grau. E por quê? Foi este nosso mundo nosso o responsável por não proporcionar-lhe a satisfação do coração de que ela tanto precisava. Sua experiência-coração diz à Terra: “Terra, eu compreendo o seu dilema. Você quer e, ao mesmo tempo, não quer uma face-transformação. Uma face-transformação, de acordo com você, é irreal ou não poderá satisfazê-la. Portanto, o seu clamor interior não é intenso o suficiente, não é genuíno ou duradouro.”

A Terra diz à poetisa: “Você está certa, está certa. Mais do que certa. Eu gostaria de dizer que o que tenho não está me satisfazendo, e o que poderei ter também não me satisfaz. Mas eu sinto que, se na criação de Deus a satisfação nunca despertar, Deus ficará incompleto. Acalentar a ideia que Deus é ou ficará incompleto deixa a minha própria realidade-existência incompleta para a Eternidade. Perguntas, eu tenho; respostas, não. Mas tenho certeza de que a minha vida-paciência será inundada de luz-resposta no seio da hora escolhida da Eternidade.”

Para o Céu, a vida experiência da poetisa diz: “Céu, se você realmente é infuso de alma, então deve me agradar poderosamente. E, se você é realmente poderoso, não pode suportar um abismo gigantesco entre a sua realidade-êxtase e a minha realidade-depressão, frustração e destruição. A verdadeira realidade está na auto-expansão fundada na iluminação-distribuição.”

O Céu diz à sua alma : “Ó poetisa-buscadora, mergulhe infinitamente mais fundo. Não sou precisamente aquilo que você viu em mim. Não sou nada daquilo que você acha em mim. Estou muito além da sua aspiração-descoberta-desejo. Dentro da sua realização-descoberta-aspiração é que você encontrará a mim e à minha unicidade da universalidade.”

 

12 de dezembro de 1975

Nações Unidas, Nova Iorque

 

– Sri Chinmoy

 

Do livro Pensadores-Filósofos do Ocidente editora Agbook

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