O Barco do Tempo Segue Adiante -Sri Chinmoy, poema

O céu me chama,

O vento me chama,

A lua e as estrelas me chamam.

 

Os verdes e densos bosques me chamam,

A dança da fonte me chama,

Sorrisos me chamam, lágrimas me chamam.

Uma suave melodia me chama.

 

A aurora, o meio-dia e o crepúsculo me chamam.

Todos buscam por um colega a brincar,

Todos me chamam: “Venha, venha!”

Uma voz, um som, por toda parte.

Ora, o Barco do Tempo segue adiante.

-Sri Chinmoy

Assassinei a sua ignorância -Sri Chinmoy, Poemas.

Quando pensei que eu era o agente

De todas as minhas ações,

Tornei-me névoa.

Morri.

Virei o imperador do grandioso fracasso.

Minha alma veio à tona,

Consolou minha cega ignorância.

Deus causou a Sua Aparição suprema.

“Seu tolo, não noive a beleza sem vida da impossibilidade.

Eu não desperdiço sequer uma folha.

Assassinei a sua selvagem ignorância para você,

Para igualar-se ao Meu Trono Transcendental.”

-Sri Chinmoy

O meu diário -Sri Chinmoy, Poemas.

Nas primeiras horas da aurora,

Nas tardias horas da noite,

Eu escrevo o meu diário.

O meu diário só abriga uma palavra:

Gratidão.

Gratidão à compaixão de Deus,

Gratidão ao serviço do homem,

Gratidão à busca pela minha auto-transcendência,

Gratidão ao meu auto-questionamento,

Gratidão à minha descoberta-Deus.

-Sri Chinmoy

Cartões de mensagens de Sri Aurobindo

A casa do Divino não está fechada a qualquer pessoas que bata sinceramente aos seus portões, quaisquer sejam seus erros e tropeços do passado.

 

*

 

O que é exigido de você não é uma entrega passiva, na qual se torna um bloco, mas que coloque a sua vontade à disposição da Vontade Divina.

 

*

 

Ó transcendente em poder-vontade, que não soframos o controle de ninguém, seja na nossa incepção, seja na nossa criação.

 

*

 

Você não consegue cuidar de si mais do que Deus cuida de você.

 

*

 

Toda vida é tão-somente uma farta e multifacetada oportunidade que nos é dada a descobrir, realizar, expressar o divino.

 

*

 

Uma libertação completa e uma perfeição completa da posse completa do Divino e a posse pelo Divino é possível, mas não costuma acontecer por um milagre corriqueiro ou uma série de milagres. A milagre pode ocorrer e ocorre, mas apenas quando há o chamado pleno e completa autodoação.

 

*

 

Viva interiormente; não se abale com acontecimentos exteriores.

 

*

 

Aspire intensamente, mas sem impaciência.

 

*

 

Tudo pode ser feito se o toque-Deus estiver presente.

 

*

 

Todas as coisas mudam na hora transfigurante de Deus.

 

*

 

Mensagens de Sri Aurobindo encontradas em cartões oferecidos a pessoas em ocasiões especiais, digitadas por Chinmoy, aqui traduzidas.

Jurei sob o altar de Deus -Thomas Jefferson, citação

Jurei sob o altar de Deus eterna hostilidade contra qualquer forma de tirania sobre a mente do homem…

Abdicamos dos deleites domésticos, da tranquilidade e da ciência, e nos comprometemos com o oceano da revolução, para gastar até o fim a única vida que nos foi dada aqui, visando benefícios que só colherão aqueles que virão depois de nós.

-Thomas Jefferson

Eu canto porque Você canta -Sri Chinmoy, Poemas.

Eu canto porque Você canta.

Eu sorrio porque Você sorri.

Porque Você toca a flauta,

Eu me tornei a Sua flauta.

Nas profundezas do meu coração Você toca:

Você é meu, eu sou Seu:

Essa é a minha única identidade.

Em uma só Forma

Você é minha Mãe e Pai eternos,

E Consciência-lua, Consciência-sol,

Tudo-permeante.

-Sri Chinmoy

Ó belo sol que brilha no Oriente -Sri Chinmoy, Poemas.

Ó belo sol que brilha no Oriente,

Ó beleza-vida do Céu,

Ó vida-silêncio e vida-som,

Eu canto constantemente a sua vitória-canção

Com a solenidade do meu coração.

A beleza do Paraíso

E a Luz do Céu

Adoram o Seu Olho.

Por vezes e mais vezes o coração do mundo

Admira Você e o Seu Sorriso-Alma.

-Sri Chinmoy

Poesia -Sri Chinmoy, mensagens

“Eu sempre digo que o homem escreve prosa, mas é Deus quem escreve poesia – em e através do homem. Na poesia, cada palavra nos leva ao Incognoscível, onde há uma tremenda alegria. Podemos pensar que, quando entramos no Incognoscível, ficaremos completamente perdidos. Mas não nos perdemos, nós voamos. A poesia é intuitiva, e por esse motivo não devemos tentar compreendê-la. Não precisamos da mente para sentir alegria. Precisamos do coração.”

-Sri Chinmoy

Mãe desta vez ouça o meu chamado. -Sri Chinmoy, Poemas.

Mãe desta vez ouça o meu chamado.

Que o Seu Sorriso de luz-do-luar

Entre em mim.

Que eu seja energizado com a esperança do poeta

E a voz-silêncio do profeta.

Mãe, desperte em mim

O seu Amor universal.

Que a correnteza do meu rio-vida

Siga em sua direção,

Cantando a minha vitória-canção.

Mãe, não quero mais estar perdido.

Mãe, desta vez ouça o meu chamado.

-Sri Chinmoy.

Poema de 22 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

22 de Julho

Há uma palavra que nos é muito doce, pura e familiar. Essa palavra é consciência. Consciência é um outro nome para a voz interior.

A consciência pode residir em dois lugares: no coração de verdade e na boca de falsidade. Quando a consciência nos golpeia uma vez, devemos pensar que ela nos está a mostrar o seu amor incondicional. Quando ela nos golpea a segunda vez, devemos sentir que nos está a mostrar o seu cuidado sem reservas. Quando nos golpeia a terceira vez, devemos perceber que ela nos oferece a sua compaixão ilimitada, para nos prevenir de mergulharmos no abismo do mar da ignorância.

Eu conheço os seus
Doces, encorajadores e inspiradores segredos.
Está feliz porque
Arrancou pelas raízes a sua árvore-desejo.
É perfeito porque
Sempre obedece aos comandos
Do seu monitor interior:
A luz-consciência.


Reflexão, poema de “22 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Venham, venham, venham -Sri Chinmoy, Poemas.

Venham, venham, venham,

Ó lua, Ó estrelas, Ó sol do azul-vasto céu.

Venham ouvir a flauta da Imortalidade no meu coração,

Assistir o sorriso da Infinidade na minha vida.

Aqui não há penúria, não há vida-escuridão.

Aqui neste meu ninho-coração

Existe apenas uma fonte-luz inexaurível.

Venham, venham, venham,

Hoje o pássaro do meu coração deseja a todos.

Venham, venham, venham,

Ó lua, Ó estrelas, Ó sol do azul-vasto céu.

-Sri Chinmoy.

Como uma flor -Sri Chinmoy, Poemas.

Ó Senhor, para vê-Lo no coração de todos,

Eu, o viajante, sozinho trilhando

A estrada da Eternidade.

As flores que caem

Antes de florescer

São as minhas amigas.

Não sei o que está escrito no meu destino.

Não importa que minha vida termine

Como uma flor antes de florescer

Ou que termine antes de ter visto Seus Pés.

Eu sei que sempre me entregarei a Você.

-Sri Chinmoy.

Poema de 13 de Julho – Sri Chinmoy, Reflexões

13 de Julho

O que obtem

O amor próprio egoísta e o ódio de si mesmo são duas doenças, que podem ser curadas por um remédio, que é o amor a Deus.

Nós queremos agradar ao mundo, mas, como poderemos fazê-lo, se não nos agradam as nossas próprias vidas? É um absurdo gritante tentarmos agradar aos outros se não estamos satisfeitos com a nossa existência interior e exterior. Deus deu-nos grandes bocas e com elas tentamos agradar aos outros, mas dentro dos nossos corações há um deserto árido. Se não temos aspiração, como podemos oferecer paz, alegria e amor ao mundo? Como podemos oferecer qualquer coisa divina quando não praticamos o que pregamos? A espiritualidade proporciona-nos a capacidade de praticar o que pregamos. Se não trilhamos o caminho da espiritualidade, apenas pregaremos; será um jogo unilateral. A nossa pregação frutificará, apenas, quando for praticada.

Para elevar a atmosfera-mundo,
Comece, a partir de hoje,
Com o coração que doa
E a vida de entrega.


Reflexão, poema de “13 de Julho”, retirada do livro de Sri Chinmoy: A Jornada-Alma da Minha Vida.

Canções devocionais sobre o amor de Radha por Krishna – O Evangelho de Sri Ramakrishna

-Canções devocionais sobre o amor de Radha por Krishna – O Evangelho de Sri Ramakrishna

 


 

Ó Krishna! Amado! Você é meu!

O que Lhe direi, Ó Senhor?

O que diria a Você?

Sou apenas uma mulher

E nunca a favorita da sorte;

Não sei o que dizer.

 

Você é a flor para os cabelos.

Ó Amigo, farei de Você uma flor

E O vestirei no meu cabelo.

Sob as minhas tranças O esconderei, Amigo.

Ninguém O verá lá.

 

Você é a cor para os lábios,

O doce colírio para os olhos;

Ó Amigo, com Você mancho meus lábios,

Com você pinto meus olhos.

 

Você é o sândalo para o corpo,

O colar para o pescoço.

Me ungirei com Você,

Meu perfumado creme de sândalo,

Refrescando meu corpo e alma.

Vestirei Você, meu lindo Colar,

Aqui no meu pescoço,

E Você deitará no meu peito,

Perto do meu coração trêmulo.

 

Você é o Tesouro no meu corpo;

Você é o Morador da minha casa.

Você é para mim, Ó Senhor,

O que as asas são para o pássaro que voa,

O que a água é para os peixes.

 


 

Que estranhas, Ó amiga, são as regras da vida e da morte!

O Jovem de Braja fugiu,

E esta pobre pastora de Braja logo morrerá.

Madhava está apaixonado por outras pastoras,

Mais belas do que eu.

Ora! Ele se esqueceu da filha inocente do vaqueiro.

 

Quem teria imaginado, cara amiga, que Ele,

Um Amante tão gentil, tão divino,

Buscaria apenas o encanto externo?

Fui tola em não ter visto antes;

Mas levada pela Sua beleza,

Ansiei sozinha por segurar Seus pés no meu peito.

 

Agora me afogarei no correr do rio Jamuna,

Ou tomarei uma dose de veneno, amiga!

Ou enrolarei uma vinha em meu pescoço,

Ou me enforcarei numa árvore tamala;

Ou, nada disso funcionando,

Destruirei minha existência desgraçada entoando o nome de Krishna.

 


Porque Meu corpo se tornou tão dourado? Não é hora disso ainda:

Muitas as eras devem passar, antes que como Gauranga eu apareça.

Aqui na era de Dwapara o Meu jogo ainda não terminou;

Como é estranha essa transformação!

 

O pavão cintila, todo dourado – e dourado também o cuco cintila!

Tudo ao meu redor se torna ouro! Nada mais

Senão ouro, por onde quer que eu olhe.

O que quer dizer esse milagre, onde tudo que vejo é ouro?

 

Ah, acho que consigo imaginar o significado agora:

Radha veio para Mathura, e é por isso que a Minha pele está dourada.

Ela só medita em mim e acha que sou eu, e portanto deu-Me a sua cor.

Meu corpo que era azul escuro, agora num piscar de olhos

Se torna ouro. Tornei-me Radha por contemplá-la?

 

Não consigo imaginar onde estou – Mathura ou Navadvip.

Mas como isso pode ter acontecido?

Balarama não nasceu ainda como Nitai, nem Narada

Se tornou Srivas, nem Yasoda voltou como a Mãe Sachi.

Então por que eu, dentre todos eles, deveria ficar com o rosto dourado?

O Pai Nanda ainda não nasceu como Jagannath; por que então

Eu deveria me tornar ouro?

Talvez porque em Mathura a doce Radha apareceu

Minha pele emprestou o matiz dourado de Gauranga.

 


 

Certamente Gauranga está perdido num êxtase;

Em exuberante alegria, ele ri e chora e dança e canta.

Ele acha que uma madeira é a floresta de Vrindavan, que o Ganges é o azul Jamuna;

Soluça alto e chora. Mas ainda que seja por fora todo dourado,

Ele é todo negro por dentro – negro com o negrume de Krishna!

 


Porque as minhas vizinhas fazem tal escândalo?

Porque suas calúnias lançam sobre mim,

Simplesmente por causa de Gauranga?

Como podem compreender os meus sentimentos?

Poderei algum dia explicar?

Isso é possível explicar?

Ora, para quem explicarei?

Ah, mas elas fazem que eu morra de vergonha!


 

Ó amiga, traga o meu amado Krishna aqui ou leve-me até Ele.

Ó amiga, traga o meu amado Krishna aqui e ganhe-me como sua serva.

Serei sua aia para sempre.

Ó amiga, não mais irei ao Jamuna buscar água.

Certa vez eu vi o meu amado Amigo debaixo da árvora kadamba.

Sempre que passo por lá, sou sobrepujada pela emoção.

 

O próprio desejo pela presença de Krishna

Resfriou e refrescou o meu corpo febril.

Ó amigas, vocês podem esperar.

Mostrem-me Krishna, o meu Amado.

Não se preocupem com os meus ornamentos.

Perdi o meu Ornamento mais precioso.

Ora! Que dias terríveis!

Meus dias felizes se acabaram.

Essa tristeza perdura tanto tempo!

 

Ó amiga, estou morrendo! Certamente morrerei!

A angústia de ser mantida longe de Krishna

É mais do que posso suportar.

Ora! Com quem deixarei

O meu Tesouro inestimável? Quando eu morrer,

Imploro-lhe, não queime o meu corpo;

Não lance-o no rio.

Faça com que não seja entregue às chamas;

Não mergulhe-o nas águas.

Neste corpo, eu brinquei com Krishna.

 

Amarre a minha forma sem vida, eu lhe imploro,

Aos galhos da negra árvore tamala,

Amarre o meu corpo à árvore tamala.

Tocando a tamala, tocará o preto.

Krishna é preto, e preta é a tamala/

Preto é a cor que eu amo.

Desde a minha tenra infância eu a amei.

Ao preto Krishna o meu corpo pertence;

Não permita que fique longe do preto!